Vida longa ao vinil
Por Daniel Tamenpi
Quando a notícia de que a Polysom, única fábrica de vinil no Brasil, iria fechar, uma decepção muito grande começou a tomar o país. Na última década, grande parte da produção da fábrica era voltada para o rap brasileiro e a cultura DJ. Com a ameaça, muita gente se mobilizou para que o fechamento fosse impedido, com propostas de tombamento pelo patrimônio histórico, mobilização do então Ministro da Cultura Gilberto Gil, mas o fim parecia próximo.
A realidade é que de alguns anos pra cá, o disco de vinil, que era considerado morto no mercado no fim dos anos 90, vem retomando sua força. Em pesquisas feitas nos Estados Unidos, em 2008, a venda das bolachas cresceu 89%, chegando a quase dois milhões de cópias. Ao mesmo tempo, outras mídias como o cd, mp3, ringtones tiveram queda de 14% nas vendas. E 2009 promete ultrapassar 2008 tanto nas vendas dos vinis, quantos nas quedas de cds e “genéricos”. Além disso, muitos artistas americanos lançam seus produtos também com prensagem em vinil.
No Brasil, o mercado começa a dar sinais positivos. Grupos como Skank e cantores como Lenine lançaram seus últimos discos em vinil e tivemos diversos relançamentos em LP, como o histórico “Da Lama Ao Caos”, do Chico Science & Nação Zumbi, e os primeiros de João Bosco e Vinícius Cantuária pela Sony/BMG. A Sony/BMG promete ainda relançar muitos títulos de seu catalogo nesse formato.
Com todos esses fatores e estatísticas positivas, o fechamento da Polysom era algo irracional até para o mercado atual. Pensando nisso e com boas intenções, o presidente da gravadora Deckdisc, João Augusto, comprou a fábrica, reformou e atualizou suas máquinas e já está em período de testes do produto para reabri-la com pensamento de gigante. Em breve entrevista com o novo dono, o site NOIZ mostra agora o que nos espera no futuro.
NOIZ ::: Por que só deram atenção a Polysom quando ela fechou as portas?
João Augusto ::: A Deckdisc era cliente da Polysom e sentimos sua falta quando fechou. Quando tivemos a oportunidade de reabri-la, não titubeamos.
NOIZ ::: Você como sócio de um selo, qual foi à visão ao comprar uma fábrica de vinil?
J.A. ::: Simplesmente, manter a fabricação de vinil ativa no Brasil e América do Sul. Encomendar discos no exterior é mais caro e tem muito mais riscos com relação ao controle de qualidade.
NOIZ ::: Por que você acha que os jovens têm se interessado cada vez mais pelo consumo de um produto que já era descartado no mercado há mais de uma década?
J.A. ::: Porque vinil não é apenas algo nostálgico, mas sim um formato muito interessante de se transportar música. Vinil é uma experiência tátil, visual e auditiva.
NOIZ ::: Li que no último ano a venda de vinil aumentou mais de 100% nos Estados Unidos. Enquanto a venda de cd’s caiu muito. A que você acha que se deve esse fato?
J.A. :: As proporções são bem diversas. O mercado cresceu para vinil nos EUA, mas a quantidade total não chega a 10% das vendas de CDs.
NOIZ ::: Qual será o vínculo da Deckdisc com a Polysom? Os artistas do selo terão algum privilégio?
J.A. ::: Nenhum vínculo. A Deckdisc será cliente da Polysom, sem quaisquer privilégios.
NOIZ ::: Eu, como dj e aficionado em vinil, sofro muito com os preços do vinil importado devido aos impostos. Essa já é uma questão antiga, mas porque você acha que não liberam as taxas sobre o vinil no Brasil?
J.A. ::: Há algumas coisas em andamento, mas é importante que alguma redução aconteça, porque a carga tributária incidirá em torno de 65% sobre o nosso preço e isso continua encarecendo o vinil.
NOIZ ::: O vinil nacional sempre foi de qualidade sonora muito inferior ao americano e europeu. O produto da Polysom será de qualidade equivalente aos gringos?
J.A. ::: Estamos trabalhando para termos vinis melhores e pelas pesquisas e visitas que fizemos a outras fábricas no mundo, pelas instalações que estamos fazendo, eu acho que brevemente poderemos anunciar que conseguimos. Mas isso ainda é prematuro.
NOIZ ::: Falando em preço. Quanto você acha que será o valor final do produto?
J.A. ::: Não temos ainda uma idéia, mas será mais barato que o importado e bem mais caro do que gostaríamos.
NOIZ ::: Qual será a maior demanda da Polysom. Artistas independentes ou de majors?
J.A. ::: Acreditamos que os independentes estarão muito atuantes e que as majors fabriquem maiores quantidades de cada título.
NOIZ ::: Para a Deckdisc. Qual o futuro da música, fisicamente falando?
J.A. ::: Acreditamos que vários formatos irão conviver, com números de venda bem menores do que no passado.
Siga a Polysom no Twitter: @polysom
http://www.guardian.co.uk/music/musicblog/2009/dec/02/vinyl-frontier-record-sales
Vida longa a esses dois meninos ( vinil e tamenpi)!
A alegria para beat maker’s, mc’s, dj’s , b.boys, graffiteiros, skatistas e toda essa nossa cultura infinita.
O AMOR POR ISSO É INFINITO VIVA O LP !!!!
axo q o cd acaba e o vinil continuara persistindo,claro que para um público específico mas vai viver muito ainda…tomara
A polysom deveria ter um catalogo de djs onde seriam informados dos lançamentos… com isso teria uma venda mais direta e precisa, além disso fomentaria o mercado e aumentaria a procura por vinil…
Fico feliz em saber que ainda há esperança em relação ao vinil…
Viva o vinil!!!!
Se puder mande algum modo de saber os níveis, o sulco e tipo e masterização que podemos fazer para os novos vinis… Máxima Qaulidade!
” tudo pela Cultura e Disco tambem é cultura ”
abç
O vinil ressuscita e a technics entra em coma …
http://www.fiberonline.com.br/blog/2009/12/a-morte-de-um-classico-da-technics-parte-2/
ótimas noticias, vamos trabalhar agora rapaziada…