MATE COM ANGU, um rasgo na vida cultural da Baixada Fluminense
Por João Xavi
A região da Baixada Fluminense, periferia da cidade do Rio de Janeiro, vem aos poucos reescrevendo sua própria história. Marcada pela forte presença de negros e nordestinos a Baixada foi escrita, fotografada e contada por olhos e mãos vacilantes diante de sua riqueza cultural. As representações oficiais desta terra sempre privilegiaram uma abordagem pelo viés da violência e da miséria. Pra quem a vislumbra com olhos viciados a imagem da Baixada oscila entre o espaço do vazio, onde aparentemente nada pertinente acontece e a terra da desgraça, o “lugar mais violento do mundo” como ficamos conhecidos nos anos oitenta.
No contra fluxo desta corrente do mal existe um sem número de corações e mentes que atuam na linha de frente do exercício de uma vida mais plena, recheada não apenas do esforço e frustração mais também de cores, arte e outras possibilidades culturais. Estas pessoas auto intitulam-se roqueiros, MC´s, palhaços, atores, capoeiristas, poetas, sambistas, artistas plásticos, funkeiros, produtores culturais, boêmios… Seres muito diferentes entre si, mas que se encontram mensalmente um espaço de convivência possível graças à pluralidade oferecida pelo Cineclube Mate com Angu. Estas pessoas não estão ligadas por bandeiras, posicionamento político ou comportamentos, elas compartilham apenas a condição de viver em uma cidade periférica e a sensação de que é preciso que algo diferente aconteça.
Mate com Angu, mas que nome para um cineclube! Quer entender o porquê deste nome e saber um pouco mais sobre a história do cineclube? Assista ao vídeo produzido pela galera do prêmio Cultura nota 10:
CINECLUBISMO – muito mais do que assistir cinema
O Mate, como é carinhosamente chamado por seus fãs e freqüentadores, está na ativa há oito anos realizando exibições mensais sempre na última quarta do mês, no município de Duque de Caxias (http://pt.wikipedia.org/wiki/Duque_de_caxias) cidade que carrega o pesado título de oitava economia do país conjugado com a vergonha de exibir índices de desenvolvimento humano e qualidade de vida baixíssima.
Partindo do básico pro mais complexo, a proposta do cineclube é oferecer cinema gratuito e perto de casa numa região onde a maioria das pessoas está habituada apenas ao chamado “cinemão” e aos filmes medíocres que ocupam nossa TV. A possibilidade de exibir filmes que nunca seriam assistidos na mídia ou nos cinemas comerciais já é algo genial, mas parece não ser o suficiente. Além dos filmes, o Mate sempre oferece algo a mais em suas sessões: performances artísticas, exposição de fotos, um DJ ou uma banda. A sessão acaba e a magia permanece, muitas vezes invadindo madrugada à dentro e desafiando o fígado e o sono dos mais empolgados.
O público do Mate é realmente diversificado. Tem gente que chega religiosamente na hora, com intenção de assistir aos filmes. Outros vão chegando aos poucos, mais interessados na cerveja e na festa. O grande lance é que todos que comparecem ao cineclube são instigados a pensar cinema e cultura de forma mais plural. Este ponto de encontro de cabeças pensantes acaba viabilizando possibilidades de troca, num processo muito orgânico que gera produções próprias da galera do cineclube (Os filmes do Mate já rodaram o mundo em mostras e foram premiados em importantes festivais de cinema), e também projetos dos frequentadores como é o caso do “Angu TV” uma instigante experiência de comunicação popular nascida sob a égide do Mate, mas que desde o berço trilha seus próprios caminhos com personalidade própria.
Olha o menino… – Inspirado nas palavras do sábio Jorge Ben a galera do Mate com Angu decidiu encarar o desafio de realizar uma oficina de cinema popular com a molecada do Colégio Guadalajara, localizado no bairro Olavo Bilac, em Caxias. O objetivo destas aulas era o de despertar um olhar crítico da galera em relação ao audiovisual e a cultura midiática de modo geral. Mesmo sem a pretensão de ensinar fazer cinema o grupo desenvolveu um projeto e filmou um documentário sobre o bairro. O filme estreiou no dia 15 de maio, no imponente Teatro Raul Cortez, no centro de Caxias.
Você pode conferir um pouco do processo da oficina Mate com Angu no colégio Guadalajara aqui:
Assistindo, fazendo e apontando caminhos de como se faz cinema, o Mate com Angu segue abrindo espaço em uma nova trilha com destino a um lugar ainda desconhecido, não planejado, acreditando na célebre lógica “distraídos venceremos”.
Acesse: Mate com Angu no Orkut, no Twitter e no Youtube
Contatos: matecomangu@curtacaxias.com.br
É o Mate Porra!!!!!
O Mate ehh a Vanguarda cultural da Baixada!!!!!
Vida longa ao Mate!!!
yeahhhhh
Mate com Angu na área!
\m/
Adorei quando estive pela 1º vez no Mate mês passado (julho/09)..
Voltarei outras vezes com certeza, certo de que essa mudança no olhar falada aí em cima é cada vez mais flagrante..
Acredito cada vez mais na baixada. E no mate com angu quentinho!