Triunfo: a ponte do soul para o hip hop
Em um bate-papo de quase uma hora com a equipe do NOIZ, Triunfo explicou, numa análise panorâmica irretocável, tudo o que aconteceu de importante no soul, funk e hip hop nos últimos 30 anos.
A conversa começa logo nos anos 60. Na época, a jovem guarda ditava as regras da música brasileira. Os percussores do movimento Roberto Carlos e Eduardo Araújo bebiam na fonte do soul (a raiz da black music). “Tinha uma referência forte da música negra que já me chamava atenção para estes caras. Lá fora tinha James Brown, Beatles, Ray Charles e Jimi Hendrix tudo isso ainda nos anos 60. Os anos 70 foram uma consequência dos anos 60″, disse Triunfo.
Na época, ele era um estudante do ginásio que mudou da Bahia, onde começou os estudos, para Brasília. “Eu saia de Brasília para ir a bailes no Rio e em São Paulo. No Rio a gente ia só para comprar o pisante. Aquele sapato estiloso de sola boa para deslizar na pista de dança”.
Nas viagens para o Rio ou para São Paulo, o rapaz teve a oportunidade de participar dos bailes mais badalados do país. Era o tempo do baile da Lespan, na Avenida Brasil; do baile de Madureira e do Rocha Miranda. “Lá iam pessoas como Toni Tornado, Gerson King Combo, Ademir Lemos, Mister Funk Santos e o Big Boy um dos primeiros DJ. Uma geração depois apareceram os caras da Black Rio, Carlos Daffé. Era muita gente boa dançando man”, lembra.
Além da seleção de estrelas que frequentavam os bailes, muitos craques da dança se divertiam a noite inteira nas pistas. “A maioria ficou para trás. Alguns saíram depois voltaram, mas só eu fiz a ponte do soul para o hip hop”.
A ponte começou na rua. Mais precisamente na Rua 24 de maio, no centro de São Paulo. Com um grupo de amigos, Triunfo fazia a roda de dança e improvisava os primeiros versos de rap que se tem notícia.
Em plena ditadura militar, a liberdade e a alegria dos bailes da Chic Show ou do Palmeira eram uma afronta para o regime linha dura. A resposta era violenta. “Era foda. O baile estava lotado e a polícia jogava bomba de fumaça lá dentro. Depois separaram homem de um lado e mulher de outro”. Essa cena de guerra aconteceu em 79, num dos bailes da Chic Show, na Brasilândia, zona norte da capital paulista.
E não era só nos bailes que a coisa ficava feia por conta da repressão. “Na rua, quando eles viam um preto com o cabelão e calça boca-de-sino, a polícia descia soco no estômago e tapa na cabeça”. Para escapar das blitze da polícia a estratégia eram os “desvios legítimos”. “Ficava sempre alguém de olho enquanto rolava a dança de rua. Se a polícia estava chegando, era dado o alerta e a gente desvia, saia por ali ou por aqui”.
Nessa mesma época, o rap estava ganhando corpo e força nos Estados Unidos, seguindo uma linha evolutiva saída direto do soul. “Aqui era para acontecer à mesma coisa. Era para o rap brasileiro nascer naquele momento, mas aconteceu um problema que atrasou um pouco o negócio”.
Em 1978 e 1979, a Discoteca invadiu o Brasil e os bailes com a ajuda de uma telenovela da TV. “Era o tempo de ‘abre as suas asas, me leve com voceeeeê’. Os negos véios não gostavam e deixaram os bailes de lado. Eles queriam mesmo era o soul queriam curtir a batida quebrada e não aquele som de disco”.
Sem o espaço nos bailes, os rapazes que já eram fãs do hip hop americano e estavam dispostos a montar a cultura de rua por aqui.
“Em 1983 o movimento já era grande. Foi quando eu saí na Vai-Vai fazendo uns passos de break no meio do desfile. Eu vinha sambando pra caramba e em alguns momentos marcados da letra eu dava um peão e deslizava. A galera ficava louca e a escola ganhou o troféu daquele ano”.
Nessa época, Triunfo, que morava no centro, passava parte do seu tempo ensaiando um grupo de amigos que fazia um rap que logo caiu no gosto do público. “Era o Black Junior que cantava “Mas que linda Estás”. Eles trabalhavam na feira e iam lá para casa com um monte de frutas. Era um barato”.
O break e o funk estavam de novo nas pistas. “O Gilberto Gil então me chamou para participar do clipe da música ‘funk-se quem puder’”.
No ano seguinte, em 1984, foi a vez do país inteiro cair na dança de rua. Por ironia, com a ajuda de uma telenovela, da mesma emissora que havia atrasado o nascimento do rap. “A rede Globo me convidou para fazer a coreografia de abertura da novela Partido Alto”.
Com o break fazendo sucesso, o rap brasileiro também ganhou força. “No final de 84, eu precisei dar uma parada para cuidar da saúde e fui passar o carnaval na Bahia e Pernambuco. Quando eu voltei, o pessoal que dançava comigo na Rua 24 de maio tinham ido dançar na São Bento”.
Em 1985 era assim, o pessoal chegava na 24 e perguntava onde é que está o break onde é que é o rap. Nisso todos os olhos se voltavam em direção à estação São Bento do metrô.
“Foi ali que cresceu tudo. Em 1986 chegaram o Thaíde, o Brown, os outros caras dos Racionais. Era todo sabadão. Todo mundo colando para se divertir”.
A consagração da São Bento foi em 1993, no primeiro encontro nacional de dança. Colocamos três mil pessoas na São Bento. “Até hoje estão falando desse encontro”.
Além da seleção de estrelas que frequentavam os bailes, muitos craques da dança se divertiam a noite inteira nas pistas. “A maioria ficou para trás.
Alguns saíram depois voltaram, mas só eu fiz a ponte do soul para o hip hop”. A ponte começou na rua. Mais precisamente na 24 de maio, no centro de São Paulo. Com um grupo de amigos, Triunfo fazia a roda de dança e improvisava os primeiros versos de rap que se tem notícia.


Esse Triunfoo é Cabreiroooooooooo
Ai está a história do nosso povo,do nosso país,de nossas vidas
paz e muita ARTE
Nelson Triunfo é uma das lendas do Hip Hop Nacional.
mestre e professor…
pai do hip hop…
orgulho do brasil
a rua é nóiz mestre
O cara faz parte da história do Hip Hop,muito boa a matéria.
Parabéns Nelson Triunfo pela coragem em enfrentar o Brasil, através da sua competência e talento abençoado por Deus, divulgando sua arte (a dança), o verdadeiro funk soul músic.
Ponte maravilhosa do soul para o Hip Hop.
Que todos reconheçam sua grandiosa luta.
Abraços:
US Blacks (Equipe Sarro Disco Show) e Equipe Super Som 200 (Ceilândia) – Brasília /DF.
Bem me lembro dos tempos do asa de pinheiros,e do grupo funk cia fundado por vc,mas eo Dom betão …. o Lilas…. e meu amigo, me recordo quando vi umas das apresentações feitas pelo lendario NELSON TRIUNFO E FUNK CIA ……o que posso dizer, parabens hoje o sr e considerado uma cultura viva ,uma lenda viva do movimento black representando fielmente
a dança black soul dos anos 80 ate os dias de hoje em São Paulo.Quem te acompanhou desde aqueles tempos sabe o quanto tem batalhado .(Quem tiver duvidas abre uma roda de soul e verás o autentico black soul dançante).
ABRAÇOS.