SHOW DA VIDA com Oga Mendonça
Integrante do Projeto Manada, o MC – designer – ilustrador – beatmaker Oga Mendonça é um daqueles caras que dentro do rap é unanimidade. Qualquer artista ou não, mais velho ou da nova geração pra quem faço algum comentário sobre Oga, ouço a mesma afirmação: “Meu! Esse cara é sangue bom!”. Tamanha admiração não é por menos. Conheci Oga em um papo virtual quando eu ainda colaborava para o site NaOrelha e ganhei algumas aulas de rap. Por esse e outros motivos o convidei para a sessão “Show da Vida” aqui do NOIZ!
Enrolado em um freela “highlander”, que segundo ele não morria nunca, Oga fez três vezes a lista dos shows. Detalhe importante: meu pedido foi que ele falasse dos cinco shows da sua vida. Sem surpresa alguma, recebi uma lista com dez shows. “Fiz uma bem misturada, com um show de cada estilo, mas acho que fugiu muito da proposta… Então fiz essa aqui, com coisas de outros estilos, mas o cara não precisa ser tão nerd que nem eu pra curtir tudo isso”, disse Oga, me dando carta branca para cortar alguns shows.
Longe de mim tamanha crueldade, resolvi publicar sua top 10! Com vocês, alguns shows da vida de Oga Mendonça.
Los Hermanos _ Lançamento do Bloco do Eu Sozinho/Sesc Pompéia _2001
Já tinha visto um show dos caras do primeiro disco, que misturavam skacore com letras de amor, mas depois do mega sucesso Ana Júlia, achei que os caras ficariam tentar emplacar outro super hit e investiriam em canções singelas e simplórias como aquela. Ledo engano, os caras cresceram. Trocaram o peso da guitarra por um bem afiado trio de metais. Desde os Novos Bahianos não existia uma mistura tão perfeita de MPB, samba e rock… Não preciso dizer que o show foi impecável, além dos caras serem músicos focados e competentes, a platéia que era pouca, mas só de fãs ardorosos deu um show a parte. Depois daquele show, acredito que o boca a boca funcionou, pois a grande concentração de fãs devotos virou uma marca registrada do grupo.
Roni Size Reprazent_free jazz _2001
Sempre pirei em drum’n bass, e esses caras são como o Wu Tang do estilo. Imagine a cena, quatro MPC’s no palco, um MC endiabrado chamado Dynamite, uma cantora de soul, e um baixista… Eu lembro de ter aberto uma roda de bate cabeça, com o Xandão (7 velas, Medrado, Alexandre Cruz, Afrorude…e mais um monte de projetos), e os caras do Maguerbes. Foi engraçado ver a reação das pessoas, pois grande parte do público era gente “vipada” ou que foi pelo hype de ver o Free Jazz, e naquela noite foram expostos a algo tão visceral. Aparentemente ninguém saiu ferido.
Ascendência Mista_Teatro Arena_ 2001
Já tinha visto outras apresentações do já clássico grupo do rap alternativo paulistano, mas neste show os 3 mcs (Venom/Zorack e Munhoz) estavam impagáveis. Se hoje em dia a gente reclama da qualidade de som das casas, em 2001 então, era terra sem lei mesmo. Este foi um dos primeiros shows que vi deles em um lugar bacana, com um bom som e uma iluminação legal, já que aquele espaço era um pequeno teatro de arena. Além dos caras estarem com uma puta gana de fazer o show, e a plateia apesar de pequena era animada, e ainda tivemos de bônus, a participação do Elo da Corrente!
Polara e College_Jukejoint_2002
O show rolava no porão da casa, que tinha um cheiro terrível de mofo. Mas apesar de tudo o College abriu a noite, com seu indie rock direto e bem feito, tornando mais fácil ignorar o odor. Mas a estrela da noite mesmo era o Carlos Dias vocalista e letrista do Polara, quem já viu sua perfomance num dia inspirado jamais esquece: misture Monty Phyton + doses de Gardenal + Superchunk, e você pode chegar perto do que foi esta noite.
Beans_Festival Sonar sound/Nokia trends_ 2004
Quando ouvi o Anti-Pop Consortium pela primeira vez, “minha cabeça explodiu”, era incrível ver como eles eram diferentes dos raps que tinha ouvido em toda minha vida. Não só nos beats ortodoxos, ou no jeito que se vestiam, mas principalmente no discurso “Nerd/ Cyber/ Mano” das faixas deles. Eu me identificava muito mais com aquilo, do que o velho discurso gringo malaca “cadeia, puta, arma e dente de ouro”. Descrever o show do Beans secamente talvez não passe a dimensão do que foi. O cara trouxe uns disc man, botou um cd com bases destruidoras e rimou com o poder vocal de um Pavarotti. É isso, um puta show sem truque, sem milhares de equipo, só batida, gogó e o “piiiii” que o disc man fazia quando passava de faixa!
Racionais-mc´s _ Gravação do 1000 trutas, 1000-tretas / Sesc Itaquera _ 2004
Fazia tempo que não via show dos Racionais e quando soube que eles iriam toca no SESC Itaquera garanti rapidamente meu ingresso. Pra me deixar ainda mais ansioso, soube que eles iriam gravar o DVD “Mil tretas…mil truta” naquele noite, ou seja o som estaria impecável, teria cenário e ainda mais a participação de ninguém menos que o mestre Jorge Ben. Não vou ficar descrevendo o show, pois vocês podem assisti-lo no DVD. Sabe quando você tem aquela sensação de estar participando de um momento único? De estar “fazendo parte da história”, naquele instante? Foi assim que me senti.
Jurassic Five_Indie hip hop_2007
Simplesmente perfeito. Não consigo explicar o que foi aquilo!
Yarah Bravo e Dj Vadim (one self) _Hey, Ladies! Sesc Pompéia_2008
Acho que ninguém esperava um show tão perfeito. Não que alguém duvidasse do talento dois, mas é que você não espera tanta energia, daquele rapaz com cara de professor aloprado, ou aquela “toy art” de mc. Os dois mostraram o real poder do HIP HOP, pois a pequena notável cantava como uma diva de R&B. Ela dançava e rimava melhor que muitos mc com caras de mau, correntes pesadas, e carros puladores. Quanto ao Vadim, sou suspeito pra falar, pois é aquela velha história de fã, que vira amigo, sabe?
Holger_Clube Berlin_2008
Fazia muito tempo que não me impressionava com as bandas de indie rock, todos tinham aquele ar arrogante e músicas pedantes, parecia que era obrigatório fazer show com cara de “quemerdaestaraqui”. Ver aqueles moleques, se revezando nos instrumentos, rindo muito e cantando a todos pulmões suas músicas, me lembrou porque eu faço música, já que antes de ser um canal de expressão artística, também é a forma mais simples e primitiva de se conectar e se divertir com muitas pessoas ao mesmo tempo.
Móveis Coloniais de Acajú _ Auditório Ibirapuera_2010
Este grupo de ska/rock brasiliense, é um workshop de como ter domínio de público, dinâmica de palco e carisma.
Não posso deixar de citar a “roda russa” onde eles fazem o público abrir uma roda e descem do palco no meio da galera pra tocar, não importa o lugar. Neste dia presenciei o primeiro “mosh invertido” dado no respeitável Auditório Ibirapuera. Espontaneamente a galera levantou o vocalista e levado de mão em mão, foi devolvido pro palco! Impressionante! Se você ainda não viu os caras ao vivo, tá vacilando muito!
Bom, esta foi a top list dos shows da vida de Oga Mendonça. Se você quer ficar por dentro do que o artista anda fazendo de bom pode segui-lo no twitter (@ogamendonca).
Não deixe de conferir a arte de Oga. Um pouco disso você encontra em seu flickr, inclusive os pôsteres que ele cria. Mas isso é assunto para outra pauta.
E aqui você confere a arte sonora do cara: http://www.myspace.com/projetomanada



Como você mesma disse, Grae, Oga é um cara especial! Estivemos juntos em alguns desses shows, como o J5, Roni Size, um Los Hermanos que não é o citado, além de muitos outros, e com certeza a energia boa dessa fera contribuiu pra que a ambiência ficasse intensa como tal.
Beijocas.
Oga?Esse é Sangue bom!… hahaha,meu parceiro e um dos caras que contribuiram muito e ainda contribuem pela arte em diversos formatos e mesmo assim,atingindo um alto grau de qualidade…criador do nome do ´´QUEMSABEEXTINTOOUNÃO“grupo do qual eu faço parte que chama-se AFRORUDE e criador de muitas coisas boas para o nosso universo artístico…abraço fi.
Oga é cara admiravél e sempre de bem com os amigos!
Oga é foda.. salve Manada!
Ele e sangue bom e umas das minhas influencia na musica e ainda vai longe
queria ter ido em metade destes shows ai.