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	<title>Noiz &#187; Joao Xavi</title>
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	<description>Noiz Cultura Urbana</description>
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		<title>Nos rolês mais íntimos de Lurdez da Luz</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 15:11:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[lurdez da luz]]></category>

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		<description><![CDATA[Lurdez no quintal de sua casa, no bairro Pompéia, em São Paulo. Foto: Luciana Playmobile NOIZ tivemos acesso em primeiríssima mão ao disco solo de Lurdez da Luz, conhecida nas quebradas do mundão por pilotar um dos microfones do grupo Mamelo Sound System. Entrei em contato com Lurdez daqui da Alemanha e numa conversa intercontinental [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2748" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C.jpg"><img class="size-full wp-image-2748 " title="9654C" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C.jpg" alt="Lurdez no quintal de sua casa, no bairro Pompéia, em São Paulo. Foto: Luciana Playmobile" width="614" height="410" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Lurdez no quintal de sua casa, no bairro Pompéia, em São Paulo. Foto: Luciana Playmobile</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">NOIZ tivemos acesso em primeiríssima mão ao disco solo de Lurdez da Luz, conhecida nas quebradas do mundão por pilotar um dos microfones do grupo Mamelo Sound System. Entrei em contato com Lurdez daqui da Alemanha e numa conversa intercontinental a moça contou tin-tin por tin-tin os pormenores da feitura deste primeiro disco solo. Na conversa, Lurdez falou do início do seu interesse pelo universo hip-hop, explicou a origem do desejo de fazer um disco solo, o que diferencia este disco do seu trabalho com o Mamelo e ainda citou uma passagem com o saudoso DJ Primo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas palavras de Lurdez da Luz: “A história da minha vida não dá um filme, mas também não é assim tão ruim”. Confira o bate-papo e uma resenha sobre o disco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Começando do começo. Em que momento e circunstâncias a música entrou na sua vida?</strong><br />
Lurdes da Luz: Comecei a me meter a fazer som acho que em 1994. Mas tem toda aquela memória infantil né, minha mãe me ninando com canções do &#8220;Acabou Chorare&#8221; dos Novos Baianos e João Gilberto. Mas quando eu decidi fazer som foi bem menos doce, peguei uma guitarra numa permuta, trabalhei de recepcionista num estúdio no Bixiga (bairro de São Paulo) e meu chefe me deu uma Epiphone Les Paul e eu fui tocar rock. Não era um punk, não era emotional hard core, nem era mod, nem hard rock&#8230; sei lá definir o que era, como não sei definir até hoje. Mas lembro que “Fun House” dos Stooges e Dead Kennedy´s eu ouvia todo dia roubados do meu padrasto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E como foi a transição desse universo do rock pro hip-hop?<br />
</strong>LdL: Foi gradual mesmo. Nos (anos) 90 tinha muita festa misturada, de skate e tal, que tocava Racionais, Beastie Boys e Cramps, sei lá. Daí eu já ouvia um monte de rap quando saía: Digable Planets, Pharcyde&#8230; os raps que &#8220;geral&#8221; curtia, não só quem era desses rolês específicos. O bate cabeça né? Como a trilha do (filme) Judgement Night. </p>
<p style="text-align: justify;">Mas me identificar a ponto de virar a casaca mesmo foi em 1998, com Black Star e na sequência os malucos do Antipop, Mike Ladd e mais um monte. Comecei pelo lance do spoken word mas daí fui me apaixonando pela linguagem e as batidas do rap e junto com o Rodrigo Brandão levamos a parada pro nosso mundo as vivências e influências e o resultado é o Mamelo Sound System, que completa 10 anos em 2010. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pois é, e depois de tanta história com o Mamelo de onde foi que veio o desejo de fazer um disco solo?<br />
</strong>LdL:  Da demanda de sons na cabeça. Tinham umas letras sem base, daí queria saber mais de como fazer música, de como dar vida as idéias. Uma bateria mais assim, um timbre mais assado. Já começar pela minha concepção e não encaixar as rimas num beat já pronto. Daí achei as pessoas certas pra compor junto&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E isso é até engraçado. Porque é um disco solo, mas parece que é um trabalho mega coletivo pois têm um monte de gente envolvida&#8230;<br />
</strong>LdL:  Isso foi o fluxo do cotidiano que foi ditando de um jeito bem espontâneo. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas tem as figuras que participaram em várias faixas, como o Daniel Bózio e o Marcelo Cabral&#8230;<br />
</strong>LdL:  Sim, sim. Eu fui bater na porta do estúdio do Daniel quando decidi fazer esse disco. Ele é um camarada de muito tempo que tem uma formação de som muito a ver com a minha e que foi cada vez mais indo pro lado da produção musical em estúdio do que pra músico de show. Daí eu peguei uns beats mais crus com os beat-makers de rap e fomos tirando os samples e colando instrumento e colando e editando&#8230; E o Cabral é grande boa surpresa do processo. Eu não conhecia ele, foi o Daniel que chamou, e ele me ajudou até em métrica e no pouco de melodia que destilei no disco.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2749" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-7.jpg"><img class="size-full wp-image-2749 " title="9654C-7" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-7.jpg" alt="Foto: Luciana Playmobile" width="614" height="410" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Luciana Playmobile</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>LdL:  Tudo que você faz sem ter que entrar num consenso com mais gente, guiado só pela sua intuição do que deve ficar e que deve ser apagado já é novo. Pra mim pelo menos sempre foi o formato de banda e sempre foi grupo o que eu tinha experimentado até então. Daí surgiu esses lance das músicas serem de sobre relacionamento com homens, sexo, amor, amor maternal até. Daí meu parceiro (Rodrigo Brandão) até entrou na vibe de duas (composições) né, mais que isso já ia ser viadagem (risos). Mas na real o que tem de novo é uma visão mais feminina que eu não botava no Mamelo não.</p>
<p>Você falou mais da parte de produção, do trabalho musical e mais técnico. E a parte lírica, o que esse disco trás de novidade, de diferente em relação aos seus sons no mamelo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A fofoca que rolava há muito tempo era que esse seria um disco de amor&#8230;</strong><br />
LdL:  E é! Você não achou?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Achei, é um disco de amor bem plural&#8230;<br />
</strong>LdL: Canções de amor sempre foram as que mais fizeram sucesso no mundo, daí eu queria fazer as minhas. Mas não tem aquele lance de juras de amor eterno, de fui traída, de abordagem comum&#8230; A que fiz pro Rogê é amor de mãe pro filho, mas vai alem, é amor pelos filhos do planeta, pelo planeta. Isso é bem feminino, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É uma visão materna e feminina do mundo&#8230;</strong><br />
LdL:  A abordagem clichê do amor nas ultimas décadas em nome do pop me deixa mal, daí nunca quis tocar nesses assunto no Mamelo e agora parti pra outro tipo de abordagem. Não digo que é um disco auto-biográfico sabe, pois não me baseio necessariamente em experiências reais pra escrever, mas em sentimentos reais. Lurdez da Luz nunca foi personagem, né? É apelido de rua, não fui nem eu que me batizei! Pois se você inventa pra si mesmo outra alcunha é pseudônimo, mas não é esse o caso. Vamos dizer que são rolês mais íntimos da Lurdez da Luz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Além do Brandão o disco também tem outras parcerias, como essas figuras se aproximaram dos rolês mais íntimos da Lurdez da Luz?</strong><br />
LdL:  Aí é mais standard o processo. Convidei quem, mais uma vez por intuição, eu gosto e tem a ver com meu som. A Stefanie foi bem quando tive que voltar pra casa da minha mãe em Santo André e ela trampava numa loja de roupa no centro de lá. Já tinha visto ela ao vivo e fiquei afim de fazer algum som com ela. O Du Peixe é admiração mesmo, gosto do canto mono-tônico, ou do rap cantando dele e do jeito que ele escreve. Ele é amigo do Daniel também, daí ele colou lá um dia e se lançou de escrever e tudo foi meio assim. O Mike Ladd me deu o beat quando veio tocar com o Mamelo aqui. Deu sem eu pedir, e americano cobra por tudo! Enfim, foi bem inna natural mystic flow. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Corrente de água doce” (a parceria com Jorge Du Peixe) é um leitura/retorno a sua história com origem baiana e essa referência nordestina em choque com a rotina em São Paulo?<br />
</strong>LdL:  Sim, é a real de muita gente né? De gente do nordeste que vem pra cá.<br />
Eu tava voltando de SP de trem pro ABC daí fiquei de cara com as minas que as 6h da matina estavam indo pro trampo de salto, blush e pá. Trocando idéia que o forro tinha sido massa, e nem eram tão novas&#8230; Mó piquê, daí Osún aqui é um Orixá associado a vaidade feminina né, dai pirei que essas eram tipicas filhas de osún por isso rola a saudação à ela. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E também tem relação com essa postura de ser &#8220;humilde&#8221;, mas em relutar em aceitar as coisas mais simples e básicas. Querer “estar na beca com afinco” (trecho da letra), enfeitar o corpo pra expor as cores da alma&#8230;<br />
</strong>LdL:  Então essa parte do Jorge, é total o cara se arrumando ou para um terreiro ou para um folguedo. Enfim ele tá lá no rio que desemboca no mar, e ela tá aqui com muito ouro falso no braço, mas que são jóias estimadas. Coisa de caboclo fino.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2752" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/lurdez2.jpg"><img class="size-full wp-image-2752" title="lurdez2" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/lurdez2.jpg" alt="Foto: Luciana Playmobile" width="650" height="223" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Luciana Playmobile</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>LdL:  Isso! Essa surgiu no projeto Colaboratório, que foi o Mamelo o Mike (Ladd) e o São Paulo Underground juntos. Daí a Rob fez essa linha na hora, ali pro show e quando rolou de pegar o beat com o Ladd escalei ele de ir no estúdio gravar a participação.</p>
<p>Outra faixa muito forte é a “Ziriguidum”. Parece feita sob medida pras pistas (no melhor sentido da expressão). Essa é a produzida pelo Mike Ladd, e tem o trompete do Rob Muzurek também, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outra onda legal que rola no disco, e parece que tem relação com a sua aproximação com o universo do rap, é essa parada de gravar spoken words.<br />
</strong>LdL : Sim! Quero ser livre de formato pra lançar uma idéia, e posso querer ter um formato bem definido pra num lançar idéia nenhuma. E esse som do “Ah uh” que é uma ode as mulheres casadas tem inspiração direta em uma mina chamada Wanda Robinson.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando em formato, pra começar a fechar a conversa. Por que lançar um EP? Por que esse formato de um disco curtinho?<br />
</strong>LdL:  Porque tem excesso de som imagem de produções artísticas no mundo, quis lançar só o que eu achei que valia a pena, num tenho compromisso com o mercado, nem faço arte pra ser aceita por determinados meios. Daí teve um som que fiz em uma instrumental do Takara que substitui pelo Meu mundo que deu mais certo. Tinha uma do DJ Primo que escrevi em uns mp3 que ele tinha posto no meu Ipod em vida&#8230; Talvez esses sons rolem mais pra frente, dai tinha que arrumar tudo separado e tal, pode ser mais pra frente, legal que ele tinha mandado um email dizendo que tiinha curtido a rima mandei um bounce com voz guia pra ele. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É legal que todo mundo que eu converso tem uma história boa pra contar em relação ao DJ Primo&#8230;<br />
</strong>LdL:  Ele era muito boa gente mesmo, todos os cabulosos de verdade são assim. Humildes porém confiantes e sem preconceito, se guiam pelo coração. Ele era o melhor DJ  daqui na verdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E agora que o disco tá na mão, quais são as expectativas para o futuro próximo?<br />
</strong>LdL:  Não crio muito expectativas, tenho fé que vai rolar legal de fazer shows, de executar esses sons com uma banda. Porque eu amo acústico e amo eletrônico, o que pode ser meio confuso a princípio, mas também pode ser libertador. Dá pra tocar em balada só com DJ ou em teatro com banda, enfim. O que eu gosto mesmo é de executar, de montar a sequência, as virada e imaginar que elemento que sai desse som e vai tocar alguém ali na hora, em vou cantar de outro jeito uma melodia, enfim&#8230; E continuar sobrevivendo de musica, na real viver seria melhor. Talvez melhore minha renda esse disco. Já tem umas coisas marcadas mas vou divulgando no tempo certo.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2750" title="9654C-4" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-4.jpg" alt="9654C-4" width="614" height="410" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff9900;"></span></strong></p>
<p>RESENHA: Lurdez da Luz – homônimo</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de atravessar a última década portando um dos microfones do Mamelo Sound System e participar de projetos como o 3naMassa, Lurdez da Luz embarca em seu primeiro voo solo botando na rua um belo EP homônimo. O burburinho que Lurdez estaria preparando um disco de amor se confirma já na audição da primeira das nove faixas do EP, quando acompanhada por toques de tambores a moça anuncia: “esse é meu produto, é interno e bruto”. O disco que brotou do desejo de falar de amor de maneira plural, e com mais dignidade do que tem se ouvido por aí, explora com talento as nuances da condição feminina em muitas das suas várias possibilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O amor de mãe bate ponto em “Meu mundo numa quadra, um misto de declaração e carta de boas intenções para o futuro do filho. Em “Andei” Lurdez toma o processo como tema e, em parceria com Stefanie (Simples e Pau-De-Dar-Em-Doido &#8211; PDD), discorre sobre a necessidade de se aventurar e as implicações das escolhas de sua maneira de viver. A sequência “Ziriguidum” – “Corrente de água doce” é o ponto alto do disco no quesito “música de baile”. A primeira, em parceria com Rodrigo Brandão (MSS), pega o ouvinte pelo suingue do trompete, contribuição de Rob Muzek (SP Underground) e explora o conceito que todo brasileiro entende com o corpo, mesmo sem saber explicar o que a palavra ziriguidum significa. A segunda é uma genial parceria com Jorge Du Peixe (Nação Zumbi) e aposta em outra direção no sentimento de brasilidade abordando a força e disposição que, apesar dos pesares, nosso povo tem para a celebração e a festividade. Já “Saudade” tem um clima mais denso e traz Brandão de volta a cena, enquanto “Eu sou o cara” serve de manual para os marmanjos entenderem com todas as letras como as mulheres gostariam que os homens se portassem em um relacionamento. Para fechar, assim como na abertura, a faixa “Fim da egotrip” dialoga com a tradição do spoken words, enriquecendo ainda mais o disco que extrapola as fronteiras do que se convém chamar hip-hop e lança Lurdez da Luz na seara da música brasileira contemporânea.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alguns dos sons do disco e outras faixas da Lurdez da Luz podem ser conferidos aqui: </strong><a href="http://www.myspace.com/lurdezdaluz"><strong>http://www.myspace.com/lurdezdaluz</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900;"><strong>Contatos para shows podem ser feitos aqui: </strong></span><a href="mailto:lurdezdaluz@gmail.com"><span style="color: #ff9900;"><strong>lurdezdaluz@gmail.com</strong></span></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Banquete sonoro com Ed Motta</title>
		<link>http://noiz.com.br/novidades/banquete-sonoro-com-ed-motta.html</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 13:58:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[circo voador]]></category>
		<category><![CDATA[ed motta]]></category>
		<category><![CDATA[piquenique]]></category>

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		<description><![CDATA[Saiba como foi o show de lançamento de Piquinique no RJ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2682" class="wp-caption aligncenter" style="width: 671px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/edmotta1.jpg"><img class="size-full wp-image-2682  " title="edmotta1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/edmotta1.jpg" alt="Foto: João Xavi/siteNOIZ" width="661" height="442" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: João Xavi/siteNOIZ</p></div>
<p style="text-align: justify;">
<p>O show de lançamento de <em>Piquenique</em>, décimo disco da carreira de Ed Motta não poderia ser diferente. Quer dizer, poderia, mas, graças às forças divinas do bom som, não foi. Na noite de sábado, do dia 12 de dezembro (12 do 12) a acolhedora lona do Circo Voador (RJ) recebeu um público na quantidade certa: nem muita, nem pouca gente. Além disso, era uma galera com um espírito muito bom, parecida que todo mundo estava ali em nome da boa música. Essa confluência de fatores, somado a disposição da banda no palco, com Ed Motta fazendo boa parte do show sentadinho ao piano, dotou o espaço da lona de um clima muito intimista. A iluminação permitia que o palco fosse visto na medida certa, o acerto do áudio (palmas, mais uma vez, para a galera da técnica do Circo) permitia que tudo fosse ouvido, e é assim que se faz um grande espetáculo: oferecendo ao público qualidade em todos os níveis.</p>
<div id="attachment_2683" class="wp-caption aligncenter" style="width: 671px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/edmotta3.jpg"><img class="size-full wp-image-2683  " title="edmotta3" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/edmotta3.jpg" alt="Foto: João Xavi/siteNOIZ" width="661" height="442" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: João Xavi/siteNOIZ</p></div>
<p style="text-align: justify;"><em></p>
<p>Piquenique</em> parece trazer Ed de volta a era dos grandes hits na linha disco. As letras não são tão inspiradas como as fabulosas parcerias com Rita Lee, por exemplo, mas o conjunto da obra definitivamente não deixa a peteca cair. Todos os sucessos da constante carreira do músico bateram ponto, dividindo espaço com algumas homenagens e citações de grandes clássicos do funk/soul/disco, formando um set-list matador!</p>
<p>Vale à pena citar, e por que não reverenciar? A qualidade dos músicos que acompanham Ed Motta no palco. Do sempre presente Paulinho Guitarra, que toca com Ed há alguns bons anos, aos novos companheiros, a banda é azeitada e atua redondinha sendo orquestrada por movimentos de braço de Ed. Ah, a voz do cantor continua primorosa e um espetáculo a parte. Se tiver a chance de ver este show não vacile, chegue junto, no sapatinho, e aproveite o baile.</p>
<p><strong>Ed Motta e a platéia 1:</strong> o cantor interagiu com o público com muita naturalidade. Chegou a parar uma música por conta de um fã que gritava “Ed! Ed!” freneticamente. Mas com muita simpatia contornou a situação que terminou com todo mundo dando risadas;</p>
<p><strong>Ed Motta e a platéia 2: </strong>na parte mais baile/dançante do show o cantor convidou um dançarino da platéia para subir ao palco, Jessé, o dançarino, mandou ver nos passinhos “estilo Globetrothers”, nas palavras de Ed Motta.<br />
Uma última dica, o disco está disponível no site da Trama (parte do projeto de discos virtuais lançados pela gravadora) e o próprio site do Ed é muito bacana, todo pensado na estética de quadrinhos (arte pela qual o cantor é viciado).</p>
<p><a href="http://www2.uol.com.br/edmotta/" target="_blank"><strong>http://www2.uol.com.br/edmotta/</strong></a></p>
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		<title>Fela Day in Rio</title>
		<link>http://noiz.com.br/novidades/fela-day-in-rio.html</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 23:57:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[fela kuti]]></category>

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		<description><![CDATA[A África já foi diagnosticada pela geopolítica contemporânea como a periferia esquecida. Que dentro do entendimento geopolítico implicaria em uma região periférica (terceiro mundista) que, diferente de espaços como a América Latina e Ásia (Brasil e Índia no G4, por exemplo) não recebe nem mesmo a inclusão perversa que chega até nós a cargo das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A África já foi diagnosticada pela geopolítica contemporânea como a periferia esquecida. Que dentro do entendimento geopolítico implicaria em uma região periférica (terceiro mundista) que, diferente de espaços como a América Latina e Ásia (Brasil e Índia no G4, por exemplo) não recebe nem mesmo a inclusão perversa que chega até nós a cargo das políticas neoliberais e da globalização dos mercados e estruturas de produção. E a afirmativa obviamente tem sua parcela de acerto. Porém, os geógrafos, que nesse tipo de análise operam fundamentalmente com dados de macro economia e indicadores sociais, deixaram de lado um aspecto fundamental para se compreender o poder de inserção e alcance de uma região. Minha pergunta é, onde fica a cultura nessa história? E, introduzindo o motivo maior deste texto: Será que nossos colegas acadêmicos já ouviram falar de <span style="font-family: Calibri;"><span style="font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt;"><span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fela_Kuti" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">Fela Kuti</span></a></strong></span>?</span></span></p>
<p><strong><a href="http://noiz.com.br/2009/10/19/%e2%80%9cfela-e-uma-lenda%e2%80%9d/" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">&gt; Leia também &#8220;Fela é uma lenda&#8221;, por Juca Guimarães para o Groove Livre</span></a></strong></p>
<p>Se as histórias de sofrimento e as imagens do flagelo vivido no continente mãe da humanidade não foram suficientes para mobilizar uma real sensibilização e qualquer organização séria e consistente que planeje minimizar os danos que nós causamos aos “esquecidos”. A música, como sempre, diga-se de passagem, cumpriu o papel de irromper o tampão da ignorância ano após ano habilidosamente construído para bloquear nossos canais de comunicação e de compreensão da voz do outro. E o principal embaixador informal dessa missão super humanitária é um nigeriano chamado <strong>Fela Anikulapo Ransome Kuti</strong>.</p>
<p>Fela esteve neste planeta entre 1938 e 1997, mas a força da sugestão de sua obra inspira hoje a realização do evento mundial <strong>Fela Day</strong>. Quando, no dia 15 de outubro, pessoas do mundo inteiro celebram o nascimento de Fela Kuti. Graças à força de todos os santos, ou a boa vontade de gente que rala pra produzir festas boas. Os culpados, que neste caso é bom citar, são as festas <a href="http://www.myspace.com/festamakula" target="_blank"><span style="color: blue;"><span style="color: #ff0000;"><strong>Makula</strong></span> </span></a>e <span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://www.mucambo.org/quintessential/" target="_blank">QuintEssential Grooves</a></strong></span>, com o apoio da sempre guerreira <span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://radiogruta.com/" target="_blank">Rádio Gruta</a></strong></span>. Foram eles que promoveram a edição do Fela Day aqui no Rio. Mas para entender o que é o Fela Day e como ele aconteceu articulado em várias cidades do Brasil, nada melhor do que citar um trechinho do texto disponível no <a href="http://www.feladaybrasil.blogspot.com/" target="_blank"><span style="color: blue;"><span style="color: #ff0000;"><strong>blog</strong></span> </span></a>do evento: “A partir de Salvador, a comemoração chegou a outros estados, criando uma rede chamada Articulação Nacional Fela Kuti. Durante esta semana, grupos de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Brasília também promovem programas de rádio, saraus, shows, recitais, exposições e aulas sobre o nigeriano. A resposta foi imediata e ativistas de 8 estados apontaram positivamente para celebração, o que, sem dúvida, é um marco para expansão da música e do pensamento político do artista no país.”</p>
<p>No Brasil tive notícias de que o Fela Day aconteceu no Rio de Janeiro, na Bahia, Recife, Brasília, Cabo Frio, e São Paulo. Alguém sabe onde mais? Tive a sorte de presenciar o turbilhão que foi o Fela Day aqui no Rio e não me arrisco a tentar transpor em palavras a experiência daquela noite. Mas posso tentar minimamente apresentar algumas impressões. Respira fundo, e vamos lá! O primeiro acerto foi o local escolhido, o já batido bairro da Lapa (que MC Aouri, dos Inumanos, chama de LAboratório Pequena África) tem uma ligação histórica, filosófica e espiritual com os nossos ancestrais africanos. O que, na lógica de uma celebração como a proposta no Fela Day, fez todo o sentido. O espaço, Casa de Jorge, também é um ambiente agradável e, incrivelmente! Com som bom o bastante pra segurar a onda da banda. A banda, ah, a banda! Esse sim foi o grande trunfo. A banda do Fela Day, anunciada como a única banda de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Afrobeat" target="_blank"><span style="color: blue;"><span style="color: #ff0000;"><strong>Afrobeat</strong></span> </span></a>do Brasil, o que não é muito difícil de confirmar como verdade, foi formada por músicos de primeiríssima qualidade. Gente do quilate de Lucio Branco, Alexandre Garnizé e, encarnando o papel de Fela, Donatinho. Pra mim, que sempre escutei Fela através de fitas K7 e arquivos Mp3, foi um choque ver uma banda com gente de carne e osso tocando com precisão, até mesmo nos cacoetes, o som eternizado pelo povo de Lagos. O mais incrível foi perceber que aquela aura que está presente nos vídeos das apresentações de Fela, principalmente os filmados em Lagos, baixou com toda força dos arranjos recheados de metais, sintetizadores e com um baterista que emulava a presença de <strong>Tony Allen</strong> batucando firme na alma de quem se espremeu para dançar naquela noite de quinta. A troca de suor generalizada serviu para evidenciar até ao mais insensível o que se buscava ali no sentido da palavra celebração.</p>
<p>Perceber a força da música, que revela a potência de um sentimento, o espírito de um momento histórico vivido naquela periferia nigeriana onde Fela criou seu império particular, é vislumbrar uma maneira possível de reverter “a nova ordem mundial”. Nova no que diz respeito ao mundo Moderno, ditado pela agenda judaico cristã, esse mundo que se moldou depois da devastação racionalmente promovida da África. É perceber como é possível o terceiro mundo fazer o mundo inteiro girar diferente, mesmo que só por uma noite. Mesmo que só pela força da música.</p>
<p>O universo de Fela permanece circulando por aí, um viva ao Mp3! Em áudio e vídeo. Um dos melhores Dj´s do Rio, Dj Tamenpi, publicou em seu blog, <span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://sopedrada.blogspot.com/" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">Só Pedrada</span></a></strong></span>, um especial com discos de Fela. Eu recomendo a audição cuidadosa. E para quem quiser saber mais da história de Fela, existem por aí alguns bons documentários, posso citar de cara “Black President” e “<span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://www.blockbusteronline.com.br/item/98188/fela+kuti+music+is+the+weapon/" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">Music is the weapon</span></a></strong></span>” (esse se encontra até em locadoras populares), mas deve ter mais alguns escondidos por aí.</p>
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		<title>Cultura para uma melhor reflexão, de Morro Grande para o Mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 02:53:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[cineclube]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[visual]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotos: Cineclube Tupinambá O cinema pensado e feito nas periferias do Brasil é uma realidade e já consegue conquistar sua cara (que é plural como a diversidade das expressões de cada região). Prova disso é a inserção de filmes produzidos em oficinas e projetos sociais que conseguem se desvincular do estigma de “cinema de pobre” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Fotos: Cineclube Tupinambá<br />
</em><br />
O cinema pensado e feito nas periferias do Brasil é uma realidade e já consegue conquistar sua cara (que é plural como a diversidade das expressões de cada região). Prova disso é a inserção de filmes produzidos em oficinas e projetos sociais que conseguem se desvincular do estigma de “cinema de pobre” e conquistar novas fronteiras em mostras e festivais no mundo afora.</p>
<p style="text-align: justify;">O documentário “<em>Antes Que a Casa Caia</em>” é mais uma prova disso. Produzido no município de Araruama (Região dos Lagos, interior do estado do Rio) durante as Oficinas de Cinema Ambiental Humano Mar, acaba de receber o prêmio de Júri Popular na mostra de vídeo ambiental Mova Caparaó, em Alegre, no Espírito Santo. O filme expõe a situação do distrito de Morro Grande, área afastada do centro de Araruama, onde uma pedreira de mineração tira a tranqüilidade da população com agressivas e constantes explosões que provocam rachaduras nas casas e afetam a saúde física e psicológica dos moradores.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/10/tupinamba-1.jpg"><img class="size-full wp-image-1656 aligncenter" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;" title="tupinamba 1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/10/tupinamba-1.jpg" alt="tupinamba 1" width="512" height="362" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe Oliveira, morador de Morro Grande e um dos diretores do documentário, foi convidado pela produção do festival e teve a oportunidade de acompanhar a exibição do filme no belo Teatro Virgínia Santos. O filme foi exibido na sessão noturna de sexta-feira, e segundo Felipe: “A história de como a pedreira mexe na vida das pessoas sensibilizou tanto o público que eles acabaram votando no nosso filme”. Garantindo por escolha popular a conquista do Troféu Pico da Bandeira. E como será que a comunidade recebeu a notícia? Felipe responde: “O troféu já rodou Morro Grande! Já passou pela escola, pela creche&#8230; Formigão (um dos diretores do filme) ficou empolgado e saiu mostrando o troféu pra toda comunidade, que está muito orgulhosa com a vitória da gente”.</p>
<p style="text-align: justify;">E a razão do orgulho não é pouca, o Mova Caparaó é um dos mais importantes festivais de cinema com temática ambiental do Brasil. Uma iniciativa que há seis anos reúne na região serrana do Espírito Santo algumas das cabeças que pensam a relação audiovisual e meio ambiente, promovendo um intercâmbio de experiências e possibilidades de formação para a população da Serra do Caparaó.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">Paixão pelo cinema incentiva novas produções e organização popular</span></strong><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe e Formigão estrearam com a direção de “Antes que a casa caia”, mas a história deles com o cinema não parou por aí. Dois anos depois da realização do filme eles seguem atuando no cenário audiovisual como exibidores e produtores de novos filmes. Os dois fundaram o Cineclube Tupinambá, e junto com outros amigos de Morro Grande promovem exibições itinerantes por toda zona rural de Araruama. Além de exibir, o Cineclube Tupinambá também produz seus próprios filmes com muita criatividade e qualidade. A prova disso é o vídeo “De saco cheio!”, filme que usa do humor para mostrar em apenas dez segundos o que poderia acontecer caso a natureza reagisse às agressões humanas. O filme fez tanto sucesso que concorreu no famoso Festival do Minuto.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/10/tupinamba-3.jpg"><img class="size-full wp-image-1657 aligncenter" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;" title="tupinamba 3" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/10/tupinamba-3.jpg" alt="tupinamba 3" width="512" height="384" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E é através do cinema, exibindo filmes de bairro em bairro e tendo contato direto com a população que o Cineclube Tupinambá tem conseguido mobilizar a comunidade de Morro Grande. Estão acontecendo reuniões e encontros para debater as potencialidades e os problemas da região, incluindo a questão da pedreira.</p>
<p style="text-align: justify;">Saiba mais da história dessa galera lendo a conversa que tivemos com Felipe via internet.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: O que te levou a fazer a oficina de cinema ambiental humano mar lá em 2007?<br />
Felipe Oliveira:</strong> Vou fala a verdade eu nem sabia o que era oficina de cinema. Trabalhava no Colégio Municipal Honorino Coutinho na época e o diretor sabia que sempre fui participativo nas atividades desenvolvidas na escola e voltada para o meio ambiente e falou que me liberava caso eu fosse fazer o curso. Aí eu caí dentro e estou até hoje!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Legal, então foi meio por acaso?<br />
Felipe:</strong> É, na verdade a informação chegou através da secretaria de educação. Porque em Morro Grande mesmo ninguém sabia&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Depois de ter feito a oficina, o filme, como foi o impacto disso pra vocês?<br />
Felipe:</strong> Pô, depois da oficina e do filme eu passei a reparar tudo de um jeito novo, primeiro achando que tudo dá um filme&#8230; Achei também que terminando a oficina não iríamos estar tão envolvido com os projetos e hoje, dois anos depois, vejo que eu represento esse projeto que deu e está dando certo, pois o contato com a equipe Humano Mar fez Morro Grande mudar. Hoje somos conhecidos nacionalmente através do filme “Antes que a Casa Caia”, que mostra uma dura realidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: E como é que nasceu o Cineclube Tupinambá?<br />
Felipe:</strong> A criação do cineclube Tupinambá veio de conversas com essa galera nota 10 do Cineclube Mate com Angu e da Abaeté. Porque afinal não sabíamos nem o que era um cineclube. Hoje Morro Grande tem um referencial em Cultura e Lazer. O Cineclube Tupinambá vem exibindo filmes com a idéia de causar uma mudança Cultural e Educativa nas Comunidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Exibimos filmes duas vezes por mês: toda primeira quinta-feira do mês tem uma exibição fixa na Casa da Alegria, em Morro Grande, 2° distrito de Araruama (RJ) e a outra é itinerante e acontece nas comunidades de Morro Grande.</p>
<p style="text-align: justify;">Além das exibições o cineclube apóia a organização de eventos sem fins lucrativos, muitos deles voltados para área de educação. Por exemplo: comemoração do dia do Índio 19 de abril C. M .Honorino Coutinho; Festa de Carnaval Bairro Jardim Califórnia, Festa Dias das Crianças na Associação de Moradores Jardim Califórnia; Festa de Aniversario da ONG Bebedouro das Araras; Baile da Turma de Formação de Professores onde a renda vai ser revertida para formatura no final do ano de 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas são algumas iniciativas que o cineclube apóia com seu pequeno grupo e muita força de vontade. Pra saber mais, é só conferir as fotos no Orkut do Cineclube Tupinambá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Por que esse nome Tupinambá?</strong><br />
<strong>Felipe:</strong> Vou começar assim: em Morro Grande, 2°distrito de Araruama, está um dos maiores e mais importante Sítios Arqueológicos do Brasil e o único dentro de um Colégio Municipal. No ano de 2001 essa história veio à tona, e com o apoio da Prefeitura, o Colégio Municipal Honorino Coutinho Ficou conhecido internacionalmente pelo seu Sítio Arqueológico e pela sua história. Mas já diz o ditado “tudo um dia passa”, essa onda passou. Faltou incentivo para darem continuidade ao projeto de resgate da cultura Tupinambá. Hoje o Colégio já não é mais uma referência e a comunidade não reconhece a força dessa cultura Tupinambá, daí surgiu à idéia de colocar o nome do Cineclube de TUPINAMBÁ. Na idéia de criar uma identidade por ter nascido em Morro Grande, terra dos Índios Tupinambás.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/10/tupinamba-4.jpg"><img class="size-full wp-image-1661 aligncenter" title="tupinamba 4" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/10/tupinamba-4.jpg" alt="tupinamba 4" width="512" height="384" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Além de exibir vocês também produzem, fala um pouco das produções do Cineclube Tupinambá.<br />
Felipe: </strong>Começamos a produzir através das provocações feitas nas Oficinas Humano Mar, até mesmo para demonstrar a idéia que o cineclube Tupinambá tem em relação ao meio ambiente. Um grande detalhe é que a gente nem tem idéia da proporção de onde esses filmes podem chegar. E isso é mais Legal porque você poder passar uma mensagem com as suas idéias e ser aplaudido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: E qual a mensagem do Tupinambá?<br />
Felipe:</strong> Aqui em nossas exibições a gente usa um slogan: Cultura para uma Melhor Reflexão. A nossa mensagem é fazer com que essas pessoas tenham uma visão mais crítica das coisas ao seu redor, e assim o poder de avaliar o que é errado, ou o que está certo. A gente quer plantar uma semente&#8230; Queremos que essa galera que assiste nossos filmes pare e pense na suas ações de acordo com a mensagem que foi passada. É isso: Lixo no Rio, não pode!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Como foi ter participado do festival Mova Caparaó e ter trazido pra casa o caneco de campeão?<br />
Felipe: </strong>O Festival Mova Caparaó realmente foi espetacular! Vai fica marcado porque posso afirmar que não imaginava trazer o troféu, o Prêmio de Melhor Vídeo Ambiental Nacional. Pude ver a força que o documentário Antes que a casa caia tem, além de fazer amizade com cineastas que estão a anos na estrada, adquirindo informações valiosas na troca de idéias&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E realmente, a emoção maior foi na hora em que anunciou o filme vencedor! Antes que A Casa Caia em 1°lugar e eu lá, na platéia. Subi ao palco representando Morro Grande, Araruama, Rio de Janeiro, Brasil, Observatório Ambiental Humano Mar, Cineclube Tupinambá, Abaeté e deu tudo certo! Foi a nossa vez, e até hoje estou andando com esse troféu na mão mostrando pra galera (risos).</p>
<p style="text-align: justify;">Assista ao documentário: “Antes que a casa caia”:<br />
<a href="http://www.humanomar.com.br/filme-bau/antes-que-a-casa-caia"><strong>http://www.humanomar.com.br/filme-bau/antes-que-a-casa-caia</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;">Assista ao filme: “De saco cheio!”:<br />
<a href="http://www.humanomar.com.br/topico/de-saco-cheio"><strong>http://www.humanomar.com.br/topico/de-saco-cheio</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;">Saiba como foi o festival Mova Caparaó:<br />
<a href="http://www.humanomar.com.br/topico/cobertura-mova-caparao"><strong>http://www.humanomar.com.br/topico/cobertura-mova-caparao</strong></a></p>
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		<title>O samba japonês mais brasileiro de São Paulo</title>
		<link>http://noiz.com.br/novidades/o-samba-japones-mais-brasileiro-de-sao-paulo.html</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 03:22:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Curumin canta no Circo Voador]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Para quem mantém os olhos atentos e os ouvidos abertos, ou vice versa, a música brasileira vai muito bem obrigada. Noites como à do último cinco de setembro no <a href="http://www.circovoador.com.br" target="_blank"><strong>Circo Voador</strong></a> evidenciam o que já parece óbvio: vivemos um momento muito feliz. A música brasileira, popular por excelência e não pela sigla, navega no groove de uma conjuntura onde a tecnologia aliada a um bom senso que há muito não se via dialoga afinadinha com as raízes mais profundas da nossa cultura. Comecei a perceber tudo isso quando cheguei no Circo e os falantes da casa estavam domados pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Afrobeat" target="_blank"><strong>Afrobeat</strong></a> da galera da Makula, festa que com certa regularidade agita a night carioca, não deixe de conferir! Para quem ainda não sabe, Afro-beat é um som desenvolvido pelo famigerado <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fela_Kuti" target="_blank">Fela Kuti</a></strong>, músico nigeriano que muito antes de Obama já ostentava o título de <em>Black President</em>. Mas isso é história pra outro papo. Importante é registrar que a noite foi aberta não só com um, mas com os dois pezinhos sapateando bonito no ritmo de Fela.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_1292" class="wp-caption aligncenter" style="width: 570px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/2296953271_53ce7e4efa_o.jpg"><img class="size-full wp-image-1292" title="2296953271_53ce7e4efa_o" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/2296953271_53ce7e4efa_o.jpg" alt="Curumin ::: Por Nino Andrés" width="560" height="373" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Curumin ::: Por Nino Andrés</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">
<p>A Makula dominou a pista, ainda vazia infelizmente, até dez para uma da matina quando o trompetista/produtor/cantor  <a href="http://www.myspace.com/guizado" target="_blank"><strong>Guizado</strong></a> ocupou o palco com sua trupe: Marcelo Cabral (baixo), Regis Damasceno e Lúcio Maia (guitarras) e (pasmem/bolem!) Curumin na bateria. O show começou e eu comecei a acreditar que seria uma apresentação conjunta de Guizado com Curumim. E foi mais ou menos assim. Eu explico. Curumin foi o baterista no show do Guizado (dividindo a responsa rítmica com os beats eletrônicos). Essa foi a segunda oportunidade de <a href="http://www.guizado.com.br" target="_blank"><strong>Gui Mendonça</strong></a> (o Guizado) trazer um pouco do seu disco de estréia (Punx) para o Rio de Janeiro. O som tem tonalidades lisérgicas bem fortes, é uma grande viagem! Com intervenções cortantes do trompete, beat e bateria marcando firme e fraseados de guitarra com tom descompromissado (foi positivamente interessante assistir Lúcio Maria “jogando para o time”, atuando de maneira ainda brilhante, porém mais discreta do que de costume). O show contou ainda com a participação de Felipe S. encarnando uma versão meio rappeada de Discurso democrático, clássico de sua banda <a href="http://www.myspace.com/mombojo" target="_blank"><strong>M</strong><strong>ombojó</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Mudança de cenário. Saem todos os músicos menos <a href="http://www.myspace.com/curumin" target="_blank"><strong>Curumin</strong></a>, que permaneceu na bateria, assumiu também o microfone e recebeu seus dois parceiros, o baixista Lucas Martins e o percussionista digital Loco Sosa. O JapaPaulista abriu a apresentação com <em>Mal Estar Card</em> e seu inconfundível som de cavaquinho disparado de uma máquina de sampler. Na sequência <em>Samba Japa</em> e <em>Compacto</em>, música que na sutileza promoveu um dos momentos mais bonitos da noite, com todo mundo cantando junto e batendo palminha no tempo da música. Energia total! Coisa bonita mesmo sabe? Para manter a sintonia na beleza Curumin sacou <em>Cangote</em>, faixa do disco novo da cantora paulistana <strong><a href="http://www.myspace.com/ceuambulante" target="_blank">CéU</a></strong>, surpreendendo e arrepiando a platéia. “Cantei porque essa música é muito boa”, justificou. Tá certo!</p>
<div id="attachment_1298" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/2499053539_51e6bac07e.jpg"><img class="size-full wp-image-1298" title="2499053539_51e6bac07e" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/2499053539_51e6bac07e.jpg" alt="Curumin no Sesc Pompéia - www.flickr.com/durante" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Curumin no Sesc Pompéia - www.flickr.com/durante</p></div>
<p style="text-align: justify;">Durante o show ficou claro como Curumin gosta do que faz. O palco funciona como meio de troca com a platéia em uma dinâmica de subversão total do papel clássico do baterista (calado e à sombra dos front-men). Curumin toca bateria, cavaquinho, MPC, canta e interage com a platéia com a simpatia e habilidade de um verdadeiro MC. Ou seja, como se não bastasse fazer música da boa o cara ainda é sangue bom pra caramba! Gente fina e corajoso. Todos os sons foram levados ao palco em novas versões, recheadas de muitos ecos e a confirmação que Curumin, além do Sambalanço mais presente no primeiro disco, está cada vez mais se rendendo ao Dub e ao Afrobeat.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Kyoto</em>, um dos sons mais contundentes da noite, questionou o furor antiecológico da sociedade de consumo: “<em>This Babylon dance will murder us</em>”, sentenciou Curumin antes da música ser concluída com uma rajada disparada pela MPC. O conceito do álbum foi relembrado em <em>Japa Pop Show</em> e <em>Sambito</em> foi ironicamente transformada num reggae lentinho e gostoso de dançar juntinho (com direito a citação de <em>Extraphunk</em>, do Black Alien). Foi ai que Curumin pulou da batera (que passou a ser ocupada por Loco Sosa) e sacou seu cavaquinho para tocar <em>Guerreiro</em>, com direito à citação da letra: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão” em homenagem a Dicró, “que eu vi hoje cantando e vendendo CD´s pelas ruas do Rio”, explicou. O clima festivo continuou em alta com Magrela fever, que carregou a platéia com seu refrão empolgante.</p>
<p style="text-align: justify;">Lucas Santtana foi convidado para subir ao palco e cantar o seu “<em>Pretinho Legal</em>”. Subiu, ficou e lá do alto pode assistir uma homenagem a Michael Jackson, em uma versão inusitada, lentinha e simpática de <em>Beat it</em>. Guizado também é convocado e contribuiu com seu trompete para que <em>Caixa Preta</em> transformasse o Circo num Baile Funk dos bons (senti falta da presença de B Negão, que participa na música no disco). E a sequência final foi matadora com: <em>Tudo Bem Malandro</em> e <em>Cadê o Mocotó, </em>nocaute! Público rendido, caído nas graças do samba japonês mais brasileiro que São Paulo poderia produzir. É de pirar a cabeça, ou não é? No bis <em>Ministério Stereo</em> (com direito a citação de <em>Réu Confesso</em>, Tim Maia) e uma última provocação: “essa é lentinha, pra todo mundo voltar pra cama flutuando e de preferência bem acompanhado”.  Fechamento perfeito para uma noite maravilhosa, onde todos os sons foram escutados com beleza e graça, graças também aos técnicos e ao equipamento que promovem o som bonito e límpido do Circo Voador.</p>
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		<title>Tonho Crocco: noites de primeira às segundas-feiras</title>
		<link>http://noiz.com.br/entrevistas/tonho-crocco-noites-de-primeira-as-segundas-feiras.html</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 16:28:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[alternativo]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[tonho crocco]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia entrevista feita por João Xavi]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Multidões já cantaram em altos brandos que “<em>todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite</em>”. Dizem ainda que “<em>a voz do povo é a voz de Deus</em>”. Se estas duas afirmações são verdadeiras elas se complementam e eu, diante de tanta magnitude, as aceito de bom coração. Acredito de verdade que os embalos de sábado à noite tem mesmo um tempero em especial. Mas e de uma segunda-feira em pleno inverno carioca, o que se pode esperar?</p>
<p>Os termômetros que costumam pingar de suor apontavam desafiantes 14° graus, temperatura que inspira qualquer típico morador da Cidade Maravilhosa a se enjaular e permanecer debaixo das cobertas dentro da própria toca. Ignorei o frio, e devidamente encasacado parti em direção ao Cinematèque Jam Club. O bar no bairro de Botafogo foi, ironicamente, aquecido por um gaucho! Tonho Crocco é o nome do “heating” que devolveu ao Rio o calor à medida que a terrinha está acostumada.</p>
<p style="text-align: justify;">Tonho passou os últimos 17 anos atuando como cantor e compositor da Ultramen, banda com a qual realizou 5 discos e inúmeros shows. Com o fim da banda o vocalista mudou-se para Nova Iorque onde, sem planejamento prévio, acabou cometendo seu primeiro trabalho solo: Teto Solar. De volta ao Brasil, o gaudério não parou e segue ainda no estilo sem querer querendo colocando o nome no mapa e o som nas orelhas mais atentas.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/entrevistas/tonho-crocco-noites-de-primeira-as-segundas-feiras.html"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
<p>No show que fez aqui no Rio, Tonho apresentou toda (boa) nova safra de composições, não deixou de lado as faixas mais swingadas da época do Ultramen, clássicos do rock gaúcho como “Amigo Punk” e ainda recheou o set-list com versões de sons inusitados dos óbvios, porém inescapáveis, Rei (Jorge Ben) e Príncipe (Bebeto) do Samba-rock. A celebração ocorreu em tão alto-nível que acabou inundando a pista do modesto Cinematèque de uma energia pra lá de positiva. Resultado: cariocas, gringos e gaúchos (boa parte do público presente) dançaram até o termômetro e os pés dizerem chega! Voltei pra casa de coração satisfeito, sorriso aberto e uma imensa sensação de alívio que só me permitia pensar: _ Puta que pariu! Ainda bem que saí de casa nesta noite!</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns dias depois reencontrei Tonho Crocco no Clandestino, clube onde faria um DJ-set, e numa típica conversa de boteco Tonho falou dos tempos de Ultramen, das peripécias para sobreviver em Nova Iorque, do impacto da viagem em seu novo trabalho, Fela Kuti, Baben Powell&#8230; Ficou curioso? Puxe uma cadeira, peça uma bebida e acompanhe o bate-papo.  Um brinde ao bom som, Saúde!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Pra começar do começo, como foi a sua história com a música? Antes de ter a primeira banda, de fazer música, como a música chegou pra você?<br />
</strong>TONHO CROCCO :: Resumão, né? Eu queria ser desenhista, minha piração era o desenho. Ai minha mãe viu o meu dom artístico e me botou numa aula de iniciação de música.  Eu comecei a aprender flauta doce no colégio mesmo.  Depois eu entrei no coral do colégio, isso eu tinha 12 anos de idade, era mais ou menos 1984. Foi só com 16 que eu comecei aprender a tocar violão e gaita de boca, tudo ao mesmo tempo em Porto Alegre. Minha mãe viu que eu gostava de arte em geral, mas daí quando eu comecei a ter aula de música eu abandonei o desenho e veio isso tudo: flauta doce, gaita de boca, violão. Aos 18 anos eu entrei no Ultramen, foi minha primeira banda. E aí seguimos o baile&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Ouvindo a Ultramen eu sempre me liguei que havia duas linhas no seu trabalho vocal. Rolava a coisa de MC e de cantor, o que não é muito comum por aqui. Como era trabalhar nessas duas direções?<br />
</strong>TC ::<strong> </strong>Difícil, né cara? Geralmente o cara que canta não sabe improvisar, pode até cantar um RAP, mas de repente não tem os trejeitos, não tem aquela desenvoltura. Eu fui aprendendo violão, as músicas fácies pra tocar no violão, Raul Seixas, Os Paralamas&#8230;sei lá! E ao mesmo tempo meus amigos assim:  “Bah! Ouve isso aí, tem que ouvir a novidade que é o RAP. Tu já ouviu isso ai? Thaíde, Racionais, MC Jack?” Tinha aquela coletânea em vinil O Som das Ruas, né? Os Metralhas, essa galera de SP. E lá no Sul também tinham uns grupos&#8230;<br />
As músicas de RAP geralmente são batida e voz, não dá pra tocar no violão. Mas ao mesmo tempo, que eu estava aprendendo música clássica, teórica, melodia, comecei a aprender uma coisa que não existia em nenhum lugar, só na rua ou pra quem tava comprando os vinis e gravando as fitinhas K7. Ai eu comecei a decorar as letras, depois fazer minhas letras e só depois comecei a improvisar. Foi uma longa história e é um diferencial também. Eu tenho certeza disso. É mais raro ainda músicos que cantam, sabem improvisar, rappear, né? E ainda compõem e tocam um instrumento. Eu sempre curti esse lado, sou um cara que estudou leitura musical. Posso demorar três horas mais eu tiro toda partitura ali, tenho consciência disso, mas eu acho que isso se deve a um estudo. E foi prazeroso pra mim, não foi ruim aprender música. Tem uns que acham um saco estudar, eu acho bacana aprender, estudar música. Seja ela mais clássica ou de rua.</p>
<p><strong>NOIZ ::: Como foi a vivência com o Ultramen, essa história de 17 anos de banda trilhando um caminho meio independente?<br />
</strong>TC :: 17 anos sem ter estourado, né? Na verdade, estourou quando o Falcão (O RAPPA) participou da “Dívida”. E ai a banda acabou. Vou começar pelo fim, né? A gente parou na hora certa, a gente parou quando tava lá em cima e quando a coisa começou a rolar demais até. Mas no começo foi minha primeira banda, eu tinha 16, 17 anos, e a banda foi tocar ao vivo só um ano depois. A gente começou amigos e terminamos amigos. Começamos juntos e terminamos juntos. Foi do caralho, foi lindo, 17 anos, 5 discos autorais. Independente a gente não era, mas a gente sempre esteve em gravadoras independentes. Foi o caso da Rock It (selo de Dado Vila Lobos), A Sum Records, a Antídoto lá de Porto Alegre. O “Acústico das Bandas Gaúchas” da MTV sim foi lançado pela Sony, e ai que a coisa começou a ficar estranha. A gente, claro, sempre quis mais, almejou sonhos e teve planos. Mas a gente foi muito feliz nestes 17 anos. Acredito que hoje em dia é possível sim viver no Brasil sendo um bom músico e não estando na mídia, mas tendo as pessoas certas ouvindo seu som e indo no seu show. Porque o grande resumo é esse, né? É a pessoa que ouve tua música, seja gravação ou ao vivo. Estes são os dois jeitos, não tem como cheirar a música ainda. E nisso a Ultramen fez tudo certo, a gente fez bons shows, gravamos bons discos tomando muito cuidado com a sonoridade, e acho que a galera respeita muito a banda por causa disso.</p>
<p><strong>NOIZ ::: Lendo aquele livro “<em>Gauleses Irredutíveis – Causos e atitudes do Rock Gaúcho</em>”, fica claro que existe uma tradição forte de rock no estado, mas a Ultramen sempre foi mais do que uma banda de rock&#8230;<br />
</strong>TC :: Esse é mais outro trunfo da gente. Na época que todo mundo tava fazendo rock gaúcho, só uma breve explicação, os anos 80 foi o último grande boom do rock brasileiro e o RS entrou com bandas como Engenheiros do Havaí, Nenhum de Nós. Coisas boas também como De Falla, TNT, Cascavelhetes, Garotos da Rua, um monte de gente! Mas depois nos anos 90 parece que nada aconteceu. A gente sempre ouviu essas bandas, mas não queria ser que nem eles. Elas continuam num lugar sagrado pra gente.<br />
O gaúcho parece um pouco com o argentino por ter uma relação de loucura com o rock! Coisa que não tem como explicar. Talvez por ter uma colonização mais européia, e menos miscigenada como o resto do Brasil. Mas a gente tentou fugir um pouco disso. Eu gostava, mas não queria fazer rock gaúcho. O próprio Cachorro Grande hoje em dia é Beatles e Stones. Mas se os gringos têm Lenon e Mac Cartney a gente tem Vinícius e Tom. A gente (a Ultramen) começou a ouvir Tim Maia, Jorge Bem, sambas gaúchos como Lupicínio Rodrigues, Luis Vagner, Pau Brasil, Bedeu, muito reggae, coisas que nenhuma banda até então tinha feito, assim da forma como a gente fez. O próprio Luis Vagner foi o primeiro a gravar reggae no Brasil, eu acho. Mas a gente misturou tudo isso, até com rock gaúcho a gente misturou e isso foi o nosso diferencial: fugir um pouco de tudo que é padrão pra galera daquela época e daquele lugar.</p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: O Ultramen flertava com rock mais pesado, e no teu disco já é outra onda&#8230;<br />
</strong>TC ::<strong> </strong>É&#8230; não tem nada! A Ultramen já tinha feito rock e reggae suficiente e eu achava que faltava mais brasilidade na banda. Não ser mais gaúcha ou mais carioca, mais Brasil! Outro motivo é que eu fui pra Nova Iorque e fiquei mais brasileiro ainda, aprendi a gostar e compor mais sobre o meu chão, sacou? Daí eu não senti a necessidade de colocar as influências que a Ultramen já tinha usado.<br />
Tu ouviu o disco? Na “Abre-alas” eu resolvi ir pro lado mais assim Afro-Beat. As bandas de Nova Iorque estão tudo fazendo assim também, o Budos Band que faz Funk instrumental também, o Antibalas&#8230; tem uma galera! E nas outras músicas eu vejo que tem ali Cartola, como em “Quadratura” que é uma parceria minha com o Zé Luis, um compositor carioca foda! Tem uma coisa meio João Bosco ali no “Galo de Briga”, aquela coisa meio chulé e não tão polida como ele é hoje, antigamente ele era mais roots, mais sujo, não como é hoje&#8230; eu amo o cara, e prefiro a fase antiga.<br />
Mas antes que tu fale eu vou falar mal, a última música do disco (um remix de “Abre-alas”) não é exatamente o meu tipo de música, mas eu achei bacana fazer isso também. Fiz isso pra deixar a galera brava mesmo, botei um remix meio House de um cara chamado Chris Penny, que é de Chicago, onde nasceu o House. E eu botei também pra quebrar isso, era outra coisa que a Ultramen nunca tinha feito, uma música totalmente eletrônica. Sempre tinha baixo, guitarra, bateria, teclado, percussão e DJ. Mas nunca batida eletrônica. Eu resolvi botar pra sacanear mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Eu realmente senti maior estranheza quando ouvi&#8230;<br />
</strong>É a pior do disco, mas eu prefiro falar mal antes dos outros falarem&#8230; (risos)<br />
E como foi essa história de ir pra Nova Iorque e fazer as coisas por lá? Você trabalhou com uma galera boa por lá, conta aí.<br />
Bom, a banda parou depois de 17 anos e a gente terminou amigavelmente mesmo. E daí cada um foi pra um lugar do mundo. Um foi pra Irlanda, outro pra São Paulo e eu fui parar em NY. Fiquei curtindo, vendo show, show de graça e pago, Central Park todo dia&#8230; era verão, né? Comecei a compor sem parar, muitas idéias, coisas, letras, foi uma abertura de portas, percepção, pessoas. Estudei inglês, morei com um negão americano, dividi o quarto com ele no bairro do Brooklyn, que em alguns aspectos é bem parecido com o Brasil. Eles também têm um swing, uma malandragem como tem aqui. E não é uma coisa agressiva, as pessoas que interpretam mal. Eu era bem recebido pela comunidade afro-americana e latina, os chineses também, sem menor preconceito. As pessoas olham no teu olho e veem qual é a sua.<br />
Eu tava tocando num buteco ai veio um cara e me apresentou o Simon Katz, rolou aquela coisa de muito prazer e tal&#8230; ele me convidou pra ir na casa dele, mostrei as músicas e decidimos gravar. Ele me apresentou o Zé Luis Oliveira (saxofonista carioca). Daí nós gravamos o disco, mixamos, tudo lá&#8230; Havia uns músicos que já tocavam comigo nos botecos, e a outra metade foi músico de estúdio. Sabe rato de estúdio? Ele vem aqui, cobram barato, pega rápido, a gente faz três takes e edita. Ai beleza. Fizemos tudo meio na brodagem, a mixagem foi no Legacy, estúdio que todo mundo grava: The Roots, Erika Badu. Tudo na brodagem.  Sabe? aquela coisa? Sobrou uma horinha, a gente ia lá e mixava&#8230; os caras deram uma força, sei lá por que, vai ver gostaram do meu rostinho (risos) E resolveram me ajudar, eu não esperava por isso, não pedi isso e não fui lá pensando em gravar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: E depois que você voltou com o EP pronto, ta fazendo alguns shows por ai, no Sul, no Rio, como que ta rolando isso?<br />
</strong>TC :: Quando eu voltei pro Brasil em novembro eu já comecei a tocar em barzinho tanto as músicas do Ultramen como as minhas músicas novas e também alguns covers, que eu nem escolho, eu decido na hora e toco desde Cartola a Tom Jobim. Quando cheguei mandei logo prensar o meu EP com esses sons que gravei em Nova Iorque, porque eu não sou bobo, né? Mandei prensar em SMD, que é aquele formato que tem que vender a R$5. O disco chegou tem algumas semanas e já vendeu quase mil cópias. Independente. As rádios que estão tocando são as que não cobram jabá e pra minha surpresa elas são muitas. Estou admirado com a quantidade de pessoas de rádio que estão recebendo bem a minha música. Gravei um clipe com a direção do Pedro Furtado, que é filho do Jorge Furtado e ator, roteirista. E o bagulho não parou, estou aqui agora tocando no Rio. Por enquanto está rolando mais no Sul, mas já fiz alguns shows em Santa Catarina e agora estou aqui no Rio. Cara, eu voltei pro Brasil em novembro e já aconteceu coisa pra caramba! Eu acho que estou indo muito rápido até, inclusive. Se eu fosse esperar para lançar um disco nada disso teria acontecido. Por isso eu fiz um EP mesmo com essas cinco músicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Você prensou cinco mil cópias do EP, não é meio loucura prensar tanto assim de uma vez?<br />
</strong>TC :: Prensei cinco mil e já to preocupado porque de repente eu tenha que prensar mais cinco. Sério cara, vende muito rápido porque o preço é justo e honesto. Eu tenho certeza que as pessoas pensam que nem eu nesse aspecto, porque eu sou tricolor, sou gremista, então tem muita gente que não pensa como eu futebolisticamente. Falando sério: acho que as pessoas querem ter o CD original do artista. Se elas puderem pagar R$5 elas vão pagar, o que não pode é isso ai: gravadora, lojista ganha pra caralho, que nem livreiro, né? Ou então, filhos da puta de rádio jabaculenta que ganham vários mil reais por mês pra tocar música americana ou as brasileiras jabaculenta, ou pagando pra não tocar os concorrentes deles. O que é pior ainda. Olha o que é a arte e as rádios no Brasil hoje. Mas temos exceções, graças a Deus.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Nessa doideira de viver na música eu sei que você também ataca de DJ, nas carrapetas, o que você toca?<br />
</strong>TC :: Ah, esqueci de falar. Um dos empregos que eu tive em Nova Iorque era o de DJ num bar/restaurante chamado Miss Favela, um nome meio parecido com o Favela Chic e tal. Essa coisa de DJ eu já fazia no Brasil, mas lá eu comecei a fazer por necessidade. O pessoal precisava de um DJ que tivesse um acervo de música brasileira, mais um motivo pra minha música ficar mais brasileira. Eu tocava com tudo, vinil, CD&#8230; porém no set que estou fazendo na turnê aqui no Rio eu tenho posto um pouquinho de Afro-beat, as bandas que te falei, a Sharon Jones, pessoal do Deep Kinds, Sean Kuti, Fela Kuti, Antibalas, Budos Band. Muito reggae roots clássico tipo Gregory Issacs, Sly &amp; Robbie e coisa nova também tipo Canaã, que é um rapper de Nova Iorque que eu gosto pra caralho e também música brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Pra fechar, a última pergunta por que você já deve estar de saco cheio&#8230;<br />
</strong>Que nada, to adorando! Só pra registrar pra história: estamos aqui, sexta-feira, dia 24 de julho de 2009, na rua Barata Ribeiro, Bar Clandestino 111 em Copacabana, Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: E o DJ Tamenpi toca o remix de Tim Maia Racional&#8230; pô, e no teu show, além de tocar Jorge Ben, “Era uma vez um aposentado Marinheiro”, que é uma faixa meio lado B você também tocou Bebeto, que é  meio deixado de lado às vezes&#8230;<br />
</strong>TC :: Pois eu adoro! E tem outro motivo que é também a explicação porque o Bebeto faz muito sucesso no Rio Grande do Sul porque os maiores hits clássicos do Bebeto são composições do Bedeu, do Alexandre, do Luis Vagner ou do Leleco Teles. É só tu pegar ali nos vinis e acompanhar quem são os atores. O Bebeto deu uma força pra estes caras nos anos 70. Então é por isso que eu gosto pra caramba e o RS gosta do Bebeto, por ele ter dado essa força pros caras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Pra fechar de verdade, pra quem vai esbarrar com o Tonho Crocco pelas pistas, pelos shows, o que pode esperar dessa nova aventura?<br />
</strong>TC :: Bom, cara. Acho que a galera vai poder me ver dando canja ai pela noite, atacando de DJ ou de MC também. Mas eu espero que todo mundo veja o resultado ao vivo desse trabalho, que não é só esse EP, são 18 anos tocando na noite e peço que todo mundo tente conferir pra ver qual é a minha verdade e minhas limitações. Ver como tudo pode funcionar com fluidez, independente de estilos, estados, fronteiras, territórios, norte, sul, leste, oeste.  Gaucho, carioca, nordestino, paraibano&#8230; tentar mostrar do meu jeito, meu proceder, a música ao vivo e as gravações pro cara poder degustar as letras. Mesmo falando coisas boas ou más, essa é a minha verdade mesmo.</p>
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		<title>MISTER MADUREIRA: o mush-up analógico e pré-histórico de Jorge Ben</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 18:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
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		<category><![CDATA[joão brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[mush-up]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<div id="attachment_767" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/jorge_ben_circo_voador_joao_xavi1.jpg"><img class="size-full wp-image-767      " title="jorge_ben_circo_voador_joao_xavi1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/jorge_ben_circo_voador_joao_xavi1.jpg" alt="Jorge Ben em show no Circo Voador por João Xavi" width="460" height="347" /></a><p class="wp-caption-text">Jorge Ben durante show no Circo Voador por João Xavi</p></div>
<p style="text-align: justify;">Vocês estão ligados numa técnica de produção sonora que chama mush-up? Pois bem, essa nova onda entre os Dj´s e produtores mais descolados consiste (a grosso modo) na junção de duas ou mais músicas que, devidamente picotadas e re-coladas, geram uma nova faixa. Posso citar João Brasil e o americano Girl Talk como dois grandes expoentes desta técnica. Para realizar seus trabalhos estes produtores utilizam modernos softwares e plataformas digitais de áudio. Resultado: uma infinidade de possibilidades para a mistura de músicas para a fabricação de novos sons. A tal reciclagem sonora.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto posto, posso agora relatar minha descoberta do óbvio. Foi preciso comparecer a mais um (já perdia conta de quantos foram) show de Jorge Ben para constatar que o tal do mush-up é realmente muito bacana, mas que não é novidade coisíssima nenhuma. Jorge Ben já pratica essa técnica há tempos, não sei precisar quanto, mas o bastante pra afirmar que o cidadão de Madureira é o pai e o mestre da versão mais antiga do mush-up, a analógica.</p>
<p style="text-align: justify;">O formato atual dos shows de Ben pode ser resumido como: uma longa lista de hits cantados em coro pela multidão e tocados em seqüência pela aventureira Banda do Zé Pretinho. Ok, beleza. E onde fica o tal do mush-up nessa história? Simples, cumpadi! O mestre faz como os produtores: ele se apropria de sucessos (composições de sua própria autoria, e mais no final do show marchinhas e o indispensável hino do Flamengo) e os resignifica conforme os executa em seqüências inusitadas, modificando ritmos e modulando arranjos. É tudo feito no palco, ali na hora, surpreendendo não só a platéia, mas também a banda, que não a toa classifiquei como aventureira. Mais do que cantor ou guitarrista (a guitarra que gerou tanta polêmica no passado, hoje fica de lado durante boa parte do show) Jorge Ben atua como maestro. É um tal de “só a cozinha!”, “piano play!”, “bass play!” e os músicos, como bom cúmplices, vão entrando na onda e refazendo as músicas a cada intervenção do <em>band leader</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem roteiro ou set-list prévio, Jorge segue ao longo de anos praticando essa reconstrução de sua própria obra ao vivo. No peito, na raça e no talento. Com sensibilidade, ritmo, muito ouvido e sem auxílio da tecnologia. Eu, que muito admiro os produtores de mush-up, pude aprender nesta última sexta-feira que as formas de se criar e executar a música ganham diferentes nomes e significados. Mas que a inventividade (independente da inscrição da música no Tempo/História) ainda é o grande atrativo para os ouvidos mais sedentos do bom néctar auditivo e dos corpos adeptos da sagrada tradição do rebolado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sei se isso tudo é só viagem, ou se todo mundo percebe essas coisas. Mas no fim das contas o povo chega juntinho no show e responde balançando o corpo, jogandos os braços e abrindo incontáveis sorrisos. Jorge Ben consegue a façanha de ser moderno e popular. Complexo e facilmente digestível. Tudo ao mesmo tempo, e agora! Alias, outro bom resumo da noite (talvez mais interessante que esse blá blá blá teórico) é: o show é uma dose cavalar de energia. Aprecie sem moderação e sempre que possível. Salve simpatia!</p>
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