A lucidez de Criolo Doido
Depois da ponte, à esquerda, onde duas lajes são um tríplex o agitador cultural e rapper Criolo Doido engendra os rumos das incursões e revoluções no movimento hip hop de São Paulo e do país.
Com duas décadas de vida dedicadas ao rap, o Criolo Doido tem experiência e discernimento suficientes para falar abertamente sobre o rap nacional. Tanto como fomentador quanto como integrante da cena.
Aos 35 anos, o criador da legendária ‘Rinha dos MCs’ _aquela onde só um canta de galo e o resto é frango _prepara-se para lançar o primeiro DVD. A festa de lançamento será no próximo dia 27, no Hole Club.
‘Live in São Paulo’ é o registro de um show realizado em dezembro de 2008 em uma edição especial da Rinha dos MCs, no centro da cidade. O DVD, produzido pelo coletivo Arranca Tampa e dirigido pela Viviane Rocha, tem dez faixas que sintetizam os 20 anos de carreira do músico e no bônus a inédita Grajauex. Homenagem ao bairro onde ele se criou na zona sul da capital e também para todas as quebradas do rap.
“A rinha pode ser comparada como uma espécie de peneira ou uma escola onde o mestre é o próprio Mc, mas eu acho que o grande mérito é a formação da autoestima. O mano chega lá e enfrenta o medo de subir no palco e mostrar o seu talento”, avalia o rapper.
Mais do que uma prova de fogo, a rinha é o ambiente onde os jovens que não encontram espaço para fazer rap podem lutar pelo seu sonho e reaquecer a esperança.
“Se o mano encontra força dentro dele para enfrentar uma platéia de 500 pessoas e desenvolver a sua arte, ele vai ter coragem também para ir numa empresa e entregar o currículo. A mensagem real da rinha é essa: esperança. Sem esperança não tem confiança”.
Desde 1989, o rapper mantém como temas recorrentes de suas músicas a ecologia, os conflitos sociais e a repressão. “Eu digo numa letra o seguinte: “Para quem tá com fome desce três marmitex’ e é isso. Tem que pensar no problema e na solução mais simples. Antes de tratar os grandes temas de desigualdade, tem que acabar primeiro com a fome”.
O DVD tem participações especiais de peso. Estão lá: Terra Preta, DJ Marco, DJ Dan Dan, o coletivo Xelami, os poetas Alessandro Buzo e Akins, a galera do Pentágono, ente outros. Ao todo são 45 minutos de show mais bastidores e entrevista.
Caminhada de um lúcido
ONTEM – O primeiro contato com rap não poderia ter sido mais impactante para o Criolo Doido. “Eu tinha 14 ou 15 anos e um colega de escola fez umas rimas porque achava que não ia passar de ano da sétima para a oitava série. Ouvi aquilo e nem sabia que era rap, mas foi ali que a coisa bateu na minha cabeça”. Desse primeiro contato com o rap veio a vontade de fazer rap também e registrar os dramas do cotidiano.
HOJE – A necessidade de fazer música e intervir na sociedade são os motores criativos do Criolo. “Tudo o que eu faço é para a cidade de São Paulo é pela cidade. O rap é uma filosofia. Não posso pensar o que é que o rap vai fazer por mim, mas sim o que é que eu faço pelo rap. Enquanto existirem os problemas que estão aí hoje vai existir o rap. E, se um dia os problemas acabarem, vamos fazer rap para comemorar”. Sobre os alagamentos e a onda de violência no Grajaú, Criolo Doido é categórico. “A culpa é de quem arquitetou a cidade e deixou o nosso povo excluído e sem opções. Cada garoto fumando crack no Grajaú é um troféu para quem promove a exclusão dos pobres. É isso que eles querem. Eu poderia fazer uma música sobre as famílias que estão desabrigadas por todo o bairro, mas não vou fazer por respeito à dor deles. A crítica contra os governantes eu faço em todas as minhas letras”.
AMANHÃ - Além da rinha, que vai continuar como a principal atividade do músico, o rapper quer se dedicar a novas experiências e gêneros. Os principais deles o samba e a MPB. “Não é que eu esteja cansado do rap, mas eu estou cansado da minha presença dentro do rap. Quero fazer mais, quero ir além. São 20 anos dentro da rap. Eu vivo o rap com a máxima intensidade, mas não é só isso que eu posso fazer. Se alguém vier criticar ou reclamar só posso dizer que estará apontando a arma para a pessoa errada. Eu não estou abandonando nada. Fiz muito pelo rap”.



sou de CWB e gostaria de saber como faz para comprar esse DVD ??? Gosto muito do trampo do CRIOLO e gostei demais da materia. Parabens e que esse ano seja de muitos ganhos para o site NOIZ .
Meu professor, Kleber Gomes aka Criolo Doido, muito respeito!
VIDA LONGA!!!
Pedro Gomes
Criolo doido, inspiração para muitos….
Ótima matéria!!!
PS: COletivo “Xemalami”(XEque MAte LA MIssion) na matéria está escrito Xelami
Muito respeito para Criolo Doido!
mesmo sem conhecer este cara pessoalmente me sinto tão amigo dele, as suas atividades realmente inspiram, e mais que isto, o conceito e fundamentos reais de suas ações.
muita saúde guerreiro!
máximo respeito.
O Cléber é um poeta, poeta das ruas como ele mesmo nomeia outras lendas do Rap.
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quando digo em uma frase …” fiz muito pelo rap” é uma ironia ,espero que todos compreendam, se fosse um video dava pra ver minha expressao .
quando falo ”fiz muito” e junte esta sonora às minhas ”caretas” da pra ver que por trás desta frase ta a seguinte informaçao ; fiz muito , MUITO POUCO !!!
agradeço ao site pela materia .
O mano Criolo Doido é Otra fonética no verbo to be!!!!!!!!!!!!!!HUAUHaUh
Vai ser interessante ver o Criolo fazer um Samba!!!!!!!!!!!!!
Parabéns ao Criolo por mais essa conquista! E ao site pela linda matéria!!!
Tamo junto!