Quilombos urbanos: negros em movimento
Segundo meu Mestre TC, ativista negro desde os anos setenta e atual coordenador da Casa de Cultura Tainã (Campinas,SP), é necessário que nos aprofundemos na viagem para dentro de NOIZ mesmos. Temos que achar nossa posição no mundo, nossa origem e nosso equilibrio. Não é tarefa fácil, (re)conhecer nossas raizes. Ter uma identidade e uma postura racial, étnica e cultural. Ter um pensamento em movimento para se construir uma referência negra nessa caminhada.
Essa busca pelo auto-(re)conhecimento é a chave do maior poder que existe, o poder de compreensão de si mesmo e quanto aos outros. Eu particularmente me reconheço como africano, logo, por acreditar nisso, busco os elementos necessários para que isso se perpetue ao meu redor, eu reconheço o pan-africanismo na diáspora.
Penso que seja na periferia ou no quilombo, uma relação intimamente preta, eu vivo nas áreas de um mesmo afro-cosmo, e as sequelas do sequestro africano ainda percorrem a caminhada. Mantenho minha alma negra liberta nesse cosmo, mas tenho meus pés firmes e cativos na realidade, e nem por isso deixo de refletir a respeito.
