No compasso da batida: Battle Beats Brasil
Dia 24 de Janeiro de 2010 pode ter sido só mais um domingo comum para muitas pessoas. Mas não para Denis do Prado e Renan Assunção, mais conhecidos como Dheeni e Diamantee. Os dois são responsáveis pela organização de um evento inédito até então no país: a Battle Beats Brasil, uma batalha entre produtores musicais, que são também chamados de beatmakers. Pois bem, no último dia 24, rolou a última Eliminatória da Battle Beats Brasil. O eventou foi em São Paulo, na Livraria de Esquina (Barra Funda), de onde saíram os classificados para a grande final nacional, prevista para daqui a alguns meses.
A abertura da Battle foi feita por Renan Samam, beatmaker revelação (que já deu as caras por aqui na sessão áudio e na rádio NOIZ). Samam mostrou sua habilidade e algumas novidades, como o sample original da “21|12″ último single lançado por Kamau. Na sequência, ele já emendou o beat e eles começaram rimando juntos, depois o rapper Kamau seguiu fazendo as honras e apresentando o evento. O mestre da cerimônia fez perguntas essenciais para cada um dos competidores no decorrer do evento, como “o que você usa para produzir, quanto tempo produz, quem você gostaria de produzir.” Eu digo que essas são perguntas importantes, pois mostram para o público um pouco sobre a vida do beatmaker e suas influências musicais para trabalhar. Muitos deles não têm recursos de ponta pra fazer as batidas, já que a compra de equipamentos muitas vezes foge do orçamento. Então, nessas horas é primordial frisar o esforço e o amor acima de tudo. A cada informação, o público conhece melhor o beatmaker.
Entre os rounds da batalha um presente: um animadíssimo pocket show do MC Arnaldo Tifu, que um dia antes havia lançado seu disco “A rima não pára”, no Hole Club e na mesma semana foi entrevistado pela nossa equipe. A banca da PDD (Pau-de-dá-em-doido), junto com Enézimo, e DJ Nato_PK, balançaram a Livraria da Esquina, e fez a galera cantar e dançar.
Em quase todos os rounds, houve empate. Como eu disse anteriormente, o nivel dos competidores era alto. Então ficava complicado escolher na primeira votação. O público acabava se confundindo por gostar das batidas de ambos os competidores. Isso mostra que a seleção de Dheeni e Diamantee foi realmente cuidadosa, entre os mais de 150 inscritos.
Os semi-finalistas: Casp, Scott, Henrique Jonas e Heron surpreenderam. Caê, o “Casp”, foi um dos destaques, deixando o público de queixo caido com suas linhas de baixo impecáveis. Scott, que é do Guarujá – litoral paulista, chegou com sucesso na semi-final com samples bem picotados, beats pesados.
Mas os finalistas, Henrique Jonas, de Diadema e Heron, da Vila Matilde, zona leste de São Paulo, deram bastante trabalho. Instrumentais pesados bem mixados pra bater bonito.
Eis que surge o grande vencedor: Heron, com apenas 16 anos, que faz parte da crew PDD. Apadrinhado por DJ Nato_PK, sabia exatamente quando batia cada bumbo, cada caixa, cada prato, cada virada, e animou as pessoas com sua performance, fazendo movimentos sincronizados a cada timbre batido.
Agora, a expectativa é pela grande final da Battle Beats Brasil. E é fato: podemos esperar fortes emoções, pois como já sabemos, serão reunidos beatmakers de várias outras cidades e estados diferentes.
Battle Beats Brasil é uma celebração do rap. Parabéns Dheeni e Diamantee pela iniciativa e corre pra realizar o evento, o NOIZ fica aguardando a projeção e maior divulgação desta caminhada. O Hip Hop agradece.
Entendendo melhor a batalha de beats – Pra quem não sabe, beatmakers são produtores de instrumentais, as bases, ou como costumamos chamar: beats. Daí: “fazedor de beats”. A importância do beatmaker é tão grande quanto do MC ou do DJ. Produzir não é fácil. E então, inspirados nas batalhas de produtores que viam pelo Youtube, mais frequentes em Nova Iorque, Dheeni e Diamantee foram à luta, criando então a Battle Beats.

Inspirados nas competições fora do país, Dheeni e Diamantee fizeram a versão brasileira das emocionantes batalhas de beatmakers
Dheeni, que também é beatmaker, tirou seu projeto do papel, realizou o primeiro torneio de produtores de rap em terras tupiniquins. “Se eles podem, a gente também pode”, disse o produtor e idealizador da Battle. Tudo começou em 2007, quando ele realizou o primeiro evento. Aconteceu na extinta casa “O Germinal” no centro de São Paulo. Um ano depois, ele se juntou ao também produtor Renan a.k.a Diamantee, que começou a ser o braço direito e logo mais um organizador da competição. E então, realizaram a segunda edição da Battle Beats, na qual eu competi.
São reunidos oito produtores que competem entre si, à eliminação segue até os dois melhores despontarem na competição. A Battle se tornou uma espécie de liga, de batalha. Então, os dois finalistas de cada edição (sendo ou não campeão) são classificados para a grande final nacional. Neste ano, a competição será um marco no Brasil, com competidores não só de São Paulo, mas do Rio de Janeiro, de Curitiba, do interior e litoral paulista entre outras regiões.
E não se trata apenas de uma competição. A Battle Beats é uma confraternização de produtores, onde estão presentes o público, DJ’s e os MC’s, ligados nas produções que poderão talvez até entrar em algum de seus trabalhos. Quem comparece na Battle Beats sai surpreso, pois em todas as edições produtores se revelam. Muitas vezes, “produtores mocados”, anônimos ainda, se destacam. E dali mesmo já nascem parcerias, e os destaques são abordados ainda durante o evento. Afinal, quem é MC sempre quer rimar em bons beats, sejam boombaps ou não. O importante é a qualidade da batida.
Quem venham outras batalhas!
Texto e Fotos: Luciana Playmobile
Edição: Gisele Coutinho










Putz… pelo jeito a festa foi muito bonita né!?
Pena não poder ter compareceido…
Paz
POXA SINCERAMENTE…
NÃO VI NADA DE EXTRAORDINARIO NESSA VERSÃO..
A MAIORIA SAMPLEIA “SOUL MUSIC” E USA KITS DA INTERNET.
SEI Q NÃO EXISTE NENHUMA REGRA, MAS ACHO Q OS BEATMAKERS DEVERIAM SER MAIS OUSADOS…PESQUISAR TIMBRES DIFERENTES… INDEPENTE SE É PICOTADO OU LOOPADO, O Q CONTA É TER UM ESTILO PROPRIO DE MIXAGEM Q NÃO SOE TÃO CHUPADO COMO PREMIER OU 9THWONDER.
PAZ
Eu tava lá ! foi bem loko ! nao vo perder o proximo !
oq faltou foi a luciana playmobeats na batalha!
Esse mina é monstrooooo nos beats
é sempre bom esse tipo de evento né……
talentos novos…
bases novas…
abraço
ESTRONDO BEATS NÉ
U-CHINA
Muito boa matéria.
Só não estava lá ,por que estava trabalhando no dia.
Mais deixo aqui meus parabéns a todos idealizadores,organizadores,competidores e apreciadores dessa arte!
a rua é noiz
Olha, pude conferir todos os beat-makers…confesso que achei alguns à la 9 th Wonder, mas as qualidades, os pesos das batidas estavam ótimas!!!
Quem sabe um dia, muita gente grande do RAP, não vejam pessoas como esses beat-maker, “fazendo chover” sem ter um MPC, SP, e outros aparelhos.
Agora que o Dhenny e o Diamantee lançaram a semente, seguuuuuuuuuuuuura as batidas!!!!
Abraços de Sorocaba City…ah…quem sabe não rola uma etapa aki na cidade!!!!
Parabéns para o Renan e o Dheeni pela idéia e empreendorismo. O texto é de assessoria de imprensa…
valeuu NOIZ pela materia
tudo puxa saco….fazer materia com amiguinho é muito fácil