ELEGÂNCIA: Rincón Sapiência
Leia a primeira parte da entrevista com o rapper
Por Luciano Bevê
Confira a entrevista que o rapper Rincón Sapiência deu ao NOIZ. O bate-papo foi dividido em duas partes e nesta primeira, você fica sabendo como o artista se envolveu com o rap e a origem do seu nome, deixando clara sua forte personalidade e revelando que antes de ser Sapiência ele foi o Mc Shato.
NOIZ ::: Quando e como você começou a fazer rap?
Conheci o rap por intermédio do meu irmão mais velho, isso no começo da década de 1990, mas passei a fazer rap no ano 2000, tinha catorze pra quinze anos. O rap sempre me cativou por conta da audácia que tinham os artistas, da proposta ideológica além da arte, mas pelo fato de ter uma forte influência do rap norte americano, sentia falta de ouvir rimas com mais requinte, nesse ponto me chamava atenção algumas rimas de artistas de outros gêneros fora do rap, curtia o estilo do Chico Science, do Falcão do Rappa, do Planet Hemp, do Black Alien, do Chorão no Charlie Brown Jr, notava que a criatividade poderia ser mais explorada dentro da cena do rap nacional.
O primeiro trabalho que fiz parte era uma banda chamada MD38, pelo fato de ser uma banda acabava tendo influência das bandas de rock, o lance de serem jovens da periferia fazendo música servia de influência. Mas quando ouvi os trampos do Xis, foi o momento que realmente me vi fazendo música, tive minha primeira experiência em compor fazendo samba, foi um trabalho de escola na quinta série, e com a visão de criação que passei a ter ouvindo as músicas do Xis não foi difícil escrever minhas primeiras rimas. A partir disso passei por diversas fases até chegar nesse meu atual estilo.
NOIZ ::: O que significa Rincón Sapiência?
Rincon é um vulgo de quebrada, batizado por uns caras mais velhos que ficavam em um bar perto de casa. Mesmo sem expandir esse vulgo, conforme fui conhecendo novas pessoas, elas acabavam me chamando de Rincon, diziam que eu era muito semelhante ao jogador que na época atuava no Corinthians, isso em noventa e oito, época que eu jogava futebol de várzea, tinha tudo a ver comigo.
Uma antiga companheira costumava me chamava de chato por ter um forte senso crítico, sempre fui exigente pra gostar de músicas, filmes, programas de tv e etc; e como gostava de fazer músicas contestadoras, achei interessante adotar o nome de Mc Shato, soava como algo “old school”. Mas esse nome me incomodava porque acabava perdendo a referência da quebrada, tinha doze anos, foi como se as ruas tivessem me batizado, foi o início da transição da infância pra a adolescência, foi quando passei a ocupar mais as ruas. Cheguei a usar provisoriamente o nome Rincon Mc Shato, mas não soava legal, quando certa vez a palavra sapiência matutou na minha cabeça, sabia que era algo que remete a sabedoria, mas pra entender melhor resolvi consultar um dicionário. Foi quando vi uma definição que dizia que a sapiência é o conhecimento das coisas divinas e humanas, campos de conhecimento que eu busco. O conhecimento divino, algo que vá além da matéria, algo místico, carma, equilíbrio espiritual. Acredito nessas coisas; e obter esse conhecimento vivendo nesse modelo de sociedade não é fácil, concluí que pra enfrentar meus monstros precisaria obter o conhecimento divino e humano, conhecer minha missão nessa passagem na terra, e conhecer também os conflitos humanos e o porquê desses conflitos, daí que me vem o sobrenome Sapiência, muitos dizem “então não é seu nome é apelido” e eu digo que não é um apelido, Cassius Clay depois que se converteu ao Islã passou a se chamar Mohammed Ali, e eu Danilo Albert Ambrosio depois de me converter a música passei a me chamar Rincon Sapiência.
NOIZ ::: O rap nacional nos anos 1990 tinha uma forte tendência a falar mais da periferia, de problemas sociais. Hoje existe um desprendimento sobre essa questão e MCs rimam sobre diversos assuntos não ligados necessariamente as questões sociais. O que você acha disso?
Acho negativo o fato de haver pouco diálogo entre o rap e a periferia, a mesma que sempre sustentou o andamento da cena do rap nacional, e é chato também, saber que vários artistas desta nova safra não possuem suportes para abordarem esses temas, muitos por opção ignoram assuntos do tipo e definem como um rap chato. Independente do tema o que faz a música ser boa é o próprio corpo da música, o instrumental, a poesia, a métrica, a abordagem, a interpretação; a ausência desses quesitos seria um dos pontos fracos
da cena na minha opinião. Não muda nada também, o cara ser devorador de livros, biografias de Che Guevara, Lênin, Marx e na hora de criar músicas não se atualizam, e faz algo fraco. Sou a favor da liberdade de expressão, se o cara pesquisa música, escrita, técnica, tem todo o direito de se apropriar do rap, já que é uma arte, tem todo o meu respeito. Os bailes, as festas, fazem parte de uma grande resistência cultural, partes da periferia encontram-se, as diversas classes sociais também. Os pretos com seu estilo preto de ser não são discriminados, se destacam com seus cabelos crespos, tranças. Pensando em tudo isso, qual é o pecado em fazer músicas pra festas? A importância das questões sociais é abordarem questões que circulam a sociedade, não necessariamente política, protestos e denúncias mas coisas que toquem no coração dos ouvintes, e infelizmente isso pouco acontece na atual cena do rap.
NOIZ ::: Ouvindo teu som, dá para sacar mil influências sonoras. Que influências são essas? Fale um pouco sobre os produtores que trabalham com você.
Nesses primeiros trabalhos as produções são todas minhas, alguns instrumentais montados com sampler e outros com programações eletrônicas, o swing e a referência da música afrobrasileira diria que é o ponto mais característico das produções, inspirados em ritmos como pancadão, miami bass, kuduro, crunk, dance hall, samba, baião, toques de capoeira, toques de candomblé, funk, ska, reggae, eletro, muita coisa mesmo. Costumo mudar de fase constantemente, ora procurando uma timbragem acústica, ora chapando em música eletrônica, diria que esse é meu atual momento. Além das minhas produções tenho pretensões de trabalhar com outros produtores que já venho mantendo contado, destacaria o Hurakan, o Nefasto, Parteum, Nave, o Dj Nuts e o Dj King.
NOIZ ::: E sobre o seu álbum? Como estão os trabalhos e por onde vai sair o trampo?
Preciso dar esse presente pra rapa, noto que a cena precisa de novidades, eu não chego a ser sistemático, mas procuro ser estrategista na hora de trampar minhas músicas, posso garantir que até o final do ano estarei lançando um projeto com músicas e vídeos, mas afirmo também que pretendo trabalhar bastante antes de lançar um álbum oficial, quero poder contribuir na formação de um novo conceito na hora de lançar álbuns, sei que os ouvintes sentem saudades dos clássicos.

Que isso,achava o jeito dele mó paia,num dia que ouvi a Elegância eu fiquei até com dor de cabeça mas depois começe ia prestar atenção e vi que ela é foda,ele teve o dom apesar de gostar mais de instrumentais com samples e menos eletronicos.Achei foda a história dele,to no aguardo de mais sons deles!
Só L♥ve Crew | ♪ Poesia Ritmada ♪
É Nós!
boas novas p o rap nacional!
salve ricon!
Rincon Sapiência é elegante nas palavras também…bela história, boas idéias…Parabéns pelo site parabéns pela ótima entrevista…Adorei
Po entrevista legal…adorei as respostas do rincon o cara sabe se expressar e concordei também que muita gente vem da periferia e faz música ultimamente só de festa, vejo como uma fuga da realidade como se não houvesse problemas cotidianos!!!
o rap nacional precisa de coisas novas,tem umas paradas que naum dá nem pra ouvir,demoro de lança essa parada.
da hora mais ae ouve esse mano aqui talvez uma boa pra vcs entrevistarem http://www.myspace.com/samuelporfirio