Próximos
Eventos


sábado
03 DE setembro, 2011
CÉU DO RAP
CEU Sapopemba, São Paulo - SP
agenda completa
08/03/2011 - por Site Nóiz

F.i.n.o Lança Som Em Homenagem Às Mulheres

Que vantagem Maria leva

Na música “Que Vantagem Maria Leva?”, MC da zona sul de São Paulo adianta um pouco de seu próximo trabalho, recheado de samples de música brasileira

Por Velot Wamba

Que o rap nacional passa por um momento interessante no que diz respeito à diversidade na produção, ninguém duvida. Sintomático disso são as metamorfoses que o rap na Zona Sul da capital – talvez a região onde o gênero tenha estabelecido as mais sólidas raízes culturais na cidade -, passando do notável e característico “gangsta”, para o peso do “castelo funk” e disco de um lado, e uma produção que dialoga com o rap underground norte-americano surgido nos anos 90 e em desenvolvimento. Isso sem falar de um MC como o Criolo Doido, que dispensa catgorizações. Pentágono e  Slim Rimografia, por exemplo, são representantes de artistas que construíram uma obra com óbvias conexões com o rap underground. O MC F.I.N.O – ainda não tão conhecido quanto os citados anteriormente, mostra que talento na escrita e bom gosto na escolha dos samples não lhe faltam para se tornar mais uma referência da cultura hip hop na Zona Sul.

A primeira vez que vi F.I.N.O foi declamando uma de suas letras no Sarau da Cooperifa. A impressão foi tão boa que no ato comprei seu primeiro disco, Quarto Mundo, lançado de forma independente. As letras claras e reflexivas, aliadas a beats redondos que não roubam o espaço dos samples – recortes da música brasileira da predileção do MC e de seu produtor, DJ F-Zero – dão a dimensão de um MC maduro e com muita gana de relatar suas experiências e impressões.

A faixa que disponibilizamos hoje, 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, “Que Vantagem Maria Leva”, é uma justa homenagem às mulheres fortes e guerreiras que, não por acaso, são parte constituinte do hip hop – seja na figura de MCs como Dina Di (RIP), Flora Mattos e Lurdes da Luz, por exemplo, seja na figura materna, imortalizada em rimas já históricas de um Gog ou Mano Brown, por exemplo.

O som é de primeira, e serve como aperitivo para o novo disco do F.I.N.O, a sair ainda este ano.

Esse som é o primeiro de um novo disco que você vai lançar. Conta um pouco do que te levou a escrever essa música e o que podemos esperar do disco novo.

Exatamente. Esse é o primeiro som do disco novo, que a gente acaba de iniciar a produção. É um som em homenagem às mulheres que são os grandes pilares das familias. Eu, que fui criado por duas grande mulheres – minha mãe (dona Lucia) e minha vó (dona Regina) -, precisava fazer essa música, que conta com a produção do DJ F-Zero, meu irmão pra todas as horas, e ilustre participação da Camila Trindade, grande cantora que abrilhanta nossos saraus com sua bela voz. E sobre o que esperar do disco… é um compromisso com as pessoas que movem esse país que enfrentam a vida de frente, dia-a-dia, ano a ano, que devem ser valorizadas, sendo temas para refrões. E manter a qualidade que trouxemos no [disco anterior] Quarto Mundo tentando valorizar ainda mais os samples de música brasileira. É isso: muito amor nas rimas acima de tudo.

Você é da Zona Sul, mas teu som não segue o tradicional som gangsta característico daí. Eu vejo na real uma ligação profunda com o trabalho do Slim Rimografia – outro MC da área. Tá correto essa relação? queria saber se o Slim te influencia de alguma forma e tuas referências no rap.

Falando de uma forma metafórica, sou tipo aquele filho palmeirense na casa de pais e irmãos corinthianos (risos). Mas tenho muito respeito por todos os manos aqui da [zona] sul. Na real todos fazemos rap, isso é que tem que ter importância, independente do estilo. Em relação ao Slim, eu conheço ele desde 1998, da época da casa de cultura de Santo Amaro. Na época, ele só fazia graffite  e andava de skate, e eu fazia parte de um grupo (Conceito Moral), por isso essa relação dos sons. E ele é um mano trabalhador do rap também, tem que se influenciar nessas pessoas – inclusive estamos preparando um som juntos pro meu disco novo.

Um lance importante nas quebradas de SP são os saraus que surgiram nos últimos 10 anos. Você participa do Sarau da Cooperifa – muito provavelmente, o mais famoso e longevo deles. Essa experiência como poeta da cooperifa transforma tua música?

Sim, tem uma enorme influência. Na real, depois que comecei a fazer parte da família Cooperifa, minha escrita teve uma grande evolução não só a música até eu mesmo como pessoa, porque ali comecei exercer na prática esse bem que o rap traz nas letras – fazer o bem pras pessoas de verdade com saraus nas escolas e comunidades, o incentivo à leitura e outras coisas mais que aquele povo lindo faz. Esses dias até brinquei com a Sérgio Vaz (criador e um dos mentores da Cooperifa) dizendo que vou ter que dividir as composições do disco novo com ele, tamanha a influência que a Cooperifa está tendo no meu som. enfim: na minha vida.

Por que MC? Sei que você tem interesse por música como um todo. O que te levou a ser um rapper e não um sambista, um roqueiro ou algo diferente?

Na real como todo moleque de periferia do Brasil eu queria ser jogador de futebol, mas as 15 anos depois de ter passado por alguns clubes  vi que não era tão bom com a bola, e eu venho de uma família que tem primo DJ e sambistas. Mas era o rap que tava na alma, porque a partir do dia que decidi começar, veio natural as letras, vinham prontas da mente pro papel. Eu com 9,10 anos, vivia enchendo o saco do meu primo pra gravar as fitinhas pra eu ouvir e decorar. Hoje em dia, lembro e dou risada – ficava ali no som, um 3 em 1, da minha avó, apertando o
botão “pause” todo hora, pra escrever as letras no papel, pra decorar. Esses são os motivos
pra eu fazer e me tornar parte do hip hop. Em relação a outros estilos de música, sou
curioso, gosto de conhecer coisas boas pra contribuir na criação do meu som.

Saiba Mais:
http://www.myspace.com/finoquartomundo

(clipe de F.I.N.O)
Imagem de Amostra do You Tube

1 Comentário

( deixe seu comentário abaixo )

 
Os campos nome, e-mail e mensagem são obrigatórios.
projeto contem
16/04/2011 às 11:59

loko esse som heim nego parabens

noiz

© 2010

Noiz é um projeto patrocinado por