Victor Alvim, o “Lobisomem”
Qual foi o seu primeiro contato com a literatura de cordel?
Vim conhecer a literatura de cordel já depois de adulto. Nasci no Rio de Janeiro e aqui não temos a tradição do cordel tanto quanto no Nordeste brasileiro. Quando comecei a praticar capoeira aumentei em muito meu interesse em diversas áreas da cultura popular, incluindo a literatura de cordel.
Como vc vê a projeção da literatura de cordel para outros Estados? O imaginário e a técnica narrativa do cordel podem se adaptar aos temas do cotidiano de grandes metrópoles também? Existe um cordel urbano? Vc pode citar alguns exemplos?
O cordel vem acompanhando as transformações do mundo, principalmente nos temas. São abordados os assuntos mais diversos, tudo o que se imaginar pode ser descrito em cordel. Temos poetas em muitos outros estados fora do Nordeste, mas esta região continua sendo a maior referência. Citando exemplos de cordéis atuais: Big Brother Brasil – Um programa Imbecil; O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em Cordel, o livro LULA na LITERATURA DE CORDEL, Manual da Copa do Mundo; ABC da Gramática, Camisinha para todos etc
De que forma a internet pode ajudar a divulgação do cordel clássico?
Facilitando o acesso a informações históricas sobre o cordel, sobre seus maiores poetas, vendas de folhetos via correio, disponibilizando em sites e blogs grandes clássicos do gênero, muitos já com quase um século de existência e que hoje podem ser lidos pela internet por pessoas de todo o mundo.
Por ser um meio de comunicação, a internet pode ser uma ferramenta para o surgimento de um novo tipo de cordel ou a impressão no papel é uma característica fundamental do cordel?
Realmente a internet vem sendo um novo ambiente para o cordel. Muitos novos poetas vem mantendo uma produção exclusivamente virtual em comunidades do orkut.e blogs. Dezenas deles nunca publicaram um folheto impresso em papel mas são excelentes autores e mantém a qualidade de cordelistas mais tradicionais.
Desafios virtuais também vem acontecendo entre poetas q moram distante e que certas vezes nem se conhecem pessoalmente. Algumas dessas pelejas já foram publicadas em folhetos.
Quais as obras mais relevantes do Cordel na sua opinião?
Os grandes clássicos serão sempre, na minha opinião, as obras mais importantes. Leandro Gomes de Barros, João Martins de Atayde, José Camelo, José Pacheco, Firmino Teixera do Amaral…só pra citar alguns dos grandes autores e que considero todas as suas obras importantíssimas referencias. Citando alguns folhetos: A PELEJA DE RIACHÃO COM O DIABO; PELEJA DE CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO, A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, O ROMANCE DO PAVÃO MISTERIOSO, A MORTE DE GETÚLIO VARGAS, VIAGEM A SÃO SARUÊ entre muitas outras.
O que vc acha da estética da xilogravura ser usada em outros formatos como: estampa de roupas, capas de CD, gravuras, camisetas, cartazes de filmes, etc etc etc.
Acho válido e muito bonito. Acredito que sempre q as xilogravuras forem usadas remeterão a literatura de cordel e ao Nordeste em geral. É como se fossem uma simbologia.
Qual a sua opinião sobre os movimentos sociais que pregam a preservação do purismo no cordel sem alterações no formato, temática e distribuição? Essa preocupação toda está asfixiando o Cordel?
Não vejo movimentos de purismo sendo pregados por pessoas relevantes no mundo do cordel atual. Vejo a maioria dos poetas acompanhando a evolução do mundo, dos temas e dos meios de comunicação, adaptando suas obras cada vez mais.
O Cordel tem uma estrutura muito oral. Quando você escreve, o texto é definido pelo som das palavras?
É definido pela métrica. Um número exato de sílabas por verso, número de versos por estrofe e a estrutura de rimas entre os versos. Isso vai depender se o texto for em sextilha, setilha, martelo etc…
Por muito tempo, o Cordel foi a único elemento literário que registrou a linguagem popular do nordestino. Atualmente, a língua ainda sofre suas alterações e é enriquecida com novas gírias, o Cordel ainda cumpre essa função de registrar o jeito de falar das pessoas. Esse registro é contemporâneo? Vc pode dar algum exemplo de gíria atual que já está presente no Cordel?
Acho que um exemplo que posso dar são meus próprios cordéis que misturam a linguagem nordestina com as gírias e expressões cariocas, já que sou nascido e criado no Rio de Janeiro. Olegário Alfredo de Minas Gerais também utiliza expressões típicas de sua região em seus folhetos. A linguagem é um reflexo do próprio autor.
O que vc acha dos textos de rap? Eles têm alguma semelhança com o Cordel? Qual?
Não sou um profundo conhecedor do rap mas admiro muito os Racionais, MV Bill entre outros. Vejo que o rap é mais livre nas suas composições, não costuma seguir métricas regulares como o cordel. Mas tem a semelhança importantíssima de ser um meio de expressão que vai do povo pro povo. Uma linguagem que é compreendida perfeitamente por seus admiradores.
Apelidos e causos são assuntos recorrentes na literatura de Cordel, de onde veio e porque Lobisomen?
Lobisomem foi o apelido que recebi quando fui batizado na capoeira. 99% dos capoeiristas são conhecidos por apelidos. O meu vem das minhas características físicas: sombrancelhas grossas e unidas, dentuço e “bicudo”. A partir de meu apelido aumentei ainda mais meu interesses pelos causos de lobisomens e coleciono livros, gibis, cordéis tudo que encontro sobre este personagem folclórico
O que o Zeca Pagodinho achou do Livreto de sua autoria”A Fantástica História de Zeca Pagodinho e o Extraterrestre”? que você fez em sua Homenagem.Qual a sua relação com o samba?
Curto samba desde a infância. Nasci no berço do samba:o Rio de Janeiro. Já toquei em bares com um grupo de samba, componho também e no meu primeiro cd solo transformei algumas cantigas de capoeira em samba. Zeca Pagodinho é meu ídolo e uma das figuras mais populares do Rio de Janeiro e talvez do Brasil. Resolvi homenageá-lo mas não queria escrever sua biografia. Li no jornal uma nota q ele tinha visto um disco voador e criei o restante da historia. Ainda não ouvi dele próprio o que achou do cordel mas acredito que tenha gostado pois postou uma matéria em seu site oficial, me enviou ingressos para o show de gravação de seu dvd e mandou me agradecer através de sua assessoria de imprensa. Espero em breve ouvir dele mesmo sua opinião sobre o cordel.
Você esta as vésperas de lançar o livreto “o maravilhoso encontro de jorge ben jor com são jorge”como grande defensor da cultura brasileira e da literatura cordel o que o seu encontro com Jorge Ben representou para você?E o que este livreto representa na sua história?
Lancei este livreto semana passada no dia 23 de abril, dia de São Jorge. Este trabalho representa uma homenagem a entidade que todos os dias peço proteção e luz para viver e me aproximar de Deus e também a um gênio da música popular brasileira e também devoto do santo guerreiro: JORGE BENJOR. Foi uma honra muito grande pra mim ter escrito este trabalho. Me emociono só de pensar nisto.
Onde encontramos mais informações sobre você e seus trabalhos?como adiquiri-los?
Para maiores informações sobre a literatura de cordel visitem o site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel www.ablc.com.br ou meu blog www.quintal-do-lobisomem.blogspot.com Quem quiser me escrever também fique a vontade: victorlobisomem@yahoo.com.br
Obrigado a vocês pelo convite para entrevista e pela divulgação da cultura brasileira (Victor Alvim, o “Lobisomem”)


Sou suspeita!! Sou fã do trabalho do Victor em todas as vertentes. Ele é um excelente capoeirista – completo! canta, compõe, toca e joga!
Me sinto privilegiada de poder estar sempre em contato com esta pessoa fabulosa!! obrigada por esta oportunidade!!!
Um grande Salve a todos!!
Ouro Branco
Parabens lobisomem… e mto sucesso … no cordel e na capoeira.. sempre!!!
Parabéns Lobisomem pela entrevista. Vcs cordelistas merecem mais que sto e devem estar satisfeitos com a evolução dos meios para divulgar a arte. Um abraço, e até mais!! abs……….
Nossa adorei a entrevista!!!! Os cordéis escritos por Victor Alvim são ótimos, é muito bom saber que elementos da nossa cultura popular nordestina vem se difundindo e mantendo a tradição em outras regiões do país. Parabéns!!!
Salve Victor, São São Jorge, Salve Ogum. tenho a coleção de todos os cordéis do Victor mas os dos Zeca Pagodinho e do Benjor merece atenção especial dos homenageados. O Victor é uma pessoa iluminada de criatividade, sabedoria e vontade de vencer na vida Parabéns, você merece.
Tenho 37 anos,militar da ativa,escolhi a Fisioterapia como profissão e consecutivamente a forma de sustento…Reabilitar vidas foi um dos presentes divinos,no qual,Deus me presenteou aqui nessa passagem.Sempre fui admirador da capoeira,embora nunca tenha praticado.
Enfim,fico feliz e por que não confessar,emocionado de ver uma amigo de infância crescer diante seus projetos,trabalho e fundamentalmente pelo reconhecimento,que só chega para aqueles que indispensavelmente é contemplado pela luz do Criador e gosta do que faz!!!
Victor Alvim,Lobisomem,parceiro nato,espirituoso,capoeirista,ator,escritor,pai,avô e amante do samba.
Por falar em samba,e de qualidade,não podemos esquecer de destacar mais uma astúcia do guerreiro Victor,que recebe os amigos em certos fim de semana no âmbito da sua casa para um sadio bate papo com carne na brasa e muita harmônia de tantan,cavaco,pandeiro e tamboris.
Pelo visto o super evento NO QUINTAL DO LOBISOMEM,ainda vai dar muito o que falar.
Forte abraço confraria e que estejamos sempre guiados e protegidos pela força que vem do alto.
Sem mais,
Marcelo Alves .
Caro amigo Lobisomem
Capoeira e cordelista
Ginga na roda e no verso
Com tradição futurista
Continue sempre assim
Parabéns Vitor Alvim
Pela excelente entrevista.
(Recife-PE)
parabéns lobisomem, mais uma vez divulgando nossa cultura…..muito legal….
Parabéns Lobisomem! vc merece irmao!!!abraço luquinha
Difícil falar sobre o Lobisomem em poucas palavras, pois foi através d’ele que comecei a me interessar sobre a leitura de cordel, onde depois de já alongada e bem convivida anossa amizade, aconteceu um um fato interessante e muitíssimo agardável a mim em uma das poucas vezes que já tive o prazer de frequentar sua casa; uma colega nossa, que me conhecia somente pelo apelido que é Aríete, me prguntou qual meu nome, no que lhe respondi: “Eu sou chará de um dos mais ilustres e importantes autores de cordel do Brasil, não é isso Víctor?” Perguntei ao meu amigo que de pronto respondeu: “Um dos mais não, o Mais!” Que é ninguém menos que Leandro Gomes de Barros, autor de “A Peleja de Riachão com o Diabo” cordel que tem local de destaque entro meus livros… Isso tudo além de exímio cantador, compositor, tocador e jogador de capoeira. É com certeza um privilégio poder ser chamado por ele de amigo!