Pedro Gomes e um Pentagono multicultural
por Juca Guimarães e Gisele Coutinho
O grupo Pentagono dispensa apresentação. Os rapazes do Iporanga, zona sul de São Paulo, estão conquistando com passos largos o seu espaço no cenário do hip hop. O cineasta Pedro Gomes, para quem conhece a cena do rap nacional, também dispensaria qualquer tipo de apresentação, mas não é o caso o diretor que já tem no currículo o documentário “Freestyle: Um Estilo de Vida” e os videoclipes “O Que Tu Qué”; do Akira Presidente, “É o Moio”; do Pentagono, entre outros, volta à cena com o lançamento do novo clipe dos meninos da sul: “Multicultural”, aqui, no site NOIZ.
Pedro, 24 anos, bateu um papo com o NOIZ para falar um pouco sobre o seu processo de criação e as suas convicções sobre a produção cinematográfica. A necessidade viceral de se comunicar e o amor pela música refletem no trabalho dedicado do diretor.
Confira na entrevista um pouco mais sobre as ideias do Pedro Gomes:
NOIZ: Qual a sua experiência na direção de videoclipes?
Pedro: O primeiro videoclipe que dirigi foi o do Akira Presidente com a música “O Que Tu Qué”. Nesse vídeo, como não tínhamos verba eu fiz tudo, desde câmera até edição. Depois recebi o convite de uma banda de rock chamada Pop Armada, foi um trabalho todo realizado em estúdio, uma experiência bem bacana e enriquecedora. E, o mais recente, foi o “É o moio” do Pentagono, onde pela primeira vez eu pude fazer tudo como queria, com relação, a equipamento e profissionais.
NOIZ: Quais são os seus principais objetivos como cineasta?
Pedro: Tenho uma ansiedade em me expressar, elegi o audiovisual como a plataforma para suprir essa necessidade e, penso que após esse passo o outro deve ser a comunicação. Então os objetivos iniciais são sempre esses: expressar e comunicar, eu não tenho ambição de mudar nada, muito menos de conquistar algo, penso sim em realizar muito, cada vez mais. Creio que sendo esses meus objetivos o resultado será sempre positivo – isso é o que busco.
NOIZ: Gravar um clipe permite para o diretor uma escolha de linguagem, ele pode seguir literalmente o que diz a letra ou então contar outra estória que se enquadre na canção. Qual foi a sua escolha para este clipe do Pentagono?
Pedro: Preocupo-me muito com isso, prefiro os clipes com conteúdo, com roteiro bem definido, porém, essa linguagem não é muito bem aceita por aqui. São poucos os clipes de rap, com o mc cantando e baforando na câmera que eu gosto, imagino que nesses casos o diretor não teve trabalho algum, apenas apertou o rec e foi. Contudo, nesse trabalho, por um desejo do grupo – que depois virou meu desejo também, nós optamos em fazer o que chamamos de “clipe de rap-ão”, mesmo assim, senti a necessidade de roteirizar o vídeo. Pensei em cada plano e seu significado. A música fala sobre cidade, metrópole, cinza, transito… Eu vim, com uma fotografia mais azulada, edição frenética, ruídos na imagem, etc. (Aqui entra a viagem), imprimi no filme os adjetivos que remetem às metrópoles.
NOIZ: Você acha que os clichês de clipes de rap com mulheres e carrões estão desgastados e caíram no óbvio? Qual seria o caminho alternativo para inovar na linguagem do videoclipe?
Pedro: Não existe “caminho alternativo”, ao afirmar isso eu ratifico o “outro caminho”. Existem escolhas profissionais, parte delas vem do grupo e a outra parte vem do diretor do clipe. Muitas pessoas acham o Hype Willians o melhor, eu discordo completamente, quem ai já viu um clipe dele de baixo orçamento? São sempre iguais, carros, charutos, iates, biquínis, etc… Ou seja, o cara tem um mega orçamento e vem (quase) sempre com as mesmas coisas. Agora, não cabe a eu dizer nada sobre isso, o Rael diz uma parada engraçado, “não é possível que os novos mc’s façam clipes como os mais antigos, os caras deviam, enquanto criança, ver esses mcs e imaginar que esse era o caminho, porque todos os que surgem (com raras exceções) fazem os mesmo vídeos”. Penso em fazer o meu, do meu jeito, tenho vários deles (diretores gringos) como referência, mas busco internamente o que acho melhor pra cada ocasião. Tenho que respeitar a opinião do artista, mas não necessariamente aceita-la, caso essa ideia, em questão, seja negativa no meu ponto de vista, é simples… saio fora.
NOIZ: Qual o seu videoclipe de rap nacional preferido?
Pedro: Tem alguns que curto muito, gosto realmente do “Namoral” do Pentagono com direção do Leonardo Carvalhosa, curto o do DBS, gosto do “Bem pior” do Xis, Mv Bill com “Soldado do morro” e, por aí vai.
NOIZ: O uso de efeitos especiais está mais acessível ou ainda só é disponível para as produções de grandes orçamentos? Tem algum efeito no clipe do Pentagono? Qual?
Pedro: Tecnicamente “efeito especial” é tudo aquilo que muda a cara da cena original, ou seja, qualquer ajuste de cor, ruído, sujeira que você acrescenta à imagem, é sim um efeito especial. Com isso, nosso vídeo tem sim, efeitos e eles estão disponíveis às produções de baixo orçamento. Obviamente, tem muito recurso, muito mesmo, que ainda é outra realidade orçamentária. Trocando em miúdos, tem bastante coisa ai disponível, basta você saber usar, ter bom senso e vontade também. Ouso afirmar que a busca à simplicidade é sempre o melhor caminho.
NOIZ: O Pentagono é uma banda conhecida pela energia de palco e entrosamento dos músicos. Essa característica também está no clipe?
Pedro: Isso que as pessoas chamam de energia (nesse caso) eu chamo de personalidade + amizade, ou seja, “essa energia” sempre vai existir, até quando estamos todos sentados trocando idéia na madrugada, essa energia está ali presente.
NOIZ: O lançamento do clipe com o site NOIZ é uma parceira nova. O que você acha dessa iniciativa? A internet tem uma participação importante na divulgação das bandas?
Pedro: É, totalmente, perceptível o quanto a internet contribui para divulgar as coisas (boas e ruins). Um novo artista, hoje, não “nasce” sem a internet. Pode sim, um artista já conhecido lançar diversas obras fora dessa plataforma, mas uma “nova cara” precisa irremediavelmente da banda larga. Vejo com bons olhos essa parceria e também aprecio o site NOIZ, acompanho seu meteórico sucesso e, acima de tudo, respeito e apóio. Como diretor, é excelente ter meu trabalho aqui e, para o Pentagono, eu posso afirmar, que também é de muita valia esse lançamento.



comentário: sem comentários…rs…
é muito massa ler uma entrevista dessa, ver a palavra profissionalismo na prática, no resultado final, massa mesmo!!!
Fica aqui registrados meus parabéns ao Pentágono, ao Pedro Gomes, ao Site Noiz, toda a equipe mesmo, da orgulho ver o Hiphop trilhando esse “outro caminho”.
Abraço e Deus abençoe!
pEDRO E pENTAGONO SÃO DOIS pp’s DO QUE SEGUINIFICA 4P.
bem legal a materia,interessante ver o ponto de vista do profissional,sucesso pedro!!!
noiz
Nossa, ele não falou de profissionalismo? hehehe… tem q avisar pra ele, que profissionalismo tem vários aspectos e responsabilidades.. se vc não cumpre todas, não é profissional…. profissional é aquele que honra com o compromisso… então, me fala quem é profissional aqui?
A PAMPA O TRAMPO DOS CARAS, NOVA FORÇA PARA A BOA MUSICA, MUSICA PARA QUALQUER IDADE, UM POUCO DE POSITIVIDADE, PQ SO ESCUTAR FALAR DE CRIME, ROTEIRO DE ASSALTO A BANCO E OSTENTAR LUXO TA OSSO, E QUE VENHA VARIOS ASSIM….
A PAMPA O TRAMPO DOS CARAS, NOVA FORÇA PARA A BOA MUSICA, UM POUCO DE POSITIVIDADE, PQ SO ESCUTAR FALAR DE CRIME, ROTEIRO DE ASSALTO A BANCO E OSTENTAR LUXO TA OSSO, E QUE VENHA VARIOS ASSIM….
jovem mestre…
e se a gente falar que isso não é nada varios nem entenderiam né pedrim??
parabens pelo video, foda é que precisamos de mais disso agora
a rua é nóiz
Parabéns irmão vc vai longe com suas idéias e planos
Caralho , Pedro Gomes é muito mostro .
Fez um clipe muito ” pesado ” , Multicultural tem a qualidade
de som e imagem muito Best .
Pouca gente no Brasil tem capacidade com baixo orçamento
de fazer algo igual ou parecido . [/FATO
NÓIZ
Salve Pedrim… Belas palavras…. Vida longa aos Mestres!!!!!