7 minutos e 30 segundos, 1.221 páginas e 111 mortos
Dos 111 mortos, 89 detentos (80,1%) ainda estavam sendo processados e aguardavam a data do julgamento.
O Carandiru foi construído na década de 20 e a sua desativação foi concluída em 2005. Cenário constante de fugas, denúncias de superpopulação, rebeliões e acerto de contas, a Casa de Detenção sempre foi um exemplo claro dos grandes problemas causados pela gestão e política do sistema prisional brasileiro.
É uma página da história recente do país que não pode ser esquecida, por isso, a leitura de alguns livros pode ajudar numa reflexão profunda sobre o assunto. O site NOIZ selecionou cinco livros que têm como tema o Carandiru. Ao todo são 1.221 páginas, que somadas aos sete minutos e trinta segundos da música dos Racionais compõe um extrato da história da Casa de Detenção.
Um dos destaques da lista é a obra ‘Aqui dentro – Páginas de uma Memória; Carandiru’. Os autores, de forma precisa e sensível, conseguiram registrar depoimentos reveladores sobre as relações humanas dentro da Casa de Detenção.
Também é destaque o livro do Jocenir, de 2001, que é co-autor da música Diário De Um Detento, do álbum Sobrevivendo no Inferno (1997), dos Racionais MCs.
Boa leitura e curta o som do Racionais enquanto lê a resenha dos livros.
Confira o resumo dos livros indicados feito pelas editoras:
ESTAÇÃO CARANDIRU
Autor: Drauzio Varella
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Ano Edição: 1999
Qtde. Páginas: 304
Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Casa de Detenção de São Paulo um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Esse trabalho, que prossegue até hoje e teve o apoio da Unip (Universidade Paulista), incluiu pesquisas epidemiológicas sobre a prevalência do HIV, palestras educativas para a população carcerária, gravação de vídeos, edição de um jornalzinho de circulação restrita à penitenciária e atendimento de doentes. Um pouco desses dez anos de convivência semanal está registrado em Estação Carandiru, um livro que só pôde ser escrito graças à condição de médico do autor. Mas Drauzio não adota um ponto de vista “médico”, um enfoque de especialista; também não interpreta sua experiência, nem emite juízos de valor sobre ela. Como norma, ele conduz o relato em função da proximidade direta que estabeleceu com estas pessoas, presos ou funcionários. A Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do país, abriga mais de 7 mil presos —“a malandragem”, como eles mesmos se denominam. Drauzio Varella fala desse conjunto por intermédio de Santão, Alfinete, Charuto, seu Jeremias, Loreta, Ezequiel e muitos outros. Nos fragmentos das histórias individuais surgem os problemas crônicos do presídio (as drogas e a AIDS, por exemplo) e as formas de acomodação à precariedade e às privações (cozinhar novamente a comida intragável servida pela instituição, organizar as visitas íntimas). Descrevendo coisas e pessoas concretas, Drauzio dá à cidadela do Carandiru uma transparência difícil de ser obtida.
PAVILHÃO 9 – PAIXÃO E MORTE NO CARANDIRU
Autor: Hosmany Ramos
Editora: GERACAO EDITORIAL
Ano Edição: 2001
Qtde. Páginas: 276
Hosmany Ramos era um promissor cirurgião plástico – chegou a tornar-se assistente de Ivo Pitangy – que foi condenado a mais de 20 anos de prisão por homicídio, roubo de joias, de um avião e tráfico de drogas. O livro traz 23 contos, e uma descrição do massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo. Por meio do relato de um dos sobreviventes que presenciou o massacre de 111 presos (segundo informações oficiais), reconstitui a tragédia.
CARANDIRU 111
Autor: Doug Casarin
Ano Edição: 2003
Qte. de páginas: 156
É natural que uma certa ansiedade domine quem vê estas fotos de Doug Casarin. Seu tema ultrapassa a tragédia de 2 de outubro de 1992, quando 111 homens morreram em condições aqui narradas por um sobrevivente. O tema é o presídio em si, suas grades, a sombra das grades, suas paredes e os grafites nelas, os amontoados de papel higiênico sobre a caixa “Vida”, os retratos de mulheres nuas, as portas com fendas a sugerir jaulas humanas e muito mais.
SOBREVIVENTE ANDRE DU RAP – DO MASSACRE DO CARANDIRU
Autor: Bruno Zeni
Editora: Labortexto
Ano edição: 2002
Qde. de páginas: 225
O primeiro relato sobre o massacre do Carandiru feito em livro por um dos detentos que presenciaram e sofreram a ação policial. Condenado a doze anos de prisão por homicídio, André ficou quase uma década atrás das grades. Passou por diversas instituições penais da cidade de São Paulo e do interior do estado, mas viveu principalmente no Carandiru. Faz um depoimento do cotidiano do presídio, hoje desativado.
AQUI DENTRO PÁGINAS DE UMA MEMÓRIA; CARANDIRU
Autor: BISILLIAT, MAUREEN; BISILLIAT, SOPHIA; CARAMANTE, ANDRÉ; WAINER, JOÃO
Editora: EDITORA DE CULTURA
Ano edição: 2003
Pág. 260
Aqui dentro – Páginas de uma Memória; Carandiru, é um livro editado por Maureen Bisilliat a partir de uma coletânea de depoimentos gravados, de abril de 2001 a dezembro de 2002, na Casa de Detenção Professor Flamínio Fávero, por Sophia Bisilliat e André Caramante, com fotografias de João Wainer e Pedro Lobo. O livro apresenta narrações espontâneas, entrevistas registradas com presos, funcionários e diretores da Casa de Detenção. Falam de solidão, saúde, lealdade, família, amizade e amor, da estética da sobrevivência, da morosidade da justiça, e do peso da palavra na prisão.
DIÁRIO DE UM DETENTO : O LIVRO
Autor: JOCENIR
Editora: LABORTEXTO
Ano Edição: 2001
Qtde. Páginas: 184
Com apresentação de Dráuzio Varella (autor de Estação Carandiru, que conheceu Jocenir na Casa de Detenção, a obra revela a dureza do cárcere por alguém que vivenciou a experiência. No livro Jocenir conta sua passagem por presídios e cadeias de São Paulo.
Bom dia
super interessante as matérias .
Adoro este tema e leio tudo sobre o Carandiru.
Inclusive fui funcionario la por muitos anos e durante os anos em que trabalhei la consegui juntar um grande acervo co mais de 1111 (Hum mil cento e onze) fotos mais de vinte horas de video, centenas de objetos como , armas, cachimbos, maquinas de tatuagens, utencilios diversos, artezanatos, manuais e muito mais.
Inclusive um documentario denominado ” Memorias Sangrenta “, exibido em mais de oito paises .
Tambem um livro rascunhado em que eu escrevia o dia a dia que eu passava la .
Que falta publicar.
Realizo exposições no interior de S.P. em escolas e afins.
E quero levar para São Paulo e outros estados e quem sabe ate para outros paises esta exposição.
Coloco meu acervo a disposição para eventuais exposições, matérias e ou mais.
É o maior acervo particular sobre o Carandiru.
E tambem quase tudo que se tem hoje foi realizado pela visão dos sentenciados inclusive o livro e filme do Dr. Drauzio foi todo baseado por relatos de presos .
O meu é uma visão de um funcionario o outro lado da história .
Ronaldo Mazotto de Lima
rmazotto@hotmail.com