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	<title>Noiz &#187; Entrevistas</title>
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	<description>Noiz Cultura Urbana</description>
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		<title>AXL lança clipe de “É Noiz!”</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 17:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Nóiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[MC do Vale do paraíba, interior de São Paulo, lança clipe da faixa mais comentada de sua badalada mixtape, Caos Pessoal. Por: Iuri Salles AXL, o MC de Jacareí já desponta como uma da maiores promessas do rap nacional e isso se deve a carreira bem trabalhada e pelo seu talento. O MC com apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>MC do Vale do paraíba, interior de São Paulo, lança clipe da faixa mais comentada de sua badalada mixtape, Caos Pessoal.</em></p>
<p><strong>Por:</strong> Iuri Salles</p>
<p>AXL, o MC de Jacareí já desponta como uma da maiores promessas do rap nacional e isso se deve a carreira bem trabalhada e pelo seu talento. O MC com apenas 20 anos é fundador da &#8220;Rua do Flow&#8221; que é uma das festas que ajudam a cultura Hip Hop se manter viva além dos nossos corações. AXL é o único artista além de Emicida a integrar o selo Laboratório Fantasma e, para confirmar que sua carreira anda a passos firmes, escolheu a faixa &#8220;É Noiz!&#8221;, para estrear com exclusividade em nosso site.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/entrevistas/axl-lanca-clipe-de-%e2%80%9ce-noiz%e2%80%9d.html"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
<h3><strong>Ficha Técnica:</strong></h3>
<p><strong>Música:</strong> É Nóiz!<br />
Mixtape Caos Pessoal<br />
<strong>Roteiro: </strong>AXL<br />
<strong>Direção:</strong> Dirtyground Produções<br />
<strong>Direção de Fotografia:</strong> Dirtyground Produções<br />
<strong>Câmera:</strong> Jean Furquiom &amp; João Gustavo<br />
<strong>Edição: </strong>Jean Furquim</p>
<p><strong>Confira a entrevista que o Site NOIZ fez com o AXL:</strong></p>
<p><strong>NOIZ: Você é integrante do selo Laboratório Fantasma, que tem como um de seus lideres o MC de maior destaque no rap nacional atual, Emicida. Você acredita que isso gera algum tipo de preconceito ou desmerecimento do seu trabalho? </strong></p>
<p>AXL: Preconceito ou desmerecimento não, muito pelo contrário &#8211; se você faz parte de um grande selo é por merecimento e reconhecimento do seu trabalho. É preciso manter o nível, então gera um tipo pressão. Me sinto muito a vontade em trabalhar com o Laboratório, é um aprendizado enorme estar ao lado do Emicida e sua equipe. Juntando essas forças nosso potencial é gigantesco.</p>
<p><strong>Porque a música &#8220;É Noiz&#8221; foi a escolhida para o clipe?</strong></p>
<p>A “É Nóiz!” é o primeiro single da mixtape, tem um grande aceitamento nos shows e é a música que vem fazendo mais barulho, nada mais justo.</p>
<p><strong>Qual é sua ligação com a Rua do Flow e quais são os novos projetos para ela?</strong></p>
<p>A Rua do Flow volta agora em 2011, com o formato das últimas festas. Idealizei e fundei a Rua do Flow ao lado do Caique Caene. O objetivo agora é expandir, a festa virar um festival, a equipe trabalhar no formato de um selo, afinal a Rua do Flow é ligada ao meu nome. Assim como temos a parceria com o Laboratório, a intenção é aumentar os leques da firma.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Arte_impressao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5771" title="Arte_impressao" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Arte_impressao.jpg" alt="" width="475" height="317" /></a></p>
<p><strong>Quem produziu o clipe? E aonde foi filmado?</strong></p>
<p>O clipe foi produzido pela “DirtyGround!” (uma produtora ligada mais aos vídeos de skate, mais que vem se destacando aqui no Vale), a maioria das cenas são em Jacareí e São José dos Campos. E a participação do Emicida no clipe foi gravada em São Paulo.</p>
<p><strong>Quais foram as mudanças do EP <em>Curta Metragem</em> em relação a mixtape <em>Caos Pessoal</em>?</strong></p>
<p>Amadurecimento, tanto na questão do que abordo nas letras até na minha postura em estúdio. Curta Metragem foi minha primeira experiência, agora na mixtape consegui entrar mais na atmosfera do “Caos Pessoal” e até mesmo na forma de trabalhar as metas, divulgação, vendas.<br />
Curta Metragem foi uma fase, Caos Pessoal outra: a evolução é necessária, os dois trabalhos ainda me ensinam muito.</p>
<p><strong>O que você tem a dizer sobre a mix <em>Caos Pessoal</em>?</strong></p>
<p>Estou colhendo ótimos frutos com ela, estamos chegando à tiragem de 4.000 cópias. Em Jacareí vendemos muitas mixtapes por dia no centro, e essas intervenções vão ser realizadas em várias cidades do Vale e Capital. Conhecendo bastantes pessoas e lugares, trabalhando com quem admiro e o clipe é mais um passo. O reconhecimento coloca em palavras o que eu sinto.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2011/01/166327_124963227570580_100001707117384_157038_5084518_n.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-5773" title="166327_124963227570580_100001707117384_157038_5084518_n" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2011/01/166327_124963227570580_100001707117384_157038_5084518_n-490x326.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Fale um pouco sobre a sua trajetória no rap, desde quando você decidiu cantar rap?</strong></p>
<p>Em 2004 começou a chegar às informações sobre as batalhas de Freestyle, eu fazia graffiti e a gente ficava rimando na rua, arrumamos um espaço em casa, aprendemos a gravar a voz e montamos nossa “Liga dos Mc’s”. Foi aumentando meu interesse para além do Freestyle, comecei a prestar mais atenção e conhecer muita coisa. Lembro que o Quartã já vinha com a ideia de montar um grupo, correu atrás do FL e alguns programas de gravação, e um dia achou uma letra minha escondida em um caderno, pediu pra eu rimar e logo depois me chamou pro grupo Incognitivos. Montamos um home-estúdio, gravamos muita música, a intenção era lançar um álbum. Em 2006, o grupo acabou as ideias tomaram caminhos diferentes. Começamos as atividades da Rua do Flow, entrei em estúdio e em 2008 lancei meu primeiro trabalho, o EP Curta Metragem. Vi de perto muita coisa acontecer em 2009 aprendi muito, lancei o single de transição dos trabalhos, “Uma Lágrima” e começamos as preparações pra mixtape <em>Caos Pessoal</em>.</p>
<p><strong>O que você projeta para o AXL daqui um ano?</strong></p>
<p>Continuar fazendo e vivendo música, cada vez mais e colher os frutos do trabalho.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2011/01/IMG_53611.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5770" title="IMG_5361" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2011/01/IMG_53611.jpg" alt="" width="475" height="317" /></a></p>
<p><strong>Quem participa da mixtape <em>Caos Pessoal</em>? E a propósito, qual o motivo do nome?</strong></p>
<p>Na produção, assinam as faixas o Laudz, Skeeter, Caene e o Dö, a mixagem e masterização ficaram por conta do grande Luiz Café. Caos Pessoal é uma fase, e tem toda uma atmosfera por trás desse trabalho, não há nenhuma participação no microfone, tudo feito no meu tempo. Tudo que aconteceu durante o processo foi direcionando as letras (rotina, preocupações, pensamentos, riscos, relacionamentos, noites em claro). “Caos Pessoal” é o “caos” das ruas, do mundo, da vida em todos os seus momentos e o “pessoal” é minha visão de tudo isso, meus comportamentos, meu caos particular. Os temas e sentimentos se resumem a isso, com certa particularidade em cada, mais se encaixando em um todo.</p>
<p><strong>E o que o seu público pode esperar para o ano de 2011, quais são os projetos?</strong></p>
<p>Ainda estamos trabalhando a mixtape Caos Pessoal além do clipe da “É Nóiz!”, outro clipe será lançado. Desde novembro de 2010 estou em estúdio produzindo um próximo trabalho, que não será o único desse ano. As festas da Rua do Flow voltam com força total entre Março e Abril. Em breve, iremos vamos divulgar&#8230; 2011 é o ano do trabalho!</p>
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		<title>CASP na Final da Liga Dos Beats</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 13:43:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Nóiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entrevista e fotos por: Luciana Faria O produtor/designer paulistano passou pelo graffitti, se inspirou no irmão e acabou conquistando espaço e reconhecimento no hip hop aos 23 anos de idade Pra quem não te conhece, se apresente. E como surgiu o apelido “Casp”? CASP . Bom dia, boa tarde, boa noite à todos. Pra quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Entrevista e fotos por:</strong> Luciana Faria</p>
<p><em>O produtor/designer paulistano passou pelo graffitti, se inspirou no irmão e acabou conquistando espaço e reconhecimento no hip hop aos 23 anos de idade</em></p>
<p><strong>Pra quem não te conhece, se apresente. E como surgiu o apelido “Casp”?</strong><br />
CASP . Bom dia, boa tarde, boa noite à todos. Pra quem não me conhece, meu nome é Carlos Eduardo, tenho 23 anos, não sou formado em Design mas trabalho bastante com isso, e sou de São Paulo. O nome Casp surgiu em 2005, quando comecei a fazer Graffiti. Simplesmente queria algum nome que tivesse “C”. Casp não tem nenhum significado em especial, mas espero arranjar uma sigla pra ele antes de morrer.</p>
<p><strong>A pergunta inevitável: como surgiu seu interesse em fazer beats?</strong><br />
Surgiu da necessidade de fazer música. Desde pequeno cresci rodeado de música &#8211; meu irmão é baterista e sem querer me influenciou muito. Hoje quero aprender teclado, mas já procurei alguns instrumentos pra aprender a tocar, e não me identifiquei com nenhum. Não ia pra frente, era meio preguiçoso, mas a barulheira não saía da minha mente, e produzir beats foi o refúgio pra isso. Sempre fui de inventar músicas inteiras na cabeça, meio que coisa de louco mesmo, e em 2003 conheci o [programa] Fruity Loops, aprendi a mexer mas nunca produzia nada. Só comecei a produzir minhas próprias bases em 2007.</p>
<p><strong>Quais programas usa pra produzir?</strong><br />
Atualmente uso o Reason 4, e Recycle.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_4437-1.jpg"></a><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_4458-1.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-5294" title="IMG_4458-1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_4458-1-490x326.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Você vem se tornando uma referência aqui no Brasil, dos beatmakers que produzem a maior parte dos instrumentais sem utilizar samples. Sempre foi assim, ou você foi parando de usar samples gradualmente? E porque decidiu fazer mais beats 100% tocados?</strong><br />
Não, antes eu usava só samples. Na verdade, não fui parando porque ainda uso &#8211; pouco, mais uso. Decidi fazer 100% tocado pela necessidade de fazer algumas coisas partindo do zero, porque tem todo o lance da construção musical, você precisa educar os ouvidos pra poder fazer, foi um desafio pra mim. E como disse, às vezes vem umas bases completas na cabeça, mas nunca encontrava um sample que ficasse exatamente como imaginava, então a saída pra isso foi começar a fazer tudo tocado. Mas, mesmo assim, o sample é uma característica que não pode ser perdida nunca.</p>
<p><strong>Você acha que essa é uma tendência, dos beatmakers estarem usando menos samples e criando mais suas próprias harmonias? Ou isso ainda é uma característica não tão comum?</strong><br />
Não acho tendência, por que tendências somem com o tempo, não duram. Criar harmonias é algo que faz parte da música, e o rap como música, logicamente não pode ficar fora disso.</p>
<p><strong>Quem são seus produtores preferidos e/ou maiores influências (daqui e de fora também). Porque você se identifica com eles?</strong><br />
Minha influência principal é o J-Dilla. Eu ouço tudo, procuro ouvir o que seja versátil pois é isso que procuro, até coisas que saiam do lance do Rap, tipo Max de Castro, Curumin, Damien Seth &#8211; acho muito profissional a parada dele. Tem também Kanye,<br />
Black Milk, Samam, Nave, não vai caber tudo aqui se eu falar.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Imagem-294.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-5292" title="Imagem 294" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Imagem-294-490x326.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Além de produzir, você é também designer. Você encara essas duas atividades como profissão e com a mesma seriedade ou se dedica mais a uma delas? Acredita que é possível viver apenas da venda de instrumentais aqui no Brasil?</strong><br />
Se eu não encarar as duas como profissão, vou morrer de fome. Lógico que na produção de beats tenho muito o que me profissionalizar, me considero um bebê ainda nessa parada. Por isso estou me matriculando em cursos relacionados. Acho possível viver de venda de beats porque hoje eu vejo que tem pessoas vivendo disso, e a tendência é melhorar.</p>
<p><strong>Com quem você já trabalhou até agora, com quem tá trabalhando e quem gostaria de produzir?</strong><br />
Pela ordem cronológica, trabalhei com o Primeira Função, Emicida, Timm Arif, tem o Manno Rah que faz rap gospel, o Rick, ex-membro do Simples e o Savave. Atualmente estou trabalhando com o Emicida, Renan Samam, Kamau, mas nada garantido que vá sair um dia, simplesmente trabalhando. Gostaria de produzir Rashid, Xará, Racionais, MV Bill. Tenho vontade de fazer um projeto com artistas de MPB, mas preciso estudar bastante antes.</p>
<p><strong>Três sons que você ouve e pensa “esse eu gostaria de ter feito?</strong>”<br />
Kanye West &#8211; “Power”, J-Cole &#8211; “Premeditated Murder” e Xará &#8211; “Estação Quinze”</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_4437-1.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-5293" title="IMG_4437-1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_4437-1-490x326.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Você produziu boa parte dos sons da mixtape Emicidio. Como tem sido a repercussão desse trabalho pra você? E qual dos beats que você fez pra mixtape você mais gosta?</strong><br />
Tem sido boa, acredito que pode abrir várias portas, mas só depende de mim. A que mais gosto é a faixa “Beira de Piscina”.</p>
<p><strong>Ah, conta um pouco pra gente sobre como você começou a trabalhar com o Emicida, como são as atividades no Laboratório Fantasma&#8230;</strong><br />
Foi natural. Conheço o Nyack, DJ do Emicida desde os 16 anos e ele foi me trazendo pro Laboratório, e, quando vi, estava trabalhando aqui. As atividades são intensas, mas devo dizer que não faço só beat como muitos pensam. Na verdade, aqui todo mundo faz de tudo um pouco, sem exceções, sempre tem trabalho. Admiro a Laboratório Fantasma pela<br />
ousadia, sem medo de pensar grande.</p>
<p><strong>Você já pensou em, além de usar um controlador, partir pra um outro tipo de sampler, como MPC, SP? Você acha que além da parte técnica há alguma diferença muito nítida?</strong><br />
Sim, a diferença no resultado final é nítida. Quero muito uma MPC, mas além disso, trabalhar com instrumentos musicais de verdade mesmo, não só virtuais, conheço alguns músicos que gostaria de chamar pra agregar idéias.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/capa1.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-5291" title="capa" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/capa1-490x326.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Já pensou em estudar música, fazer aulas pra se profissionalizar em algum<br />
instrumento específico?</strong><br />
Estou nessa: começo a estudar em fevereiro Tecnologia em Produção Musical.</p>
<p><strong>LIGA DOS BEATS: você é um dos finalistas classificados para competir na final no mês que vem. Como foi participar dessa competição? Você acredita que na sua eliminatória o nível dos instrumentais dos participantes estava bom?</strong><br />
Acredito que todo mundo estava um pouco nervoso e ansioso na eliminatória que participei, inclusive eu. Mas foi bom participar e ver que estamos agregando alguma coisa, ver que podemos ajudar ou influenciar as pessoas a fazer algo.</p>
<p><strong>Quem são suas principais apostas para vencer a Liga e quem te surpreendeu mais? Que fatores você acha mais relevante ao criar e escolher um beat pra competir?</strong><br />
Com toda certeza quem mais me surpreendeu foi o DJ Max. Acho que os beats devem ser escolhidos pela qualidade e musicalidade, não pelo peso ou por viradas, beats no qual podemos imaginar um MC rimando ou alguém cantando. Por que penso assim? Porque beatmaker/produtor e MC devem andar juntos, um precisa do outro. Aprendi uma coisa com o Nave: o beatmaker nunca pode querer superar o MC através da batida. Lógico, a batida deve ser excelente, mas um deve completar o outro, para que se torne uma MÚSICA. Se nós fazedores de batidas quisermos superar o MC, ninguém mais vai querer pegar nossas bases e vamos virar artistas de música instrumental somente e todos vão se separar. E eu acho que a tendência não é essa.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_8714-1.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-5295" title="IMG_8714-1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_8714-1-490x326.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Bom, muito obrigada pela entrevista Casp! Pode deixar seu salve pros leitores do NOIZ e onde eles podem ouvir seus beats, contatar…</strong><br />
Obrigado a todos que tiverem paciência de ler essa entrevista, de coração! Podem ouvir meus beats no <a href="http://www.myspace.com/caspbeatz" target="_blank">www.myspace.com/caspbeatz</a>, em um SoundCloud ou comprando e consumindo os trabalhos dos artistas que produzi. Meu e-mail é Muzicasp@gmail.com</p>
<p><strong>Não deixe de ouvir a beat tape que Casp fez com exclusividade para o NOIZ, uma seleção de instrumentais mixada por DJ Nyack, no Laboratório Fantasma.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/BeatTape-Casp.mp3">Clique aqui e ouça a BeatTape feita pelo Casp!</a></strong></p>
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		<title>Japão 27 anos de história no Rap</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Nov 2010 15:16:15 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Entrevista por: Nininha Albuquerque Fotos por: Jefferson Modesto Marcos Vinicios Morais A.K.A Japão com mais de 27 anos na cena do rap, e 80 gravações em CDs entre participações e CDs de seu grupo.  Começou na 26 da Ceilandia Norte dançando break , e após ver o grupo norte americano Public Enemy se inspirou e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Entrevista por:</strong> Nininha Albuquerque</p>
<p><strong>Fotos por:</strong> Jefferson Modesto</p>
<p>Marcos  Vinicios Morais A.K.A <strong>Japão</strong> com mais de 27 anos na cena do rap,  e 80 gravações em CDs entre participações e CDs de seu grupo.  Começou na 26 da Ceilandia Norte dançando  break , e após ver o grupo norte americano Public Enemy se inspirou e criou  coragem para cantar rap, que era o que ele realmente gostava de fazer . A sua  primeira gravação foi em 1990 com um grupo paulista chamado Produto da Rua, em  1992 conheceu Gog com quem trabalhou até 2000 gravando 4 CDs. Em 2000, ele  montou o grupo Viela 17 e gravou mais 3 CDs, participou de todas as músicas do  projeto Rap Com Ciência, entre tantas outras participações em CDs de vários  artistas, atualmente está trabalhando no ‘Nono’ titulo do seu cd  solo.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4959" title="Entrevista2" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista2.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Como surgiu o projeto Rap com  Ciência? Fale um pouco do que é o projeto e o que foi alcançado com ele.</strong></p>
<p>Japão:  O projeto Rap Com  Ciência foi uma parceria com o amigo chamado Jorge Hyper, que estava fazendo um  trabalho chamado Ciência em Foco com as escolas do Distrito Federal em parceria  com a Empresa Sangari Brasil. Certa vez ele teve uma ideia e falou: _Olha Japão,  o que você acha de fazermos um cd de rap com essa garotada, eles falando do  estudo de ciência, o que eles aprenderam através desse projeto e fazer um  mesclado com o que acontece na vida deles? O projeto começou ano passado, e  completou um ano, fizemos em 15 escolas cada uma com uma faixa do cd e mais uma  música minha completando 16 faixas. Foram mais de mil crianças para serem  escolhidas, e como o prazo era curto, pois começamos em agosto e em dezembro.  Nós tínhamos que entregar um cd produzido, com letra escrita pelos alunos,  gravado, mixado e masterizado em um evento. Então fizemos um grande concurso de  redação, poesia e música, onde ia ser escolhido um por cada escola, na verdade  as crianças foram mais ligeiras que a gente eles montaram grupos, e tinha grupos  com 15 integrantes outros com 9, acabamos escolhendo um grupo de cada escola com  um nº razoável, com uma letra e contexto bacana, e nisso o total foi de 77  crianças. Esse foi o nosso desafio levar todas essas crianças para estúdio para  gravarmos. Pelo estúdio ser muito distante e as crianças de menor, decidimos  levar o estúdio móvel e gravamos dentro da escola, ai foi uma diversão, foi um  barato, gravamos dentro da biblioteca, depois mixamos, masterizamos, mandamos  pra fábrica, quando chegou o cd pra eles foi uma farra. Voltamos novamente nas  escolas fazendo um evento onde eles se apresentavam, os CDs foram distribuídos  pra quem estava presente, foram prensadas 10 mil cópias, que estão servindo hoje  pra Fundação Educacional do DF, como pesquisa para o estudo de ciências. A  repercussão foi muito grande e hoje já tive contato com o pessoal da Secretaria  de Educação de Belo Horizonte, Alagoas, São Paulo, todos já querem fazer o  projeto lá.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><p><a href="http://noiz.com.br/entrevistas/japao-27-anos-de-historia-no-rap.html"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p><br />
</strong><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Você já está na cena há 20 anos, e  muitas coisas mudaram desde que você iniciou, e tem surgido muita gente nova,  nos dias de hoje é mais fácil de se chegar ao público?</strong></p>
<p>Japão:  Acredito que a  nova geração que está chegando, eles vão ser herdeiros do verdadeiro artista do  rap nacional, porque tudo começou com pessoas sendo ativistas, nos falávamos  muito do gueto, dos problemas que tínhamos dentro das periferias, e hoje tem uma  porção de garotos, falo garoto até por questão de idade mesmo, como o próprio  Emicida, que trata ainda da questão original do rap nacional, que é nunca fugir  do foco das comunidades, da melhoria de dentro das comunidades Eles mostram como  pessoa, como artista que podem sim através da música ser alguém, ser respeitado  pelo que você faz, e não se fantasiar.</p>
<p>Porque têm pessoas que hoje em dia  que fala ‘Po, quero cantar só de  festa’ ele só canta festa, porque ele pensa que vai dar dinheiro cantando em  festa. Mas sabemos que hoje o público que precisa ouvir rap está dentro das  comunidades, ele não está só dentro de uma boate de alto padrão, com todo  respeito às boates de alto padrão, também canto em boates de alto padrão, mas  geralmente as pessoas que estão nas boates de alto padrão o que tocar eles vão  dançar. Então assim, eu acredito muito depois que surgiram artistas como  Emicida, Kamau e vários outros artistas que vai dar a verdadeira mudança,  inclusive eles serviram de exemplo pra mim pro Bill, pro Gog, Rappin Hood, pro  próprio Mano  Brown<strong> </strong>que  são pessoas que eu gosto, são meus amigos e próximos a mim. Eles têm respeito  por essa garotada, os caras chegaram com responsabilidade e fizeram à coisa que  é certa, eles chegaram com organização, uma coisa que nós não tínhamos, nos  tínhamos medo da internet, de assessoria de imprensa, de montar uma equipe de  planejamento e estrutura, e através deles nos falamos: _Opa, espera aí! Eu  sempre trabalhei com pessoas acompanhando, mas hoje não tenho uma equipe  completa.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4960" title="Entrevista4" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista4.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>O que  podemos esperar do seu trabalho solo? Ele vai ser lançado por selo independente  ou gravadora? Tem previsão para quando vai ser  lançado?</strong></p>
<p>Japão:  Eu aprendi a ser  independente, caminhar com as minhas próprias pernas, eu lancei o disco passado  lá no morro com o Bira que um parceiro meu, ele mora dentro da minha comunidade,  eu quis trazer isso pra dentro da minha comunidade. Eu vou fazer esse solo com  essa parceria com o Bira, e vamos fazer esse disco da Ceilandia pra Ceilandia, o  material fonográfico, mas a idéia das músicas tem muitas idéias, e foi até um  pedido da minha mãe, ela falou assim: _Você faz rap e tudo que você faz, que você  lança em cd não é o que você ouve em casa, porque você não pega o que você ouve  em casa e faz um cd? Das coisas que você gosta de ouvir&#8230; É isso que eu vou fazer, eu quero pegar  todo aparato de músicas que eu gosto, fazer um disco dançante falando de  alegria, na verdade o que se pode esperar desse disco é que eu vou relatar em  cada faixa o que é o Japão mesmo o Marcos Vinicios. O que é o convívio com a  minha família, amigos, colegas, filhos, comunidade, eu quero pegar tudo de bom e  transformar em um cd.<a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista4.jpg"><br />
</a></p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista-3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4957" title="Entrevista 3" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista-3.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Os  artistas do DF têm cada vez ganhado mais espaço na cena, o que falta para que  eles estejam realmente em evidência na cena do Rap  nacional?</strong></p>
<p>Japão:  A coisa que falta  é coragem, e reconhecimento do que ele quer ser de verdade, porque na verdade é  o seguinte, quando a grande cena do rap nacional era São Paulo, eu e o Gog íamos  todos finais de semana com o nosso dinheiro, comíamos miojo, dormíamos na casa  de um, enquanto o Mano Mix dormia na casa de outro e Gog na casa de outro. Nos  encontrávamos pra fazer show, geralmente não tínhamos nem pra pagar hotel, então  assim nós tivemos muita coragem e muito peito. Hoje existem vários caras que  dizem: _Po, mas pra mim, o que representa  é a galera nova, e pra mim vocês não tem representação nenhuma. Não precisa  ter representação, porque geralmente quem constrói não tem reconhecimento, o  pedreiro que constrói a igreja, ele não tem reconhecimento, eu nunca liguei pra  esse tipo de reconhecimento também, só que um dia lá na frente eles vão ver,  como está surgindo agora, vi um projeto dos meninos de São Paulo eles cantando  rap dos primeiros, cantando Duck Jam e Nação Hip-Hop, M.T. Bronks, eu fiquei  numa felicidade, isso é reconhecimento, é esse o tipo de reconhecimento que eu  quero, eu fiz agora o Nordeste, Sul, Belo Horizonte, o rap de Brasília é super  respeitado e considerado. Só que os próprios artistas de Brasília têm medo de  encarar estrada, eles acreditam que Brasília vai se alto sustentar através do  rap nacional. Se o cara for viver de rap nacional em Brasília passa fome, no  geral artista em Brasília tem que ir pra fora pra conseguir crescer. Eles  confiam muito na questão se eu botar na internet pra baixar todo mundo vai  baixar, mas o ser humano anda tão desconfiado que não sai baixando qualquer  coisa se ele não conhece a pessoa, e também não é todo mundo que tem computador  ou acesso a internet.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4958" title="Entrevista1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista1.jpg" alt="" width="490" height="326" /></a></p>
<p><strong>Como  você vê o rap hoje? Acha que essa nova geração tem colhido frutos que a outra  plantou?</strong></p>
<p>Japão:  O avanço foi tão  grande que não adianta qualquer pessoa que chegar agora no rap e não falar que  colheu os frutos que nós plantamos. Porque na realidade se você em Brasília fala  hoje em DJ Rafa, Gog, eu, X, Jamaica, fomos os primeiros. Eu ainda tive sorte  porque peguei as 2 gerações, vários outros da minha geração já pararam, como eu  era o caçula consegui pegar as 2 gerações e continuar com essa nova geração. Sim  eles colheram o fruto, que alguém tinha que trazer o rap pra cá, e alguém tinha  que denominar o rap. Eu acompanho muito twitter e vejo alguém falando: _Ah, sei que vocês não fizeram nada, o rap  agora é nois, é a gente que está mudando tudo&#8230; Mas na verdade eles estão  mudando a coisa que nós fizemos, algo que já estava feito, eles estão renovando,  colocando outra roupagem, o que tem que ter mesmo, outra roupagem, outras  pessoas engajadas no movimento outras pessoas ligadas ao que acontece dentro da  comunidade, como tem que ter os fuxiqueiros também.</p>
<p>Única coisa que eu posso falar do rap  nacional, que qualquer pessoa pode falar mais vão herdar, é que nós fizemos de  uma maneira, de ser ouvido e ser respeitado, porque pode pintar o mega astro do  rap nacional, mas nunca vão deixar de falar de Thaide, Racionais, Gog, de todos  nós que começamos.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4961" title="Todos numa só união" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Entrevista5.jpg" alt="" width="490" height="731" /></a></p>
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		<title>Conheça Karol Conká</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2010 10:47:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Entrevista e fotos por: Luciana Faria Ela é nascida e criada na cidade “zero grau” a.k.a Curitiba, também apelidada carinhosamente como CWBeats. Aos 24 anos, com uma levada um tanto “marrenta”, mas não adepta de temas feministas, vem cativando e conquistando o público com suas letras pessoais sobre cotidiano, conquistas, flertes, a cena curitibana e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Entrevista e fotos por: Luciana Faria</em></p>
<p>Ela é nascida e criada na cidade “zero grau” a.k.a Curitiba, também apelidada carinhosamente como CWBeats. Aos 24 anos, com uma levada um tanto “marrenta”,<br />
mas não adepta de temas feministas, vem cativando e conquistando o público com suas letras pessoais sobre cotidiano, conquistas, flertes, a cena curitibana e até algumas desavenças – tudo com um estilo bem próprio.  Na última semana, estive em Curitiba e pude conhecer, conversar e fazer uma sessão de fotos dela no Largo da Ordem, lugar onde a galera se reúne pra tomar uma cerveja e trocar ideias.</p>
<p>Com vocês, Karoline dos Santos Oliveira: A MC Karol, Conká</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_4798" class="wp-caption aligncenter" style="width: 501px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_0925_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4798  " title="IMG_0925_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_0925_lucianafaria.jpg" alt="" width="491" height="323" /></a></dt>
</dl>
</div>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_0925_lucianafaria.jpg"></a><strong>NOIZ :: De onde surgiu seu interesse pelo hip hop e como você começou a rimar?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Desde pequena eu já escrevia. Aí um dia no meu colégio teve um concurso de Artes, eu resolvi participar, e era a única menina que tava na categoria musical, que no caso foi RAP. Eu fiz,  ganhei e levei o prêmio pra minha turma. Daí pra frente, fiquei sabendo que havia uma cena curitibana de hip hop, comecei a me envolver e fui me apresentando pra galera. Lembro também que sempre fui muito influenciada pelo grupo Fugees, que marcou todo esse meu começo. Quando ouvi o grupo pela primeira vez, e em especial a Lauryn Hill que sempre foi &#8220;a” influência, comecei a escrever e continuo até hoje.</p>
<p><strong>NOIZ :: Teve alguém em Curitiba que te encorajou e incentivou de uma forma mais marcante?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Com 16 anos eu comecei a ir nas festas, não conhecia ninguém, ía sozinha mesmo. Aí eu chegava e me apresentava direto pras pessoas que ou estavam no palco se apresentando ou pra  quem estava organizando a festa. Só que eles não davam muito crédito, nem se importavam. Então, uma vez no colégio estadual eu queria promover um evento de rap, e o diretor me disse  que ia falar com um dos garotos responsáveis pela &#8220;cena&#8221; na época, que é o Mc Cipó  , do grupo Consciência Suburbana. Ele ouviu meu som, curtiu e me chamou pra abrir um show do  GOG&#8230; foi a primeira vez que eu subi num palco. Foi muito legal. E desde então eu não parei mais.</p>
<p><strong>NOIZ :: E você ficou muito nervosa ao subir no palco nessa primeira vez? Você já tinha algum som pronto e gravado?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Fiquei! Tão nervosa que até pisei num cabo, desligando o microfone. Só percebi quando fui rimar e a voz não saía (risos). Eu nunca tinha gravado na minha vida, e rimei numa base gringa.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_4797" class="wp-caption aligncenter" style="width: 483px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_0871_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4797  " title="IMG_0871_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_0871_lucianafaria.jpg" alt="" width="473" height="316" /></a></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: center;">
<p><strong>NOIZ :: E quem são suas maiores influências? Dentro e fora do Rap.</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Milton Nascimento, Djavan, Adriana Calcanhoto, Jorge Ben, Bob Marley, Vanessa da Mata,  Macy Gray&#8230; gosto muito de Amy Winehouse. No rap: MV Bill &#8211; na época que comecei eu ouvia muito, Nega  Gizza, Doctors Mc’s&#8230; Ndee Naldinho, eu também ouvia bastante. Racionais, Dina Di. E gosto do rap mais &#8220;protesto&#8221;, militante mesmo.</p>
<p><strong>NOIZ :: E isso também se reflete nas suas letras ou elas são mais &#8220;pessoais?&#8221;</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Não, minhas letras são mais pessoais. Como eu tenho muitas influências, eu apelidei isso de uma &#8220;salada de sentimentos&#8221;, tem pra todos os gostos (risos).</p>
<p><strong>NOIZ :: O que já foi lançado oficialmente de trabalho teu?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Bom, um ano depois daquela apresentação que eu falei, abrindo o show do GOG, eu conheci o MC Bigue, que me apresentou pro MC Cadelis e o Cilho – este, além de rimar, também produzia nossas bases. Nós criamos um quarteto, o grupo Agamenon. Na sequência, nós fechamos uma parceria com o DJ Jeff Bass, e lançamos uma mixtape, com 7 músicas. E era num estilo mais MPB. Depois comecei a carreira solo, e o primeiro som que eu gravei e lancei foi a &#8220;Me Garanto&#8221;, na sequência, &#8220;Marias&#8221;, &#8220;Boa Festa&#8221; e tem os outros sons que são &#8220;Melhor que se faz&#8221; e &#8220;Não há impossibilidades.&#8221;</p>
<p><strong>NOIZ :: Conta pra gente como foi a sua participação na Upground Beats.</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Eu fiz parte da Upground por 2 anos, que é um selo e lançou duas mixtapes. Foi numa parceria em que participaram Cadelis, Nairobi, Mike Fort, São Nunca, Guerra Santa&#8230; junto com Nel  (Sentimentum).</p>
<p style="text-align: center;">
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_4799" class="wp-caption aligncenter" style="width: 483px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_0930_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4799   " title="IMG_0930_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_0930_lucianafaria.jpg" alt="" width="473" height="316" /></a></dt>
</dl>
</div>
<p><strong>NOIZ :: E os projetos atuais? No que você está trabalhando agora e no que pretende investir?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Agora tô trabalhando no meu EP, que ainda não tem uma data prevista de lançamento. Vou participar da mixtape que o Dario está produzindo, gravada na Track Cheio [produtora e selo de rap independente de CWB). O nome do som é &#8220;Puro Flerte&#8221; e sai no ano que vem. Tem também minha participação na mixtape da Sallve em uma música. E mais uma produzida pelo Nave, chamada &#8220;Passo a Passo.&#8221;</p>
<p><strong>NOIZ :: Quem são os produtores do seu EP?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Como eu disse, não tenho uma data certa pra lançar o EP, e também não fechei com os produtores. Mas estou disposta a ouvir material que me enviarem, claro! Tô inclusive nesse processo de procurar e escolher batidas que eu me identifique.</p>
<p><strong>NOIZ :: E você pretende se dedicar só ao &#8216;rappin&#8217; e as rimas ou tem vontade de cantar, estudar música também? Até mesmo pro caso de cantar seus próprios refrões&#8230;</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Me dedicar pro lado da música também, com certeza! Eu sempre gostei de cantar, mas nunca soube. Tenho uma amiga, a Michele Mara, professora de canto, que me dá todo esse auxílio mais  &#8220;musical&#8221;, como quando eu crio um refrão. Mas pretendo estudar, sim!</p>
<p><strong>NOIZ :: Sobre &#8220;CWBeats&#8221;: uma coisa que até então é nítida e transparece pra quem é de fora, é que vocês são muito unidos, que o público é bem ativo e informado, que um impulsiona o  trabalho de outro, seja com dicas ou críticas construtivas. Você concorda com tudo isso?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> É, aqui em Curitiba o público em geral também é bem critico. Em questão de parcerias, acho que rola sim. Tanto que até hoje eu já tive muitos &#8220;empurrões&#8221; de amigos, como a Drica e o Nave, que, depois que lancei a &#8220;Me Garanto&#8221;, me deram todo apoio. Até então desconhecia muita coisa, até em termos de divulgação etc. As festas também são bem organizadas e divulgadas, temos muitos talentos e acredito que Curitiba só tem a crescer.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_4801" class="wp-caption aligncenter" style="width: 501px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_1023_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4801 " title="IMG_1023_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_1023_lucianafaria.jpg" alt="" width="491" height="328" /></a></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: center;">
<p><strong>NOIZ :: Já que você citou esses muitos talentos em CWB. Quem são suas principais apostas locais?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Savave, Nairobi, Bigue, Cadelis, com seus poemas ricos. Cabes, Nave&#8230; Laudz então! Garoto que chegou agora e com certeza no ano que vem vai ter deslanchado ainda mais.</p>
<p><strong>NOIZ :: E com quem você tem vontade de trabalhar?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Produzindo: Dj Cia, KL Jay, Renan Samam, Gurila Mangani &#8211; gosto muito deles. Flora Matos, Rincón Sapiência, Rael da Rima&#8230; fora os sonhos né: Timbaland, Lil John, M.I.A, Kanye West&#8230; (risos)</p>
<p><strong>NOIZ :: Sobre ser MC e mulher: Você já se sentiu solitária por ainda termos poucas garotas rimando pra valer? Porque ainda hoje existem poucas MC&#8217;s? Em questões de trocar ideias, experiências etc&#8230; por mais que tenham muitos MC&#8217;s homens dispostos a ajudar, existe sim uma sensibilidade diferente, tato ao lidar com certos assuntos.</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Já me senti bem sozinha. De querer conversar sobre versos e técnica, que seja&#8230; mas hoje em dia até já me acostumei (risos). Eu acredito que um dos principais motivos de<br />
ainda hoje termos poucas MC&#8217;s, é por uma falta de coragem, alguém pra impulsioná-las a mostrar suas rimas, suas histórias e pensamentos. Antes eu via algumas meninas rimando e<br />
pensava &#8220;nossa que feio&#8221;, de tão masculinizadas que eram. E elas nem eram ruins. Era mais uma questão de aprimorar e criar um estilo próprio mesmo.</p>
<p style="text-align: center;">
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_4800" class="wp-caption aligncenter" style="width: 501px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_1004_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4800  " title="IMG_1004_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_1004_lucianafaria.jpg" alt="" width="491" height="328" /></a></dt>
</dl>
</div>
<p><strong>NOIZ :: E o que você acha das MC&#8217;s mais &#8220;feministas&#8221; que direcionam suas letras ora pra atacar o lado masculino, ora reinvindicando apenas direitos que talvez hoje em dia nem estejam sendo  tão negados? Acredita que o machismo no Hip Hop ainda é uma coisa explícita e tão desconfortável?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Acho totalmente chato e desnecessário. Pra mim, o machismo já está quase que completamente extinto no rap. Tanto que há muitos caras que ajudam muito. Nas minhas músicas não tenho nada de feminista. É uma coisa meio que de quem não tem assunto. O que mais admiro é a originalidade. Já percebeu o tanto de meninas que copiam o flow de vários caras? E esse também é um dos motivos pelo qual tem tantas MC&#8217;s escondidas por aí. Acabam caindo na mesmice e passam despercebidas.</p>
<p><strong>NOIZ :: Sobre se destacar como MC: você foi indicada ao Hutuz na categoria &#8220;Melhor Demo Feminino&#8221; em 2008, com o seu single &#8220;Me Garanto.&#8221; Esse som, até onde sei, gerou comentários e até uma certa polêmica. O que você pode nos falar sobre essa letra? Ela foi destinada a uma ou mais pessoas?</strong></p>
<p><strong>K:</strong> Sim, ela foi destinada a uma única pessoa. Foi num momento bem desgastante da minha vida, que todo mundo tem, claro. Como essa pessoa tava bem longe, eu não podia falar &#8220;ao vivo e a cores&#8221;. E eu tive a ideia de pôr tudo isso pra fora em forma de som, como várias pessoas já fizeram, até porque eu sabia que ela ia ouvir. E o sentimento é bem esse mesmo, de &#8220;eu me garanto&#8221;. E muita gente se identificou com o som, com a letra toda em si, pois todos nós passamos por momentos como esse, e cada um põe pra fora de um jeito diferente. Acredito que essa identificação veio também porque em todo momento eu fui muito sincera em cada linha que escrevi.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_4802" class="wp-caption aligncenter" style="width: 501px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_1046_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4802 " title="IMG_1046_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/11/IMG_1046_lucianafaria.jpg" alt="" width="491" height="328" /></a></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: center;">
<p><strong>NOIZ :: Bom, pra finalizar: muito prazer e obrigada pela entrevista Karol! Deixe seu salve pros leitores do NOIZ, contato para shows, e onde a gente pode ouvir o seu som e conferir os novos trabalhos que estão por vir.<br />
K:</strong> Agradeço a oportunidade de poder mostrar um pouco do meu trabalho e convido a todos para visitar meu myspace: <a href="http://myspace.com/mckarolconka" target="_blank">myspace.com/mckarolconka</a></p>
<p>Contato para show: mckarolconka@gmail.com (41 8434-6375 begin_of_the_skype_highlighting              41 8434-6375      end_of_the_skype_highlighting begin_of_the_skype_highlighting              41 8434-6375      end_of_the_skype_highlighting)<br />
Twitter: <a href="http://www.twitter.com/karolconka" target="_blank">www.twitter.com/karolconka</a><br />
Em breve farei uma divulgação de novos sons!<br />
Abraço, brilho vital a todos!!</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 1230px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">NOIZ :: De onde surgiu seu interesse pelo hip hop e como você começou a rimar?</div>
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		<title>Emicida Falando Pra Todos!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2010 03:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Nóiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[MC vive fase de reconhecimento inédita em sua carreira e vem com mixtape nova: mais serena e madura, em todos sentidos, que a primeira]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>MC vive fase de reconhecimento inédita em sua carreira e vem com mixtape nova: mais serena e madura, em todos sentidos, do que a primeira</em></p>
<p>Por Arthur Dantas</p>
<p>Leandro Roque de Oliveira, 25 anos, conhecido nacionalmente como <a href="http://www.twitter.com/emicida" target="_blank">Emicida</a>, apareceu recentemente no <em>Programa do Jô</em> na Rede Globo, virou Trending Topic mundial no Twitter (nomes mais citados no microblog), as diversas versões de seu maior hit, “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=YMJOmIuUwiM" target="_blank">Triunfo</a>”, no youtube já passa das oitocentas mil visualizaçòes, foi capa da <em>Ilustrada</em> da Folha de São Paulo, destaque nos principais sites do país, participou do <em>Altas Horas</em>, apresenta quadro no programa <em>Manos e Minas</em> da TV Cultura, destaque no MySpace e, somados todos os vídeos de suas intensas batalhas de freestyle, soma quase dez milhões de views no site. Sua primeira mixtape, lançada em 2009 e produzida de forma caseira, passou das dez mil cópias. Os números não mentem: o garoto fez/faz um barulho danado e é quase um movimento em si mesmo. Quem já presenciou seus shows Brasil afora sabe da empatia que o artista tem com seu público. E o que é mais curioso: o MC não se abala com todo esse burburinho.</p>
<p>O NOIZ fez a mais longa entrevista com o MC em tempos e falou sobre passado, presente e futuro, sobre a mixtape <em>Emícidio</em>, lançada com estardalhaço no dia 15 de Setembro (quase mil cópias vendidas na pré-venda), alcançando novamente os Trending Topics (dessa vez em nível nacional) no Twitter. Quem não conhecia, certamente se espantou com a agilidade mental e talento do MC no Jô Soares. Para seus  admiradores (e alguns desafetos, porque não?) confirmou-se o que já sabiam: a fonte não secou e o garoto que já mordeu cachorro por comida continua cheio de fome. E mais sereno, mais maduro – sua mixtape nova não deixa dúvidas. A maior mudança é o desejo em se comunicar com o máximo de pessoas possíveis e transformar conceitos tidos como defasados do rap nacional. Desta vez, com o CD lançado em uma parceria inédita entre <a href="http://www.laboratoriofantasma.blogspot.com" target="_blank">Laboratório Fantasma</a> e <a href="http://foradoeixo.org.br" target="_blank">Fora do Eixo Discos</a>, a estratégia de divulgação, como revela no papo, prevê apresentação na rua, acompanhado de um rádio – como nos primórdios da cena hip hop!</p>
<p>Fiquem de olho porque, durante todo o dia 22 de Setembro, quarta-feira, uma dezena de blogs selecionados por nós, estará sorteando mixtapes autografadas pelo MC, usando como base as perguntas desta entrevista. A parceria é inédita e busca aumentar a rede de informação dos nossos leitores e mostrar que se a rua é noiz, a internet também é! Atentos ao nosso twitter e ao site.</p>
<p style="text-align: left;">
<div id="attachment_4434" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio_Capa.jpg"><img class="size-medium wp-image-4434 " title="Emicidio_Capa" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio_Capa-300x300.jpg" alt="Arte: Marcelo Lima" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Capa da mixtape Emicidio</p></div>
<p style="text-align: left;"><strong> </strong></p>
<p><strong>1. Quanto tempo demorou a produção de cada uma das mixtapes?</strong></p>
<p>Emicida . A primeira mixtape [<em>Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe</em>, 2009] foi um trampo de 4 meses – lembro que falei com o Felipe [Tixaman, produtor] em janeiro e terminei em abril. E lancei no dia primeiro de maio. Na <em>Emicídio</em> foram dois meses pra fazer tudo, sendo que boa parte foi feita aqui no Laboratório [Fantasma, a “firma”comandada por Emicida e seu irmão, Fióte] mesmo. Teve esse mesmo processo de letras que haviam sobrado, mas os instrumentais eu abri os canais, preparei as sessões tudo aqui mesmo no Laboratório.</p>
<p><strong>2. A galera quer saber o que estará nesta mixtape que já foi mostrado por aí. Por exemplo, a “Avua Besouro” [single lançado este ano] estará nessa mixtape em uma versão diferente, certo?</strong></p>
<p>É uma versão remixada, mas não no padrão que as pessoas conhecem: é a mesma base, mas foi mixada diferente – a gente “trouxe” os tambores, botou as guitarras mais pra dentro da música, ela vem com uma estética mais de rap mesmo.</p>
<p><strong>3. Do EP <em>Sua Mina Ouve Meu Rép Também</em> não tem músicas na mixtape?</strong></p>
<p>Não, eu acho preguiçoso repetir música. Acho mancada, tá ligado? (risos)</p>
<p><strong>4. Você falou que a mixtape nova estava menos “pesada” do que a outra. Eu lembrei da letra de “Triunfo”que você fala “todo neguinho pode ser Adolf Hitler e Gandhi”. A outra era mais Hitler e essa mais Gandhi? (risos)</strong></p>
<p>Mas era um Hitler do nosso lado né? Agora vai ser um Gandhi do nosso lado. Tava escutando ela hoje cedo com o Casp. A gente chegou ao consenso que é mais madura, tá ligado?  Acho que é mais voltada às pessoas “normais” do que às pessoas que fazem rap. É uma mixtape de rap mas vai surpreender uma galera, porque tá todo mundo esperando uma pá de “Emicídio”, uma outra “Triunfo”&#8230; Ela tem uns timbres diferentes, umas mixagens diferentes em alguns casos. Eu me senti “benzão” por ver representada a maturidade que eu acredito que adquiri nos últimos tempos.</p>
<div id="attachment_4430" class="wp-caption aligncenter" style="width: 504px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4430" title="Emicidio_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio_lucianafaria.jpg" alt="Emicidio_lucianafaria" width="494" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Luciana Faria</p></div>
<p style="text-align: center;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio_lucianafaria.jpg"><br />
</a></p>
<p><strong>5. Foi um desafio ou uma consolidação de linguagem?</strong></p>
<p>A primeira coisa que me desliguei foi dessa parada de repetir alguma coisa. “Puta, fiz o maior barulho com a primeira, tenho que fazer outra &#8216;Triunfo&#8217;”. Foi a primeira coisa que caiu, porque é daí que viria a minha morte: tentar repetir algo. Se alguma coisa vai nascer é a partir do que está sendo feito. Eu abdiquei dessa pressão. Quero fazer uma música que retrate o mundo como eu vejo hoje, um ano após a primeira [mixtape]. Não tinha cabimento eu voltar com as mesmas ideias, “pô mano, eu num tenho grana pra gravar, num tenho estúdio&#8230;” Isso seria uma puta mentira, ia vender uma parada que eu não sou. Estou sendo sincero. Eu tô dizendo agora que a situação já foi pior, a gente trampou e conseguiu algumas coisas, tá um pouco melhor&#8230; A mixtape começa com uma música que se chama “E Agora?”, e a primeira rima é “Agora nois tem casa, carro, comida e vai cantar que num dá pra vencer na vida?”</p>
<p><strong>6. Carro eu sei que você não tem&#8230; (risos)</strong></p>
<p>Eu não tenho porque sou preguiçoso (risos), mas o Fióte tá tirando carta. Eu num tenho carro ainda porque sou vagabundo, deveria ter – me fodo várias vezes por não ter carro. É louco, ouvindo a mixtape inteira – mas eu sou suspeito pra falar (risos) – ela passeia por vários assuntos, várias ideias e nenhuma é alguma que já tenha dado antes. Você vai encontrar música que fala de baile na Vila Zilda, quando escutava Racionais, de “Avua Besouro”, que é maracatu pra caralho, umas ideias pra cima&#8230;</p>
<p><strong>7. De auto estima&#8230;</strong></p>
<p>De canalizar nosso ódio pra algo que construa alguma coisa. Sinceramente eu já não me identifico com esse tipo de rap que é bem comum&#8230; A molecada vem com esse papo de “somos soldados, somos guerreiros, não desistiremos, porque nossa luta etc&#8230;” Mas perdeu-se o sentido das palavras: as pessoas falam de ser um soldado mas não compreendem realmente o que é estar dentro de uma guerra. Eu não quero esse peso na minha música. Eu acho muito louco minha mãe saber algumas letras: eu quis mais disso, me vi indo mais pra esse caminho e isso acabou, involuntariamente, levando pra outro caminho. Daí o nome “Emicídio” &#8211; eu matei todas aquelas ideias e nasci de novo.</p>
<div id="attachment_4429" class="wp-caption aligncenter" style="width: 504px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio-5_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4429 " title="Emicidio 5_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio-5_lucianafaria.jpg" alt="Emicidio 5_lucianafaria" width="494" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Luciana Faria</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p><strong>8. Fala um pouco então sobre o nome da mixtape&#8230;</strong></p>
<p>Primeiro porque casa com essa coisa de batalha de MC, nasceu da ideia de um genocídio de MCs. É um bagulho pesado, tenso, barulhento, confuso. É bem o que a gente vê quando abrimos a porta de casa. Mas se você olhar bem, tem um monte de coisa que é verdadeira, que faz sentido na sua vida. Partiu dessa ideia mas tomou um outro sentido porque nunca tenho todas as músicas fechadas – isso é legal numa mixtape. Pra trabalhar num álbum fechado será diferente, com certeza. Eu num posso ficar refém das pessoas que me escutam: elas tem que evoluir junto comigo. Assim vou ficar refém de umas ideias e nunca sair da mesmice.</p>
<p><strong>9. Eu achei que nessa mixtape você está um melhor contador de histórias, tem aquela ligação com o rap mais old school, aquela coisa com início, meio e fim, sem muita rima interna. E acredito que a responsabilidade  de ter uma filha, de ter várias pessoas cuja vida dependem do teu trabalho diretamente etc, que tudo isso ajudou a mudar a temática das suas letras?</strong></p>
<p>Mano, sou apaixonadão por essa parada de contar história. Você estar na sala da tua casa e se imaginar numa estrada deserta com o vento batendo na sua cara é mágico, é o auge pro compositor. Eu aprendi a fazer rap escutando os manos contando história. Tem uma música do [MC] Dexter que é foda, ele tá contando de um cara que tá na cadeia mas a música remete a tudo, menos à cadeia. Acho muito foda.</p>
<p><strong>10. Você lembra o nome da música?</strong></p>
<p>Não lembro, mas o refrão é (cantarolando) “Eu logo saio daqui&#8230;” Ele fala do que queria fazer da vida e onde ele foi parar. Eu acho isso foda. Em 2001 eu ganhei um prêmio de histórias em quadrinhos (<em>N. Do Ed.:</em> Antes de surgir nas batalhas de freestyle, Emicida tentou desenhar histórias em quadrinhos), viajei de avião, conheci uns caras que trabalhavam numa editora que era o que eu queria naquela época. Tava completamente alheio ao que eu era um ano atrás: um moleque da quebrada que não sabia se iria fazer 20 anos. Daí eu quis mais daquilo. Depois me chamaram pra ser dublador de desenho animado&#8230; Minha vida nunca mais foi a mesma. Passa dois anos veio a Liga [dos MCs, batalha já clássica de freestyle na cidade do Rio de Janeiro]. Eu tenho um lance bom que é paciência – consigo visualizar onde estarei daqui a seis meses. E sei que, se tornar refém do que eu sou, vou morrer daqui um ano, tá ligado?</p>
<div id="attachment_4432" class="wp-caption aligncenter" style="width: 504px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/IMG_8940.jpg"><img class="size-full wp-image-4432" title="IMG_8940" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/IMG_8940.jpg" alt="IMG_8940" width="494" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Luciana Faria</p></div>
<p style="text-align: left;">
<p><strong>11. Então onde você estará daqui a seis meses?</strong><br />
No ritmo que as coisas estão, a gente estará bem melhor, as coisas vão estar mais sérias, consistentes, mais organizadas. O que aconteceu aqui [fala olhando para as imediações do Laboratório Fantasma], é que nós precisávamos de um lugar físico, precisava fazer uma nova mixtape, tava fazendo documentário com o Felipe Rodrigues&#8230; Agora acho que vai dar uma espairecida, vou começar a ser pai mesmo, porque só tive ao lado dela nos primeiros 20 dias. Agora já não vivo mais em função do tempo de tantas pessoas. Daqui a 6 meses vamos estar melhor, porque as pessoas que trabalham comigo são bem malucas: ninguém se emociona demais com a repercussão das coisas, porque a gente sabe que numa segunda-feira grava um Jô Soares e na terça vara a madrugada gravando mixtape (<em>N. Do Ed:</em> No dia da entrevista, era o segundo dia que a equipe do Laboratório Fantasma passaria madrugada em claro, gravando mixtape e embalando para os distribuidores). A [produtora] mina do Jô Soares tomou um susto, porque passamos o som e fomos pro camarim. Ela abriu a porta, a luz tava apagada e todo mundo dormindo (risos). Os músicos ali podem fazer qualquer coisa: fumar maconha, levar umas putas, ficar bem louco e a gente ali deitado, dormindo. [Como se estivesse falando pra produtora] “Quiser um cantinho deita aí também” (risos).<strong> </strong></p>
<p><strong>12. Em entrevistas antigas você diz que se via como MC de freestyle e não como um rapper. Mas agora faz um tempo que você não participa de batalhas – até porque você virou boi de piranha né? O que isso mudou de fato na tua escrita, no jeito de cantar? Sente falta do freestyle?</strong></p>
<p>Eu não sinto falta; sinto saudade da época que eu batalhei [nas disputas de MCs]. Hoje, às vezes, vejo uns caras ramelar nas batalhas que perco até a vontade de ver (risos). Batalha de freestyle é foda, gosto do jeito como é visto em São Paulo: de fazer freestyle com você, não contra você. Eu amo essa parada. Mas freestyle de batalha é muita dedicação. Em um show sou mais livre, num preciso mostrar que quem tá na tua frente não rima nada.</p>
<p><strong>13. Eu vi em um documentário que o Supernatural [famoso MC de freestyle que mora em Nova Iorque], considerado o maior MC de batalha do mundo, lia dicionário. Como você se preparava?</strong></p>
<p>Mano, uma vez o DJ Zala falou essa parada pra mim. Cheguei em casa, fui no [dicionário] Aurélio e, cara: nunca vou esquecer a primeira página do Aurélio, que começa com a frase “convém ler”. Mas quando cheguei na letra A eu pensei “Foda-se o Supernatural! Que coisa chata do cacete!”(risos). A palavra não entra na minha cabeça desse jeito – tem que ter contexto. Se eu leio um [poeta gaúcho] Mário Quintana, vou achar as palavras tão mágicas que elas vão ficar na minha cabeça. Agora, se eu leio “amor, amora, ameixa“ eu fico [faz cara de contrariado], “puta que o pariu”&#8230; Um amigo me deu um dicionário de rimas e pensei “puta, agora vou arregaçar”. Cheguei em casa e escrevi uma pá de rap, mas num tava falando nada – tinha flow pra cacete mas não dizia nada. Isso não funciona comigo. Eu acho louco quem consegue aumentar o leque de palavras assim, mas comigo eu aumento ouvindo música, lendo umas histórias, conversando com as pessoas&#8230;</p>
<div id="attachment_4428" class="wp-caption aligncenter" style="width: 571px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio-4_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4428" title="Emicidio 4_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Emicidio-4_lucianafaria.jpg" alt="Emicidio 4_lucianafaria" width="561" height="374" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Luciana Faria</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p><strong>14. E qual foi a batalha de freestyle inesquecível pra você?</strong></p>
<p>A mais foda de sentimento, de ter uma sensação de conquista rara, porque sou muito frio na real, foi ter vencido a Liga dos MCs no Rio. Você está em um Estado que não é o seu, tem uma puta rixa Rio-São Paulo&#8230; Pode ser marra pra caralho, mas acho que nunca ninguém de São Paulo vai ganhar de novo essa parada. O bagulho foi muito foda (risos).</p>
<p><strong>15. Deve ter sido uma emoção fudida&#8230;</strong></p>
<p>Eu sou meio frio na hora. O [DJ, produtor e metade do duo N.A.S.A] Zé Gongalez falou que é assim também. Tipo, a ficha de ter ido no Jô Soares só caiu uns três dias depois; as pessoas tão me parando na rua por causa disso. O mesmo na Liga: lembro que o Emissário, o Rael da Rima, o Pedro Gomes [os primeiros MCs, o último produtor ligado ao rap] tavam lá comigo, empolgadaços, e eu fazendo de feliz mais do que realmente estava. Ganhar a Liga é uma parada simbólica. O prêmio é de mil reais e eu já tinha combinado com o Pedro Gomes de dar a metade pra ele. E com  quinhentos [reais] você já volta à realidade, porque não é muito diferente do que era antes. Na real tava diferente porque eu não tinha nada. E ganhei roupa, tênis, adesivo – os caras adoram dar adesivo pra MC (risos). Adesivo e camiseta. E agora tênis. É a dieta do cantor: nos escritórios de marketing é isso que rola (risos). Eu dei a grana pra minha mãe e naquele momento eu tava numa sintonia legal com o Felipão [Vassão, produtor] e fiz jingles [publicitários] pra caramba – se os moleques [na rua] souberem disso vão me matar (risos).</p>
<p><strong>16. Você prepara show diferente pra cada mixtape etc?</strong></p>
<p>Eu quero montar uma parada que consiga unir dois momentos. No show novo, do lançamento da mixtape, dia 16 de outubro aqui em São Paulo (Fiquem de olho aqui no site pra mais informações!), quero fazer uma parada diferente. Quero colocar uma MPC – mas não vou usar roupa de Toninho do Diabo igual o Kanye West [<a href="http://www.youtube.com/watch?v=NG5lpqGSgIw" target="_blank">refere-se à apresentação do artista no VMB estadunidense deste ano</a>] (muitos risos). Eu costumo montar meu set no lugar. Por exemplo: não tenho um público declarado, eu fui cantar em um show do Facção Central e a rapaziada não “veio” da maneira que tô acostumado a ver, porque é outro público, outra vertente da parada. E foi bom porque consigo adequar meu show pra aquele lugar, trazer aquelas pessoas [pro show].</p>
<p><strong>17. Você sentiu uma frieza&#8230;</strong></p>
<p>Sim, isso é muito delicado: a molecada tá viciada em perder, saca? Tá viciada nesse derrotismo, porque você não busca melhoria porque acredita que não é pra você. E se existir um sistema, essa é a vitória dele: colocar na tua cabeça que é melhor nem sair de casa porque o bagulho lá fora tá louco.</p>
<p style="text-align: left;"><p><a href="http://noiz.com.br/entrevistas/emicida-falando-pra-todos.html"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p><strong>18. Na primeira mixtape você acabou ressaltando o trabalho de vários produtores. Quem você trouxe de novos produtores pra essa?</strong></p>
<p>Na primeira [mixtape], eu ia muito no estúdio dos outros, caçava os beats, as parcerias foram sendo feitas daí. Na nova eu já não tinha essa disponibilidade de tempo, de ficar o dia inteiro num estúdio conversando, dando risada. Tinha tempo de ficar a tarde inteira lá em Santo André no estúdio do DJ Nato PK, na Zona Leste no estúdio do DJ King. Hoje tem que ser algo muito programado. É até engraçado: uma vez um cara de gravadora chegou e falou “Hoje você faz tudo, se assinar com a gente só vai fazer música”, e eu falei “se eu tiver que fazer só música vou ter que arrumar um emprego, irmão”(risos). Não consigo só fazer música – gosto do ritmo que tá agora. O que me leva a fazer música é viver do jeito que vivo. Se tiver só que fazer rap vou voltar a fazer rima da rima, rap falando de rap, tá ligado? É esse bagulho chato que tá rolando no rap: pra fazer dinheiro, nego  acha que tem que ficar falando de dinheiro. Imagina se o João Gilberto pra receber tivesse que fazer música, [cantarola a moda da bossa nova] “Vocês precisam me pagar porque a situação tá foda”(muitos risos).</p>
<p><strong>19. Mas quem tá de novidade nesta nova mixtape, afinal?</strong></p>
<p>O Casp tá na [mixtape] <em>Emicídio</em>, o Renan Samam – um cara que o [produtor e MC curitibano] Nave me apresentou&#8230; A base da “Então Toma” [do Renan Samam] eu escutei e pensei “caralho, que base zica!”. E rolou identificação: ele começou a colar aqui direto – e ele mora longe pra caramba –, dormiu até no chão um dia (risos). A gente tirou foto e tá no encarte da mixtape (risos).  Tem o Laudz que é de Curitiba, tem o Skeeter, do Vale do Paraíba, que foi o AXL [MC e produtor de eventos do Vale do Paraíba] que me apresentou.</p>
<p><strong>20. Fala dessas intervenções de rua que vocês vão fazer&#8230;</strong></p>
<p>É o lance que estou achando mais louco desse projeto são essas intervenções. Às vezes vou tocar num lugar onde as pessoas nunca escutaram rap e eu vejo a magia que um freestyle tem, tá ligado?  Fora toda essa coisa de mandar seu material pra imprensa, divulgação, tem essa construção invisível que dá solidez sabe? A repercussão é grande porque estou em muitos lugares diferentes. A ficha vai cair na cabeça do cara que me ver na calçada fazendo uma rima com um rádio [refere-se ao Boombox recém-adquirido] e vai me ver no Jô Soares, tá ligado? Todas as pessoas se juntam nesse momento. Embora os canais não mostrem, as rádios não toquem, é o tipo de ideia que as pessoas escutam, músicas que retratem a vida das pessoas sem essa pobreza temática de “amor, ciúme e separação”. Eu toco em casa noturna, mas não é o lugar onde prefiro tocar: o lance vai voltar pra rua. Tem nego que acha a maior conquista tocar em casa na Vila Olímpia [área boêmia de SP onde ficam as casas noturnas mais caras], mas eu acho a maior derrota. A gente sai lá da puta que o pariu, lá do [bairro onde vive o MC] Cachoeira – onde eu gostaria que as pessoas escutassem essa parada –, pra tocar num lugar onde o cara tá preocupado com a garrafa de whisky de duzentos reais. É bom tocar lá [enfático] também. Mas fico triste do rap estar preso ao centro [da cidade]. O lance que vai dar solidez ao rap é fortalecer o lugar de onde ele veio.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Dia 16/10 acontecerá a festa de lançamento da mixtape Emicidio no Estúdio M.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<div id="attachment_4431" class="wp-caption aligncenter" style="width: 561px"><strong><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Flyer_web.jpg"><img class="size-full wp-image-4431  " title="Flyer_web" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Flyer_web.jpg" alt="Divulgação: Festa de lançamento da mixtape Emicidio" width="551" height="374" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Divulgação: Festa de lançamento da mixtape Emicidio</p></div>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Para mais informações, acesse: <a href="http://www.laboratoriofantasma.blogspot.com" target="_blank">www.laboratoriofantasma.blogspot.com</a></strong></p>
<p style="text-align: left;">
]]></content:encoded>
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		<title>Ellen Oléria – Militante do Groove</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 21:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Nóiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cantora brasiliense se apresenta em SP e ressalta o valor das mulheres na música negra nacional. “Somos senhoras do nosso som”. Por Gisele Coutinho Ela começou sua carreira há 10 anos. Com humildade diz que “se considera engatinhando e que tem muito chão ainda”. Autodidata, filha de sanfoneiro, ela iniciou sua trajetória tocando instrumentos musicais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Cantora brasiliense se apresenta em SP e ressalta o valor das mulheres na música negra nacional. “Somos senhoras do nosso som”.</em></p>
<p>Por Gisele Coutinho</p>
<p>Ela começou sua carreira há 10 anos. Com humildade diz que “se considera engatinhando e que tem muito chão ainda”. Autodidata, filha de sanfoneiro, ela iniciou sua trajetória tocando instrumentos musicais em casa, enquanto observava seu irmão Dadá e sua irmã LN. “A música sempre fez parte do nosso cotidiano de uma maneira muito ativa. A gente não só curtia música, a gente fazia música desde muito cedo”, diz Ellén.</p>
<p>Mas o caminho não é só de rosas ou boas recordações. A cantora brasiliense diz que se tornar profissional foi um processo violento, com demandas burocráticas e o mercado fonográfico. “Hoje em dia é bom entender o quanto antes que a figura da artista não pode se desatrelar da figura da empreendedora. Senão, sem chance”, diz convicta enquanto se recorda que aprendeu a produzir “na marra” e que esse processo é mais doloroso quando se é independente. Hoje, Ellén está mais segura para compor, arranjar e também para negociar.</p>
<p>Prestes a se apresentar em São Paulo (neste sábado, dia 28 de agosto, no espaço +Soma), Ellen Oléria conta ao NOIZ como começou sua carreira na música, sua ligação com o teatro e com o rap.</p>
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"><span style="font-family: Times New Roman;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/DSC_0200.1.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-4090" title="DSC_0200.1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/DSC_0200.1-964x1024.jpg" alt="DSC_0200.1" width="405" height="430" /></a></span></p>
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"><span style="font-family: Times New Roman;"><br />
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<p><strong>Você tem conhecimento técnico tanto com violão quanto com a voz. Você é autodidata?</strong></p>
<p>Sou autodidata em todas as frentes da música onde atuo. Aprendi a tocar violão e o que eu sei de percussão foi observando os músicos à minha volta. Tive muita sorte de ter tido perto na infância muitos tipos de instrumentos. Apesar de não ter condições pra comprá-los, frequentava uma comunidade que oferecia pra nós essa oportunidade. Aprendi a cantar cantando. Por eu ser muito desorganizada nunca consegui estudar profundamente tudo o que desejei. Por isso toco muitos instrumentos de &#8220;qualquer jeito&#8221; – é o meu melhor, mas deixa a desejar (risos). Hoje já passo um tempo com meu violão, tocando e cantando. Estudo mesmo, do meu jeitinho e o melhor: só [estudo] o que gosto!<strong> </strong></p>
<p><strong>Como é a cena em Brasília para trabalhar como atriz e como cantora?</strong></p>
<p>Eu optei por, nesse momento, deixar um pouco a cena do teatro mais distante, dedicar mais tempo pra música. Mas, minhas amigas e amigos do teatro tão aí na ativa. Então há produção. Assim que houver um projeto que me interesse de alguma forma também, a gente volta pro teatro, ou pro cinema, quem sabe? O lance é estar preparada pra entrar em cena. Eu tô parada há algum tempo, tô esperando que seja como andar de bicicleta: a gente nunca esquece (risos). Vou ter que estudar e me preparar.</p>
<p><strong>Fale sobre a carreira de atriz. Qual foi o primeiro papel, como surgiu essa história?</strong></p>
<p>Meu primeiro papel, que eu lembre, foi uma prostituta. Estava na oitava série do ensino fundamental. Eu me preparava pro vestibular e não sabia ainda pra que área ia fazer a prova. Assisti a um filme da Ana Carolina chamado “Das Tripas Coração&#8221;. Curti muito o lance do simbolismo e decidi que queria muito trabalhar com algo assim. Mas não tinha cinema na Universidade de Brasília. Ou eu estudaria lá, onde o ensino é público, ou não estudaria, porque minha mãe não podia pagar. Então vi que tinha teatro, achei que tinha a ver com o que eu queria. Passei! Eu nunca tinha ao menos ido ao teatro. Estava no segundo semestre (verdinha, verdinha&#8230;), o Hugo Rodas, grande diretor e encenador, me convidou pra substituir um ator de sua companhia. Eu topei e fiz uma velha catadora em <em>Preciosas Promessas: O Caminho de Amalfi</em>. Depois disso ele me chamou de novo pra fazer uma das três feiticeiras de <em>Rosa Negra &#8211; Uma Saga Sertaneja</em>. Viajamos Norte e Nordeste. Foi bom demais. Nessa viagem eu cantava em tudo que era boteco. Descobri aí que queria ser profissional da música. Obrigada, Cia. dos Sonhos! [nome da companhia de teatro brasiliense].</p>
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"><span style="font-family: Times New Roman;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/livro_dois_087-copy-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-4092" title="livro_dois_087 copy 2" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/livro_dois_087-copy-2-1024x682.jpg" alt="livro_dois_087 copy 2" width="491" height="327" /></a><br />
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"><br />
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></p>
<p><strong>Você já trabalhou com o GOG e já cantou ao lado do Emicida. Seu som tem forte influência de rap, as músicas falam sobre uma rotina dura e crua e ao mesmo tempo fala sobre amor (até amor de mãe). Fale sobre o rap no seu trabalho. E essas letras sobre o cotidiano? A sua vida é assim? A inspiração vem daí?</strong></p>
<p>O rap surge na minha vida pelo meu irmão Dadá. Ele curte muito, ele ouvia e eu tinha que ouvir. A casa era pequena e os cômodos compartilhados. A música de um/uma era a música de todos, forçosamente. Ouvindo rap passei a apreciar a poesia, o pancadão do grave e todas aquelas estórias cantadas que eram tão minhas também. O GOG tinha visto um show nosso, eu e a banda Pret.utu. Ele curtiu, fez o convite, eu gravei com ele a faixa &#8220;Carta à Mãe África&#8221; do disco <em>Aviso Às Gerações</em>. Nas gravações eu conheci o talento do RAPadura também e tenho a alegria de dizer que Emicida é meu parceirão. DJ Jamaika é também uma figura bem do comecinho. Hoje em dia ouço muito a Flora Mattos, Erykah Badu, Jill Scott, Zap Mama – que são minas que cantam suas poesias na batida do hip hop.</p>
<p>O rap traz uma carga pessoal, geralmente. Por exemplo, não me lembro de ter ouvido um/uma rapper mandando letra de outro num show. O rap é meio auto-identitário. Minhas letras também acabam passando sim pela experiência vivida/vista/ouvida. Mas, esse é o belo da poesia: depois de pronta, ela não tem dona.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O que vem pela frente no caminho de Ellen Oléria? Conta um pouco sobre turnês neste ano.</strong></p>
<p>A gente tá com o DVD todo captado. Com as participações de GOG e do rei do soul brazuca, o Gérson King Combo. Meu irmão Dadá e minha irmã LN relembraram comigo o começo de tudo, cantando uma música comigo. A gente precisa de grana pra terminar esse projeto e lançá-lo. Estamos batalhando pra isso. Empresariado, invistam aqui! A gente trabalha bastante pra fazer melhor a cada dia. Fomos pra Sampa em março e pretendemos voltar bastante. Oxalá funcione como desejamos. Nosso desejo é trabalhar! Vou convidar a galera pra acompanhar nossas próximas paradas no site <span style="color: #0000ff;"><strong><a href="www.ellenoleria.com" target="_blank">www.ellenoleria.com</a></strong></span>.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"><br />
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/unificado-1024x7441.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4102" title="unificado-1024x744" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/unificado-1024x7441.jpg" alt="unificado-1024x744" width="494" /></a></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">
<p><strong>Sobre o processo de gravação do disco. Quanto tempo demorou pra compor e gravar esse álbum? Percebo um cuidado com palavras e duplos sentidos na composição. É algo bem rico e elaborado. Cada rima tem um efeito muito forte. Como você compõe?</strong></p>
<p>Geralmente vem tudo junto letra, melodia, harmonia. Faço minhas levadas já pensando no que acontecerá na bateria, no baixo&#8230; Sempre foi muito assim. (o que quer dizer que não tenho uma regra, mas frequentemente acontece assim – às vezes a letra vem primeiro, às vezes só a ideia do groove, enfim). O disco <em>Peça,</em> que nós lançamos em junho de 2009 é um pouco inusitado. A gente já estava trabalhando no disco sem saber que seria um disco. Há músicas ali que tem 10 anos (“Senzala &#8211; A Feira da Ceilândia”). E há músicas que foram terminadas uma semana antes de entrar no estúdio pra gravar, como a faixa “Testando”. A banda já arranjava comigo as músicas antes da gente saber que elas entrariam num disco. O disco é um mosaico, um retrato desse tempo em que tive o privilégio de trabalhar com Célio Maciel (batera), Paula Zimbres (baixo) e Rodrigo Bezerra (guitarrista e produtor do disco).</p>
<p><em>Peça</em> foi um disco suado, mesmo sendo uma alegria e uma realização muito grande fazê-lo, foi muito doloroso pra mim (eu que fiz a produção executiva toda, fiquei muito nervosa pra entrar no estúdio pela primeira vez pra gravar meu som). É pra ser nosso cartão de visita e falar um pouco sobre o que fazemos e como fazemos. Eu entendi como é difícil ser artista. Todo mundo quer ouvir o grito da galera, mas pouca gente tá disposta a encarar a dura trilha até o palco e o estrelato. Mas como toda artista, tô louca pra fazer o próximo!</p>
<p><strong>Como foi a distribuição do seu disco? Fala um pouco sobre isso e o esquema com gravadoras x independência.</strong></p>
<p>Nós não temos gravadora/distribuidora/selo de discos. Todas as etapas desde a produção do disco e direção do show até a venda dos discos pelo Brasil são feitas por nós. O disco vai chegar para a galera em qualquer lugar do Brasil, mas não teremos nenhum atravessador entre nós recebendo percentual da nossa produção. A galera entra no site e compra o disco. Nossa equipe envia pelo correio com toda a segurança. A galera acompanha o trajeto do disco pelo site dos correios através de um número que ela recebe em seu mail (esse é o recurso que utilizamos). Poderíamos ter uma estrutura que nos oferecesse mais tranquilidade e menos trabalho? Poderíamos se tivéssemos uma gravadora que nos representasse. Se a gente ficar esperando o Mágico de Oz, nós é que perdemos. Então, estamos encarando nós mesmas, quando digo nós mesmas estou me referindo à Suelene Couto, que tem sido uma sentinela desse projeto. Ela me produz desde o lançamento do disco, dá o sangue pra essa estrutura que conseguimos construir funcione e tem funcionado super bem. E tem sido ótimo porque não tem ninguém me dizendo o que eu tenho que falar, ou o que eu tenho que cantar, nem o que vestir. Somos senhoras do nosso som.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"><br />
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/capa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4089" title="capa" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/08/capa.jpg" alt="capa" width="462" height="448" /></a></p>
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<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"> </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="color: #ff6600;">BAIXE AGORA MESMO O DISCO &#8220;PEÇA&#8221;<br />
</span></strong></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="color: #ff6600;"><br />
</span></strong></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">Para baixar, clique <a href="http://migre.me/16Vt4" target="_blank">AQUI</a></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000; font-weight: normal;"><span style="font-size: large;"><span style="color: #ff6600;">28 de agosto as 21HS no espaço mais soma</span></span></span></span></strong></p>
<p><strong>Rua Fidalga n°98</strong><strong><br />
</strong>15 R$ PREÇO ÚNICO<br />
10 R$ (nome na lista)<br />
<em>Lista: info</em>@<em><a href="http://maissoma.com/" target="_blank">maissoma.com</a></em><br />
Estacionamento: Em frente (não conveniado)<br />
Área para fumante<br />
Telefone: (11) 3034-0515<strong> </strong></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt;">
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		<title>Projota – da promessa à realidade</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Sep 2010 13:00:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O MC paulistano conta desde quando começou a fazer rap, até a gravação da sua mixtape no estúdio da banda Strike ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O MC paulistano conta desde quando começou a fazer rap, até a gravação da sua mixtape no estúdio da banda Strike</em></p>
<p>Ao descermos em frente a uma franquia de uma famosa rede de supermercados no Lauzane Paulista, quebrada do MC Projota, somos recebidos pelo próprio que já nos aguardava para o bate-papo. Cumprimentos de praxe, “aonde você acha que é legal para a gente fazer a entrevista?”, pergunto ao entrevistado. “Na minha laje!”, mandou de bate-pronto Projota, com um sorriso de quem tem o seu bairro como pátria.</p>
<div id="attachment_4340" class="wp-caption aligncenter" style="width: 504px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Projota-1_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4340  " title="Projota 1_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Projota-1_lucianafaria.jpg" alt="Por: Luciana Faria" width="494" /></a><p class="wp-caption-text">Por: Luciana Faria</p></div>
<p><strong>Quando você decidiu cantar rap? E foi ouvindo quem que você pensou &#8220;eu quero fazer essa parada&#8221;?</strong><br />
Eu comecei a fazer rap com 16 anos. Fazer rap na verdade até se confunde com quando eu comecei a ouvir rap. Acho maneiro que eu tenho esse momento onde falei &#8220;vou fazer isso aí&#8221;, e foi assistindo o clipe do MV Bill, que eu achei foda a letra e ele falou uma pá de coisa que eu queria falar.</p>
<p><strong>Quais são suas principais referências musicais?</strong><br />
RZO, Legião Urbana, Linkin Park, Belchior.</p>
<p><strong>Você está na cena faz alguns anos e com auxílio da internet com certeza é mais fácil divulgar a sua música. Mas para vender o trabalho facilitou também?</strong><br />
Eu devo muito à internet, porque foi ali que o meu trampo chegou, colocando uma musiquinha por semana no myspace, devagar mesmo, tá ligado? Acho muito difícil conseguir colocar o meu trampo na rua sem antes ter deixado ele à disposição sem nenhum custo para o ouvinte. Se não fosse pela internet, eu não conseguiria criar no público essa expectativa para conhecer o meu novo trabalho, que está chegando aí dia 19/09.</p>
<div id="attachment_4339" class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/projeção.jpg"><img class="size-full wp-image-4339 " title="projeção" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/projeção.jpg" alt="projeção" width="320" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">Capa da Mixtape Projeção</p></div>
<p><strong>Você lançou um EP, Carta Aos Meus, no ano passado,.Como foi a experiência? A Zona Norte de São Paulo tem apresentado diversos nomes nesta nova safra do rap brasileiro. A que você atribui esse surto?</strong><br />
O Carta ao Meus, foi onde me consolidei no rap. Foi depois da minha mixtape que eu passi a viver mesmo dessa parada. Não vejo nenhum motivo exato, pode ser uma grande coincidência, o mais importante é que os moleques tem em quem se espelhar, pessoas que possam nortear eles.</p>
<p><strong>“Projeção” que vai estar nas ruas dia 19/09, com o mesmo profissionalismo de artistas de outros gêneros.</strong></p>
<p><strong>Das suas vitórias profissionais qual foi a maior até agora?</strong><br />
Viver da minha música, pagar as minhas contas, coisa que eu não conseguia ano passado. E ver as portas que a qualidade do meu som abriu.Um exemplo foi a gravação da mixtape.</p>
<div id="attachment_4341" class="wp-caption aligncenter" style="width: 290px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Projota-2_lucianafaria.jpg"><img class="size-full wp-image-4341" title="Projota 2_lucianafaria" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Projota-2_lucianafaria.jpg" alt="Projota 2_lucianafaria" width="280" height="420" /></a><p class="wp-caption-text">Por: Luciana Faria</p></div>
<p><strong>O que podemos esperar da sua nova mixtape, Projeção? E qual o motivo do nome?</strong><br />
A mixtape vem com metade do EP nela, e 10 faixas inéditas e, provavelmente, 19 faixas. O nome reflete bem o meu momento, eu acredito que já sou uma realidade nessa parada do rap, mas muitos ainda não botam fé, pensam &#8220;o cara nunca lançou nada de verdade&#8221;. E agora é o momento de firmar meu nome como realidade e não como promessa.</p>
<p><strong>Você acredita que a rapaziada do rap tem um certo preconceito em ver o estilo se misturando com outros e aparecendo em certos meios de comunicação? O que você acha disso?</strong><br />
Eu discordo plenamente de quem pensa assim. Tanto é que estou gravando a minha mixtape inteira na casa dos caras do Strike. Eles também me convidaram para tocar no HSBC Brasil. Pô, milhares de pessoas e eu nunca tinha tocado para mais de mil pessoas &#8211; isso é totalmente positivo para o rap.</p>
<p><strong>Você ainda sente esse tipo de preconceito muito forte?</strong><br />
Sinto. Mas eu acho maneiro que quando eu fiz (a participação no show da banda Strike) teve uma molecada que veio falar &#8220;Não, isso não pode. você tá louco? Você está se vendendo!&#8221; Eu rebati e todo mundo concordou comigo, mas isso acontece porque as pessoas confiam no meu retrospecto.</p>
<p><strong>O que te faz acreditar que o rap vai entrar de vez na grande mídia?</strong><br />
O Multishow já é um exemplo. E os caras lá atrás já trilharam esse caminho, e o rap hoje em dia não assusta tanto. A forma como é dito é mais global.</p>
<div id="attachment_4338" class="wp-caption aligncenter" style="width: 537px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/flyer-rap-no-lauzane-022.jpg"><img class="size-full wp-image-4338" title="flyer rap no lauzane 02(2)" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/flyer-rap-no-lauzane-022.jpg" alt="flyer rap no lauzane 02(2)" width="494" /></a><p class="wp-caption-text">Flyer: Rap no Lauzane</p></div>
<p><strong>Tem alguma participação do Strike na sua mixtape &#8221;Projeção&#8221;?</strong><br />
O André que é o guitarrista deles ele participou na guitarra, baixo e violão.</p>
<p><strong>Você acredita que você possa fechar com alguma grande gravadora ?</strong><br />
Acredito, se eu puder dar continuação ao meu trabalho. Se fechar com uma gravadora representar que vou ter que mudar o modo como me visto, canto, falo, é claro que não vai rolar. Até porque eu não preciso disso, eu já vivo dessa parada.</p>
<p><strong>Você acredita que a sua música pode transformar vidas? O cantor de rap é um artista ou militante</strong><br />
Acredito ! Já teve gente que olhou na minha cara e falou eu não acredito que a música pode mudar uma vida. E ao mesmo tempo muita gente fala &#8220;você mudou a minha vida!&#8221; E isso dá um sentido para minha vida, é inacreditável. [Acho que o cantor de rap é] Mais militante do que artista. Mas é artista também &#8211; música é arte, e se o rap é música, também é arte.</p>
<p><strong>Qual é o seu conselho para quem está começando a cantar rap?</strong><br />
Acredito que a internet facilita bastante na divulgação. E que colocando seu trampo na internet, você conquista uma boa demanda para vender a parada fisica.</p>
<p><strong>Como você define o trampo de MC? </strong><br />
Como aquele louco que não pode errar, tá ligado? Escutem agora com exclusividade no site NOIZ a música &#8220;Samurai&#8221;, faixa 18 da Mixtape Projeção, que tem produção, letra e mixagem assinada pelo próprio MC e conta com a particpação do MC Terra Preta nos vocais  e  masterização do DJ Caique (do selo 360 graus ).</p>
<p><strong>O próprio MC define a música Samurai como &#8220;FEITA PARA SALVAR VIDAS&#8221;!</strong><br />
<strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Projota-Samurai4c.mp3">Projota Samurai</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>Cogumelo Panda E Seu “Hippie Hop”</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 23:47:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[soul]]></category>
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		<category><![CDATA[Workshop]]></category>

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		<description><![CDATA[Grupo une talentos de SP e MG e expande o universo hip hop indo de preocupações do dia-a-dia até o espaço sideral embalados em beats incomuns]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Grupo une talentos de SP e MG e expande o universo hip hop indo de preocupações do dia-a-dia até o espaço sideral embalados em beats incomuns</em></p>
<p>Por Arthur Dantas</p>
<p>Letras que vão de produtos falsificados até cerveja embalada à vácuo, viagens no espaço, reprovação escolar em razão no vício em vídeogames, crônicas de um submundo tecnológico e enfumaçado, fragmentos de histórias de amor, alienígenas, fluxos de consciência e beats tirados de jogos, cheio de texturas e samples de filmes&#8230; nada leva a crer que seja um grupo de rap nacional. Até aqui, parece mais alguma descrição de grupo do selo norte-americano Anticon. Mas não: falamos do Cogumelo Panda, trio formado em outubro de 2009, resultado do encontro do produtor Zé Rolê (tcc Psilosamples) de Pouso Alegre (MG) e os MCs de rimas pouco convencionais Freddy Gagarin e Brunão Berkeras, de Guarulhos (SP).</p>
<p>“Cogumelo Panda é uma espécie rara de fungo que brota no imaginário musical trazendo  a tona sandices e devaneios de quem transita entre os dois lados da realidade: o lado de quem trabalha e bate cartão de ponto, e o de quem sonha e transforma seus delírios em letras e ritmos”, resumem em seu release. Isso tudo é sintetizado nos versos do MC Brunão na faixa “Tarja Preta”: “O fardo é árduo, a vida é dura / mas se a mente vive sã não te falta estrutura. / O caminho é completo / pra quem tem o olho aberto / a loucura te persegue / mas com amor o bem é certo”. Foi com ele que conversamos um pouco, onde falou da gênese do Cogumelo Panda, do EP, de “hippie hop” e de como surgiu a parceria entre Mcs da grande São Paulo com um produtor do Sul de Minas.</p>
<div id="attachment_4306" class="wp-caption aligncenter" style="width: 504px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/cogu_vendas.jpg"><img class="size-large wp-image-4306" title="cogu_vendas" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/cogu_vendas-1023x439.jpg" alt="cogu_vendas" width="494" /></a><p class="wp-caption-text">Clique na imagem para ampliar</p></div>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: justify;"><strong>E ATENÇÃO</strong>: como o grupo lança este EP neste sábado, 11 de  setembro, no Tapas Club (com discotecagem de vários Djs, como deste  escriba!), o trio disponibilizou 2 entradas + 2 EPs para quem responder  em nosso twitter (twitter.com/sitenoiz) primeiro a pergunta: “De quais  cidades vieram os 3 integrantes do Cogumelo Panda?”</p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No seu grupo anterior, o Doble-Co, era apenas você e o Freddy “Coveiro” Gagarin?</strong> Bruno “Alcione” Berkeras: Bom, antes disso nós tocávamos numa banda de hardcore chamada ADHAGA</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E como acabaram no rap?</strong> Desde a época do hardcore teve muita banda aqui em Guarulhos de rapcore. Tinha várias bandas, Mad Obssession, Outilive. Daí surgiu a primeira banda de rap aqui na área, chamada Afroindígena. Ah, já tinha o SNJ também. Mas onde tudo ocorreu foi no Espaço Florestan Fernandes, um Ponto de Cultura de Guarulhos, onde tinha cursos de DJ, MC e break. Na época eu escolhi break. E tinha a rádio Guetto FM, pirata.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E aí vocês viram que tinham mais talento pra MCs do que pra vocalistas de hardcore (risos)?</strong> O Freddy sim, porque era vocalista (melhor gritalista) &#8211; eu tocava bateria “tupá tupá”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cansou de ficar no fundo e quis ganhar mais atenção como MC né?</strong><a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=1323096118"><br />
</a>É bem essa mesmo, eu ficava fritando na batera e saia do show fedendo! Sempre quem pegava as minas era o vocal q tava cheirozinho (risos gerais). Só quando sobrava [mulher] os caras jogavam lá pro fundo! (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_4318" class="wp-caption aligncenter" style="width: 504px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/31.jpg"><img class="size-full wp-image-4318" title="3" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/31.jpg" alt="3" width="494" /></a><p class="wp-caption-text">Divulgação</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;"><strong>E o Doble-Co? Como surgiu e porque acabou?</strong><br />
Então, o Doble Co surgiu na Casa Abominável. Eu tinha um estúdio que virou um ateliê, que virou só festa e depois virou uma dívida gigante (risos). Nas festa na casa ligava um som e tinha um camarada que tava começando a produzir uns beats na época e levou uns 5 pra gente ficar cantando na casa! Então, o primeiro grupo chamava-se 3 Vezes e era eu, o Freddy e o Claytinho. Mas o Claytinho trampa com fotografia e sempre tava trampando! Aí veio o Doble-Co</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E porque esses nomes estranhos, Doble-Co e Cogumelo Panda?</strong><br />
Doble-co: Duplo nocaute e Cogumelo Panda foi depois de uma viagem. Eu estava dormindo numa barraca na fazenda do Pedro [em Heliodora, onde anualmente acontece a festa Roqueiro Velho] e acordei com uma olheira cabulosa. (Nota do editor: imagina-se que um cara grande e gordo de olheiras pareça um panda. O cogumelo do nome fica por conta do leitor&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E como vocês foram achar um beatmaker no interior de minas [o Zé Rolê tcc Psilosamples, de Pouso Alegre, Sul de Minas]? </strong><br />
Então, o Zé na época do do Doble-Co escreveu em nosso myspace e curtiu um som que falava de vídeo-game, falou que ia mandar um beat pra gente cantar em cima e mandou mesmo! E nóis não cantamos até hoje em cima – era um samba que virava um funk todo quebrado e que quebrou com a gente (risos)! Depois desse ele não parou de mandar é hoje. Aí mandamos nosso DJ da época comprar cigarro e ele nunca mais voltou&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_4266" class="wp-caption aligncenter" style="width: 382px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/cogu_tapas.jpg"><img class="size-full wp-image-4266" title="cogu_tapas" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/09/cogu_tapas.jpg" alt="cogu_tapas" width="372" height="526" /></a><p class="wp-caption-text">Divulgação</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Fala um pouco do EP “O Diário de Yuri Gagarin”. Quantos sons, como foi gravação etc, como vai ser o show?</strong><br />
Então, esse EP saiu pela Bafo Quente, um subselo da Desmonta Discos [selo que lança M.Takara e os diversos projetos do músico Kiko Dinucci], com 5 sons e uma intro. São cinco beats do Zé e um produzido pelo SALA 70, com participações do MC Pastor do grupo Internamente e do MC James do Afroindígena.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>E esse tal de &#8220;hippie hop&#8221;? O que vocês mais curtem dos hippies: o amor livre, as drogas ou o rock n roll?</strong><br />
O amor (risos), minha mãe vai ler isso! (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Beastie Boys ou Bad Brains?</strong><br />
Bad Brains.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E de onde vem essa fixação com as coisas do espaço sideral?</strong><br />
Admirável Mundo Novo [refere-se ao clássico livro de ficção científica de Aldous Huxley].</p>
<p><strong>Pra fechar o papo: onde os loucos são mais firmezas: no Guarubronks ou em Pouso Alegre/Heliodora?</strong><br />
Em todo lugar tem louco: de Guarulhos em Pouso Alegre, e de Pouso Alegre aqui em Guarulhos (risos).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://noiz.com.br/entrevistas/cogumelo-panda-e-seu-%e2%80%9chippie-hop%e2%80%9d.html"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
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		<title>Victor Alvim, o “Lobisomem”</title>
		<link>http://noiz.com.br/entrevistas/victor-alvim-o-%e2%80%9clobisomem%e2%80%9d.html</link>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 02:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juca Guimaraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual foi o seu primeiro contato com a literatura de cordel? Vim conhecer a literatura de cordel já depois de adulto. Nasci no Rio de Janeiro e aqui não temos a tradição do cordel tanto quanto no Nordeste brasileiro. Quando comecei a praticar capoeira aumentei em muito meu interesse em diversas áreas da cultura popular, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/1.jpg"></a><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/2.jpg"><img class="size-full wp-image-3522 alignnone" title="2" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/2.jpg" alt="2" width="500" height="346" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual foi o seu primeiro contato com a literatura de cordel?</strong><br />
Vim conhecer a literatura de cordel já depois de adulto. Nasci no Rio de Janeiro e aqui não temos a tradição do cordel tanto quanto no Nordeste brasileiro. Quando comecei a praticar capoeira aumentei em muito meu interesse em diversas áreas da cultura popular, incluindo a literatura de cordel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como vc vê a projeção da literatura de cordel para outros Estados? O imaginário e a técnica narrativa do cordel podem se adaptar aos temas do cotidiano de grandes metrópoles também? Existe um cordel urbano? Vc pode citar alguns exemplos?</strong><br />
O cordel vem acompanhando as transformações do mundo, principalmente nos temas. São abordados os assuntos mais diversos, tudo o que se imaginar pode ser descrito em cordel. Temos poetas em muitos outros estados fora do Nordeste, mas esta região continua sendo a maior referência. Citando exemplos de cordéis atuais: Big Brother Brasil – Um programa Imbecil; O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em Cordel, o livro LULA na LITERATURA DE CORDEL, Manual da Copa do Mundo; ABC da Gramática, Camisinha para todos etc</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>De que forma a internet pode ajudar a divulgação do cordel clássico?</strong><br />
Facilitando o acesso a informações históricas sobre o cordel, sobre seus maiores poetas, vendas de folhetos via correio, disponibilizando em sites e blogs grandes clássicos do gênero, muitos já com quase um século de existência e que hoje podem ser lidos pela internet por pessoas de todo o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por ser um meio de comunicação, a internet pode ser uma ferramenta para o surgimento de um novo tipo de cordel ou a impressão no papel é uma característica fundamental do cordel?</strong><br />
Realmente a internet vem sendo um novo ambiente para o cordel. Muitos novos poetas vem mantendo uma produção exclusivamente virtual em comunidades do orkut.e blogs. Dezenas deles nunca publicaram um folheto impresso em papel mas são excelentes autores e mantém a qualidade de cordelistas mais tradicionais.<br />
Desafios virtuais também vem acontecendo entre poetas q moram distante e que certas vezes nem se conhecem pessoalmente. Algumas dessas pelejas já foram publicadas em folhetos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais as obras mais relevantes do Cordel na sua opinião?</strong><br />
Os grandes clássicos serão sempre, na minha opinião, as obras mais importantes. Leandro Gomes de Barros, João Martins de Atayde, José Camelo, José Pacheco, Firmino Teixera do Amaral&#8230;só pra citar alguns dos grandes autores e que considero todas as suas obras importantíssimas referencias. Citando alguns folhetos: A PELEJA DE RIACHÃO COM O DIABO; PELEJA DE CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO, A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, O ROMANCE DO PAVÃO MISTERIOSO, A MORTE DE GETÚLIO VARGAS, VIAGEM A SÃO SARUÊ entre muitas outras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vc acha da estética da xilogravura ser usada em outros formatos como: estampa de roupas, capas de CD, gravuras, camisetas, cartazes de filmes, etc etc etc.</strong><br />
Acho válido e muito bonito. Acredito que sempre q as xilogravuras forem usadas remeterão a literatura de cordel e ao Nordeste em geral. É como se fossem uma simbologia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a sua opinião sobre os movimentos sociais que pregam a preservação do purismo no cordel sem alterações no formato, temática e distribuição? Essa preocupação toda está asfixiando o Cordel?</strong><br />
Não vejo movimentos de purismo sendo pregados por pessoas relevantes no mundo do cordel atual. Vejo a maioria dos poetas acompanhando a evolução do mundo, dos temas e dos meios de comunicação, adaptando suas obras cada vez mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Cordel tem uma estrutura muito oral. Quando você escreve, o texto é definido pelo som das palavras?</strong><br />
É definido pela métrica. Um número exato de sílabas por verso, número de versos por estrofe e a estrutura de rimas entre os versos. Isso vai depender se o texto for em sextilha, setilha, martelo etc&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por muito tempo, o Cordel foi a único elemento literário que registrou a linguagem popular do nordestino. Atualmente, a língua ainda sofre suas alterações e é enriquecida com novas gírias, o Cordel ainda cumpre essa função de registrar o jeito de falar das pessoas. Esse registro é contemporâneo? Vc pode dar algum exemplo de gíria atual que já está presente no Cordel?</strong><br />
Acho que um exemplo que posso dar são meus próprios cordéis que misturam a linguagem nordestina com as gírias e expressões cariocas, já que sou nascido e criado no Rio de Janeiro. Olegário Alfredo de Minas Gerais também utiliza expressões típicas de sua região em seus folhetos. A linguagem é um reflexo do próprio autor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vc acha dos textos de rap? Eles têm alguma semelhança com o Cordel? Qual?</strong><br />
Não sou um profundo conhecedor do rap mas admiro muito os Racionais, MV Bill entre outros. Vejo que o rap é mais livre nas suas composições, não costuma seguir métricas regulares como o cordel. Mas tem a semelhança importantíssima de ser um meio de expressão que vai do povo pro povo. Uma linguagem que é compreendida perfeitamente por seus admiradores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Apelidos e causos são assuntos recorrentes na literatura de Cordel, de onde veio e porque Lobisomen?</strong><br />
Lobisomem foi o apelido que recebi quando fui batizado na capoeira. 99% dos capoeiristas são conhecidos por apelidos. O meu vem das minhas características físicas: sombrancelhas grossas e unidas, dentuço e “bicudo”. A partir de meu apelido aumentei ainda mais meu interesses pelos causos de lobisomens e coleciono livros, gibis, cordéis tudo que encontro sobre este personagem folclórico</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que o Zeca Pagodinho achou do Livreto de sua autoria&#8221;A Fantástica História de Zeca Pagodinho e o Extraterrestre&#8221;? que você fez em sua Homenagem.Qual a sua relação com o samba?</strong><br />
Curto samba desde a infância. Nasci no berço do samba:o Rio de Janeiro. Já toquei em bares com um grupo de samba, componho também e no meu primeiro cd solo transformei algumas cantigas de capoeira em samba. Zeca Pagodinho é meu ídolo e uma das figuras mais populares do Rio de Janeiro e talvez do Brasil. Resolvi homenageá-lo mas não queria escrever sua biografia. Li no jornal uma nota q ele tinha visto um disco voador e criei o restante da historia. Ainda não ouvi dele próprio o que achou do cordel mas acredito que tenha gostado pois postou uma matéria em seu site oficial, me enviou ingressos para o show de gravação de seu dvd e mandou me agradecer através de sua assessoria de imprensa. Espero em breve ouvir dele mesmo sua opinião sobre o cordel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você esta as vésperas de lançar o livreto &#8220;o maravilhoso encontro de jorge ben jor com são jorge&#8221;como grande defensor da cultura brasileira e da literatura cordel o que o seu encontro com Jorge Ben representou para você?E o que este livreto representa na sua história?</strong><br />
Lancei este livreto semana passada no dia 23 de abril, dia de São Jorge. Este trabalho representa uma homenagem a entidade que todos os dias peço proteção e luz para viver e me aproximar de Deus e também a um gênio da música popular brasileira e também devoto do santo guerreiro: JORGE BENJOR. Foi uma honra muito grande pra mim ter escrito este trabalho. Me emociono só de pensar nisto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3518" title="1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/1.jpg" alt="1" width="546" height="540" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde encontramos mais informações sobre você e seus trabalhos?como adiquiri-los?</strong><br />
Para maiores informações sobre a literatura de cordel visitem o site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel www.ablc.com.br ou meu blog www.quintal-do-lobisomem.blogspot.com  Quem quiser me escrever também fique a vontade: victorlobisomem@yahoo.com.br</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Obrigado a vocês pelo convite para entrevista e pela divulgação da cultura brasileira (Victor Alvim, o “Lobisomem”)</em></p>
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		<title>Dj Jeff-Bass, representando o Brasil na Europa</title>
		<link>http://noiz.com.br/entrevistas/dj-jeff-bass-representando-o-brasil-na-europa.html</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 13:53:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dj Zinco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Misturando muito groove brasileiro com outras vertentes da música negra, Dj Jeff-Bass tem dado o que falar fora do Brasil. Com sua mixagem técnica e muita música boa no repertório, originário de Curitiba, a terra em que os dj´s e produtores de hip-hop sempre estão em destaque, Jeff tem sacudido pistas de toda a Europa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Misturando muito groove brasileiro com outras vertentes da música negra, Dj Jeff-Bass tem dado o que falar fora do Brasil. Com sua mixagem técnica e muita música boa no repertório, originário de Curitiba, a terra em que os dj´s e produtores de hip-hop sempre estão em destaque, Jeff tem sacudido pistas de toda a Europa e vem conquistando seu espaço merecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Com vocês, DJ JEFF BASS:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Conta um pouco da sua história, como começou a tocar, seu primeiro contato com a música etc&#8230;</strong><br />
<strong>JEFF-BASS:</strong> Meu primeiro contato com música foi através do meu pai que é músico e tinha vários discos legais. A discotecagem surgiu pra mim quando eu Vi pela TV o Run DMC se apresentando e fiquei muito impressionado com o Jam Master Jay tocando&#8230; Na época eu era bem novo ainda mas decidi que queria aprender aquilo. O tempo passou e depois de ter me ferrado muito com o 3X1 lá de casa eu descobri que um amigo da escola tinha um par de toca-discos em casa, e o cara também colecionava discos e revistas sobre djs. Como eu era muito prego, não chegava nem perto do equipamento&#8230; Aprendi muita coisa só olhando mesmo, e depois ia pra casa praticar nas fitinhas k7. Bem depois eu trabalhei numa balada em Curitiba mesmo e aí conheci os equipamentos profissionais e vários djs que tocavam há muito tempo. Isso foi em 1995/1996 e foi aí que eu comecei mesmo a pensar na discotecagem como profissão.</p>
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://noiz.com.br/entrevistas/dj-jeff-bass-representando-o-brasil-na-europa.html"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
Como voce define seu estilo? Sabemos que você mistura muito nos sets, samba, soul, funk, grooves brazucas, mangue-beat&#8230;.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>Bom&#8230; Pra mim a música não tem limites, seja brasileira, americana, africana, enfim&#8230; Não gosto muito de definir o que eu faço, mas quando é necessário eu digo que toco música negra, o que já é muito abrangente! Se você analizar, são pouquíssimos estilos de música ocidental que não tem raízes negras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fale um pouco sobre suas mix-tapes, quantas já fez ao todo? Qual a importância delas na sua carreira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS:</strong> Há alguns anos atrás eu comecei a gravar uns sets em CD e distribuir pra galera, vendia alguns só pra bancar a produção do material mesmo. Mas um tempo depois eu percebi que eu poderia lançar no meu blog e assim atingir um público maior e sem custo nenhum. Mas isso também desvalorizava um pouco o trabalho.</p>
<p>Então em 2007 eu mostrei pro meu amigo Uilson Groove um set de funk e samba dos anos 60 e 70 que eu gravei e ele curtiu muito,  e como ele estava com uma idéia de montar um selo pra divulgar os djs que tocam esse tipo de som, ele perguntou se eu gostaria de lançar aquele Set em CD.</p>
<p>Falei com um amigo de Brasília, o DJ Oops (Criolina) que fez uma capa bem legal e o CD saiu um tempo depois. Tivemos problemas com a duplicação do material e por isso tem poucas cópias em CD por aí, mas foi graças a essa &#8220;mix-tape&#8221; (DJ Jeff Bass #1) que eu fui convidado pela primeira vez a tocar fora do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a href="http://noiz.com.br/entrevistas/dj-jeff-bass-representando-o-brasil-na-europa.html"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
Como foi tocar pela primeira vez na Europa? Em quais países ja tocou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>No começo foi difícil de acreditar! Eu tive que me adaptar a algumas coisas pra poder ir&#8230; a primeira delas foi tocar com serato que era uma coisa que eu não curtia, mas tive que comprar um por uma questão de praticidade, não tinha como carregar vários cases de discos.</p>
<p>Acabei descobrindo que é uma ferramenta e tanto e hoje uso pra tocar em todas as minhas gigs. Viajei pra europa pela primeira vez em 2007 pra tocar na Bélgica e na Itália, em 2008, Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra&#8230; e agora em 2009/2010 na França, Áustria, Eslováquia, Portugal,Itália e Alemanha.</p>
<p>Ainda este ano volto para a França em Junho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a diferença do público brasileiro para o europeu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>Acho que a principal diferença é que na europa as pessoas são mais abertas a novidades, mas a vantagem do brasileiro é ser mais solto, mais alegre apesar de não dar o devido valor ao que é produzido aqui (música), mas isso já está melhorando também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fale um pouco sobre as festas que </strong><strong>você toca aqui no Brasil como a Cambalacho que já teve edições em SP</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>Eu ainda sou muito visto como DJ de Hip-Hop porque é a minha raiz, e por isso acabo tocando mais em festas &#8220;Black&#8221;, essas festas deram uma caída por um tempo mas estão voltando a acontecer, o que prova que não era uma coisa passageira. Ponto pra nós!</p>
<p>Aqui em Curitiba eu tenho uma parceria com dois amigos DJs (Anaum e Schasko) e um VJ (Bisquit) que é o projeto CAMBALACHO, que vai fez dois anos agora em fevereiro. Nestes dois anos levamos a festa para Brasília, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro graças a pessoas que tem projetos parecidos, e também fomos convidados a apresentar um programa numa rádio FM aqui de Curitiba.</p>
<p>A idéia do projeto é misturar músicas novas e antigas de estilos diferentes e dando um destaque para a música independente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Espaco aberto:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">twitter:<br />
<a title="twitter.com/djjeffbass" href="http://www.twitter.com/djjeffbass" target="_blank">twitter.com/djjeffbass</a></p>
<p style="text-align: justify;">canal no youtube:<br />
<a title="http://www.youtube.com/ssupafreakk" href="http://www.youtube.com/ssupafreakk" target="_blank">http://www.youtube.com/ssupafreakk</a></p>
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