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	<title>Noiz &#187; Entrevistas</title>
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	<description>Noiz Cultura Urbana</description>
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		<title>Victor Alvim, o “Lobisomem”</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 02:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juca Guimaraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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Qual foi o seu primeiro contato com a literatura de cordel?
Vim conhecer a literatura de cordel já depois de adulto. Nasci no Rio de Janeiro e aqui não temos a tradição do cordel tanto quanto no Nordeste brasileiro. Quando comecei a praticar capoeira aumentei em muito meu interesse em diversas áreas da cultura popular, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/1.jpg"></a><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/2.jpg"><img class="size-full wp-image-3522 alignnone" title="2" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/2.jpg" alt="2" width="500" height="346" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual foi o seu primeiro contato com a literatura de cordel?</strong><br />
Vim conhecer a literatura de cordel já depois de adulto. Nasci no Rio de Janeiro e aqui não temos a tradição do cordel tanto quanto no Nordeste brasileiro. Quando comecei a praticar capoeira aumentei em muito meu interesse em diversas áreas da cultura popular, incluindo a literatura de cordel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como vc vê a projeção da literatura de cordel para outros Estados? O imaginário e a técnica narrativa do cordel podem se adaptar aos temas do cotidiano de grandes metrópoles também? Existe um cordel urbano? Vc pode citar alguns exemplos?</strong><br />
O cordel vem acompanhando as transformações do mundo, principalmente nos temas. São abordados os assuntos mais diversos, tudo o que se imaginar pode ser descrito em cordel. Temos poetas em muitos outros estados fora do Nordeste, mas esta região continua sendo a maior referência. Citando exemplos de cordéis atuais: Big Brother Brasil – Um programa Imbecil; O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em Cordel, o livro LULA na LITERATURA DE CORDEL, Manual da Copa do Mundo; ABC da Gramática, Camisinha para todos etc</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>De que forma a internet pode ajudar a divulgação do cordel clássico?</strong><br />
Facilitando o acesso a informações históricas sobre o cordel, sobre seus maiores poetas, vendas de folhetos via correio, disponibilizando em sites e blogs grandes clássicos do gênero, muitos já com quase um século de existência e que hoje podem ser lidos pela internet por pessoas de todo o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por ser um meio de comunicação, a internet pode ser uma ferramenta para o surgimento de um novo tipo de cordel ou a impressão no papel é uma característica fundamental do cordel?</strong><br />
Realmente a internet vem sendo um novo ambiente para o cordel. Muitos novos poetas vem mantendo uma produção exclusivamente virtual em comunidades do orkut.e blogs. Dezenas deles nunca publicaram um folheto impresso em papel mas são excelentes autores e mantém a qualidade de cordelistas mais tradicionais.<br />
Desafios virtuais também vem acontecendo entre poetas q moram distante e que certas vezes nem se conhecem pessoalmente. Algumas dessas pelejas já foram publicadas em folhetos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais as obras mais relevantes do Cordel na sua opinião?</strong><br />
Os grandes clássicos serão sempre, na minha opinião, as obras mais importantes. Leandro Gomes de Barros, João Martins de Atayde, José Camelo, José Pacheco, Firmino Teixera do Amaral&#8230;só pra citar alguns dos grandes autores e que considero todas as suas obras importantíssimas referencias. Citando alguns folhetos: A PELEJA DE RIACHÃO COM O DIABO; PELEJA DE CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO, A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, O ROMANCE DO PAVÃO MISTERIOSO, A MORTE DE GETÚLIO VARGAS, VIAGEM A SÃO SARUÊ entre muitas outras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vc acha da estética da xilogravura ser usada em outros formatos como: estampa de roupas, capas de CD, gravuras, camisetas, cartazes de filmes, etc etc etc.</strong><br />
Acho válido e muito bonito. Acredito que sempre q as xilogravuras forem usadas remeterão a literatura de cordel e ao Nordeste em geral. É como se fossem uma simbologia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a sua opinião sobre os movimentos sociais que pregam a preservação do purismo no cordel sem alterações no formato, temática e distribuição? Essa preocupação toda está asfixiando o Cordel?</strong><br />
Não vejo movimentos de purismo sendo pregados por pessoas relevantes no mundo do cordel atual. Vejo a maioria dos poetas acompanhando a evolução do mundo, dos temas e dos meios de comunicação, adaptando suas obras cada vez mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Cordel tem uma estrutura muito oral. Quando você escreve, o texto é definido pelo som das palavras?</strong><br />
É definido pela métrica. Um número exato de sílabas por verso, número de versos por estrofe e a estrutura de rimas entre os versos. Isso vai depender se o texto for em sextilha, setilha, martelo etc&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por muito tempo, o Cordel foi a único elemento literário que registrou a linguagem popular do nordestino. Atualmente, a língua ainda sofre suas alterações e é enriquecida com novas gírias, o Cordel ainda cumpre essa função de registrar o jeito de falar das pessoas. Esse registro é contemporâneo? Vc pode dar algum exemplo de gíria atual que já está presente no Cordel?</strong><br />
Acho que um exemplo que posso dar são meus próprios cordéis que misturam a linguagem nordestina com as gírias e expressões cariocas, já que sou nascido e criado no Rio de Janeiro. Olegário Alfredo de Minas Gerais também utiliza expressões típicas de sua região em seus folhetos. A linguagem é um reflexo do próprio autor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vc acha dos textos de rap? Eles têm alguma semelhança com o Cordel? Qual?</strong><br />
Não sou um profundo conhecedor do rap mas admiro muito os Racionais, MV Bill entre outros. Vejo que o rap é mais livre nas suas composições, não costuma seguir métricas regulares como o cordel. Mas tem a semelhança importantíssima de ser um meio de expressão que vai do povo pro povo. Uma linguagem que é compreendida perfeitamente por seus admiradores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Apelidos e causos são assuntos recorrentes na literatura de Cordel, de onde veio e porque Lobisomen?</strong><br />
Lobisomem foi o apelido que recebi quando fui batizado na capoeira. 99% dos capoeiristas são conhecidos por apelidos. O meu vem das minhas características físicas: sombrancelhas grossas e unidas, dentuço e “bicudo”. A partir de meu apelido aumentei ainda mais meu interesses pelos causos de lobisomens e coleciono livros, gibis, cordéis tudo que encontro sobre este personagem folclórico</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que o Zeca Pagodinho achou do Livreto de sua autoria&#8221;A Fantástica História de Zeca Pagodinho e o Extraterrestre&#8221;? que você fez em sua Homenagem.Qual a sua relação com o samba?</strong><br />
Curto samba desde a infância. Nasci no berço do samba:o Rio de Janeiro. Já toquei em bares com um grupo de samba, componho também e no meu primeiro cd solo transformei algumas cantigas de capoeira em samba. Zeca Pagodinho é meu ídolo e uma das figuras mais populares do Rio de Janeiro e talvez do Brasil. Resolvi homenageá-lo mas não queria escrever sua biografia. Li no jornal uma nota q ele tinha visto um disco voador e criei o restante da historia. Ainda não ouvi dele próprio o que achou do cordel mas acredito que tenha gostado pois postou uma matéria em seu site oficial, me enviou ingressos para o show de gravação de seu dvd e mandou me agradecer através de sua assessoria de imprensa. Espero em breve ouvir dele mesmo sua opinião sobre o cordel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você esta as vésperas de lançar o livreto &#8220;o maravilhoso encontro de jorge ben jor com são jorge&#8221;como grande defensor da cultura brasileira e da literatura cordel o que o seu encontro com Jorge Ben representou para você?E o que este livreto representa na sua história?</strong><br />
Lancei este livreto semana passada no dia 23 de abril, dia de São Jorge. Este trabalho representa uma homenagem a entidade que todos os dias peço proteção e luz para viver e me aproximar de Deus e também a um gênio da música popular brasileira e também devoto do santo guerreiro: JORGE BENJOR. Foi uma honra muito grande pra mim ter escrito este trabalho. Me emociono só de pensar nisto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3518" title="1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/05/1.jpg" alt="1" width="546" height="540" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde encontramos mais informações sobre você e seus trabalhos?como adiquiri-los?</strong><br />
Para maiores informações sobre a literatura de cordel visitem o site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel www.ablc.com.br ou meu blog www.quintal-do-lobisomem.blogspot.com  Quem quiser me escrever também fique a vontade: victorlobisomem@yahoo.com.br</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Obrigado a vocês pelo convite para entrevista e pela divulgação da cultura brasileira (Victor Alvim, o “Lobisomem”)</em></p>
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		<title>Dj Jeff-Bass, representando o Brasil na Europa</title>
		<link>http://noiz.com.br/2010/02/24/dj-jeff-bass-representando-o-brasil-na-europa/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 13:53:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dj Zinco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Misturando muito groove brasileiro com outras vertentes da música negra, Dj Jeff-Bass tem dado o que falar fora do Brasil. Com sua mixagem técnica e muita música boa no repertório, originário de Curitiba, a terra em que os dj´s e produtores de hip-hop sempre estão em destaque, Jeff tem sacudido pistas de toda a Europa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Misturando muito groove brasileiro com outras vertentes da música negra, Dj Jeff-Bass tem dado o que falar fora do Brasil. Com sua mixagem técnica e muita música boa no repertório, originário de Curitiba, a terra em que os dj´s e produtores de hip-hop sempre estão em destaque, Jeff tem sacudido pistas de toda a Europa e vem conquistando seu espaço merecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Com vocês, DJ JEFF BASS:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Conta um pouco da sua história, como começou a tocar, seu primeiro contato com a música etc&#8230;</strong><br />
<strong>JEFF-BASS:</strong> Meu primeiro contato com música foi através do meu pai que é músico e tinha vários discos legais. A discotecagem surgiu pra mim quando eu Vi pela TV o Run DMC se apresentando e fiquei muito impressionado com o Jam Master Jay tocando&#8230; Na época eu era bem novo ainda mas decidi que queria aprender aquilo. O tempo passou e depois de ter me ferrado muito com o 3X1 lá de casa eu descobri que um amigo da escola tinha um par de toca-discos em casa, e o cara também colecionava discos e revistas sobre djs. Como eu era muito prego, não chegava nem perto do equipamento&#8230; Aprendi muita coisa só olhando mesmo, e depois ia pra casa praticar nas fitinhas k7. Bem depois eu trabalhei numa balada em Curitiba mesmo e aí conheci os equipamentos profissionais e vários djs que tocavam há muito tempo. Isso foi em 1995/1996 e foi aí que eu comecei mesmo a pensar na discotecagem como profissão.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://noiz.com.br/2010/02/24/dj-jeff-bass-representando-o-brasil-na-europa/"><p><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></p></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
Como voce define seu estilo? Sabemos que você mistura muito nos sets, samba, soul, funk, grooves brazucas, mangue-beat&#8230;.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>Bom&#8230; Pra mim a música não tem limites, seja brasileira, americana, africana, enfim&#8230; Não gosto muito de definir o que eu faço, mas quando é necessário eu digo que toco música negra, o que já é muito abrangente! Se você analizar, são pouquíssimos estilos de música ocidental que não tem raízes negras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fale um pouco sobre suas mix-tapes, quantas já fez ao todo? Qual a importância delas na sua carreira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS:</strong> Há alguns anos atrás eu comecei a gravar uns sets em CD e distribuir pra galera, vendia alguns só pra bancar a produção do material mesmo. Mas um tempo depois eu percebi que eu poderia lançar no meu blog e assim atingir um público maior e sem custo nenhum. Mas isso também desvalorizava um pouco o trabalho.</p>
<p>Então em 2007 eu mostrei pro meu amigo Uilson Groove um set de funk e samba dos anos 60 e 70 que eu gravei e ele curtiu muito,  e como ele estava com uma idéia de montar um selo pra divulgar os djs que tocam esse tipo de som, ele perguntou se eu gostaria de lançar aquele Set em CD.</p>
<p>Falei com um amigo de Brasília, o DJ Oops (Criolina) que fez uma capa bem legal e o CD saiu um tempo depois. Tivemos problemas com a duplicação do material e por isso tem poucas cópias em CD por aí, mas foi graças a essa &#8220;mix-tape&#8221; (DJ Jeff Bass #1) que eu fui convidado pela primeira vez a tocar fora do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">
<a href="http://noiz.com.br/2010/02/24/dj-jeff-bass-representando-o-brasil-na-europa/"><p><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></p></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
Como foi tocar pela primeira vez na Europa? Em quais países ja tocou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>No começo foi difícil de acreditar! Eu tive que me adaptar a algumas coisas pra poder ir&#8230; a primeira delas foi tocar com serato que era uma coisa que eu não curtia, mas tive que comprar um por uma questão de praticidade, não tinha como carregar vários cases de discos.</p>
<p>Acabei descobrindo que é uma ferramenta e tanto e hoje uso pra tocar em todas as minhas gigs. Viajei pra europa pela primeira vez em 2007 pra tocar na Bélgica e na Itália, em 2008, Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra&#8230; e agora em 2009/2010 na França, Áustria, Eslováquia, Portugal,Itália e Alemanha.</p>
<p>Ainda este ano volto para a França em Junho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a diferença do público brasileiro para o europeu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>Acho que a principal diferença é que na europa as pessoas são mais abertas a novidades, mas a vantagem do brasileiro é ser mais solto, mais alegre apesar de não dar o devido valor ao que é produzido aqui (música), mas isso já está melhorando também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fale um pouco sobre as festas que </strong><strong>você toca aqui no Brasil como a Cambalacho que já teve edições em SP</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JEFF-BASS: </strong>Eu ainda sou muito visto como DJ de Hip-Hop porque é a minha raiz, e por isso acabo tocando mais em festas &#8220;Black&#8221;, essas festas deram uma caída por um tempo mas estão voltando a acontecer, o que prova que não era uma coisa passageira. Ponto pra nós!</p>
<p>Aqui em Curitiba eu tenho uma parceria com dois amigos DJs (Anaum e Schasko) e um VJ (Bisquit) que é o projeto CAMBALACHO, que vai fez dois anos agora em fevereiro. Nestes dois anos levamos a festa para Brasília, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro graças a pessoas que tem projetos parecidos, e também fomos convidados a apresentar um programa numa rádio FM aqui de Curitiba.</p>
<p>A idéia do projeto é misturar músicas novas e antigas de estilos diferentes e dando um destaque para a música independente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Espaco aberto:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">twitter:<br />
<a title="twitter.com/djjeffbass" href="http://www.twitter.com/djjeffbass" target="_blank">twitter.com/djjeffbass</a></p>
<p style="text-align: justify;">canal no youtube:<br />
<a title="http://www.youtube.com/ssupafreakk" href="http://www.youtube.com/ssupafreakk" target="_blank">http://www.youtube.com/ssupafreakk</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Nos rolês mais íntimos de Lurdez da Luz</title>
		<link>http://noiz.com.br/2010/01/21/nos-roles-mais-intimos-de-lurdez-da-luz/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 15:11:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[lurdez da luz]]></category>

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Lurdez no quintal de sua casa, no bairro Pompéia, em São Paulo. Foto: Luciana Playmobile


NOIZ tivemos acesso em primeiríssima mão ao disco solo de Lurdez da Luz, conhecida nas quebradas do mundão por pilotar um dos microfones do grupo Mamelo Sound System. Entrei em contato com Lurdez daqui da Alemanha e numa conversa intercontinental a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2748" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C.jpg"><img class="size-full wp-image-2748 " title="9654C" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C.jpg" alt="Lurdez no quintal de sua casa, no bairro Pompéia, em São Paulo. Foto: Luciana Playmobile" width="614" height="410" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Lurdez no quintal de sua casa, no bairro Pompéia, em São Paulo. Foto: Luciana Playmobile</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">NOIZ tivemos acesso em primeiríssima mão ao disco solo de Lurdez da Luz, conhecida nas quebradas do mundão por pilotar um dos microfones do grupo Mamelo Sound System. Entrei em contato com Lurdez daqui da Alemanha e numa conversa intercontinental a moça contou tin-tin por tin-tin os pormenores da feitura deste primeiro disco solo. Na conversa, Lurdez falou do início do seu interesse pelo universo hip-hop, explicou a origem do desejo de fazer um disco solo, o que diferencia este disco do seu trabalho com o Mamelo e ainda citou uma passagem com o saudoso DJ Primo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas palavras de Lurdez da Luz: “A história da minha vida não dá um filme, mas também não é assim tão ruim”. Confira o bate-papo e uma resenha sobre o disco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Começando do começo. Em que momento e circunstâncias a música entrou na sua vida?</strong><br />
Lurdes da Luz: Comecei a me meter a fazer som acho que em 1994. Mas tem toda aquela memória infantil né, minha mãe me ninando com canções do &#8220;Acabou Chorare&#8221; dos Novos Baianos e João Gilberto. Mas quando eu decidi fazer som foi bem menos doce, peguei uma guitarra numa permuta, trabalhei de recepcionista num estúdio no Bixiga (bairro de São Paulo) e meu chefe me deu uma Epiphone Les Paul e eu fui tocar rock. Não era um punk, não era emotional hard core, nem era mod, nem hard rock&#8230; sei lá definir o que era, como não sei definir até hoje. Mas lembro que “Fun House” dos Stooges e Dead Kennedy´s eu ouvia todo dia roubados do meu padrasto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E como foi a transição desse universo do rock pro hip-hop?<br />
</strong>LdL: Foi gradual mesmo. Nos (anos) 90 tinha muita festa misturada, de skate e tal, que tocava Racionais, Beastie Boys e Cramps, sei lá. Daí eu já ouvia um monte de rap quando saía: Digable Planets, Pharcyde&#8230; os raps que &#8220;geral&#8221; curtia, não só quem era desses rolês específicos. O bate cabeça né? Como a trilha do (filme) Judgement Night. </p>
<p style="text-align: justify;">Mas me identificar a ponto de virar a casaca mesmo foi em 1998, com Black Star e na sequência os malucos do Antipop, Mike Ladd e mais um monte. Comecei pelo lance do spoken word mas daí fui me apaixonando pela linguagem e as batidas do rap e junto com o Rodrigo Brandão levamos a parada pro nosso mundo as vivências e influências e o resultado é o Mamelo Sound System, que completa 10 anos em 2010. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pois é, e depois de tanta história com o Mamelo de onde foi que veio o desejo de fazer um disco solo?<br />
</strong>LdL:  Da demanda de sons na cabeça. Tinham umas letras sem base, daí queria saber mais de como fazer música, de como dar vida as idéias. Uma bateria mais assim, um timbre mais assado. Já começar pela minha concepção e não encaixar as rimas num beat já pronto. Daí achei as pessoas certas pra compor junto&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E isso é até engraçado. Porque é um disco solo, mas parece que é um trabalho mega coletivo pois têm um monte de gente envolvida&#8230;<br />
</strong>LdL:  Isso foi o fluxo do cotidiano que foi ditando de um jeito bem espontâneo. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas tem as figuras que participaram em várias faixas, como o Daniel Bózio e o Marcelo Cabral&#8230;<br />
</strong>LdL:  Sim, sim. Eu fui bater na porta do estúdio do Daniel quando decidi fazer esse disco. Ele é um camarada de muito tempo que tem uma formação de som muito a ver com a minha e que foi cada vez mais indo pro lado da produção musical em estúdio do que pra músico de show. Daí eu peguei uns beats mais crus com os beat-makers de rap e fomos tirando os samples e colando instrumento e colando e editando&#8230; E o Cabral é grande boa surpresa do processo. Eu não conhecia ele, foi o Daniel que chamou, e ele me ajudou até em métrica e no pouco de melodia que destilei no disco.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2749" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-7.jpg"><img class="size-full wp-image-2749 " title="9654C-7" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-7.jpg" alt="Foto: Luciana Playmobile" width="614" height="410" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Luciana Playmobile</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>LdL:  Tudo que você faz sem ter que entrar num consenso com mais gente, guiado só pela sua intuição do que deve ficar e que deve ser apagado já é novo. Pra mim pelo menos sempre foi o formato de banda e sempre foi grupo o que eu tinha experimentado até então. Daí surgiu esses lance das músicas serem de sobre relacionamento com homens, sexo, amor, amor maternal até. Daí meu parceiro (Rodrigo Brandão) até entrou na vibe de duas (composições) né, mais que isso já ia ser viadagem (risos). Mas na real o que tem de novo é uma visão mais feminina que eu não botava no Mamelo não.</p>
<p>Você falou mais da parte de produção, do trabalho musical e mais técnico. E a parte lírica, o que esse disco trás de novidade, de diferente em relação aos seus sons no mamelo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A fofoca que rolava há muito tempo era que esse seria um disco de amor&#8230;</strong><br />
LdL:  E é! Você não achou?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Achei, é um disco de amor bem plural&#8230;<br />
</strong>LdL: Canções de amor sempre foram as que mais fizeram sucesso no mundo, daí eu queria fazer as minhas. Mas não tem aquele lance de juras de amor eterno, de fui traída, de abordagem comum&#8230; A que fiz pro Rogê é amor de mãe pro filho, mas vai alem, é amor pelos filhos do planeta, pelo planeta. Isso é bem feminino, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É uma visão materna e feminina do mundo&#8230;</strong><br />
LdL:  A abordagem clichê do amor nas ultimas décadas em nome do pop me deixa mal, daí nunca quis tocar nesses assunto no Mamelo e agora parti pra outro tipo de abordagem. Não digo que é um disco auto-biográfico sabe, pois não me baseio necessariamente em experiências reais pra escrever, mas em sentimentos reais. Lurdez da Luz nunca foi personagem, né? É apelido de rua, não fui nem eu que me batizei! Pois se você inventa pra si mesmo outra alcunha é pseudônimo, mas não é esse o caso. Vamos dizer que são rolês mais íntimos da Lurdez da Luz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Além do Brandão o disco também tem outras parcerias, como essas figuras se aproximaram dos rolês mais íntimos da Lurdez da Luz?</strong><br />
LdL:  Aí é mais standard o processo. Convidei quem, mais uma vez por intuição, eu gosto e tem a ver com meu som. A Stefanie foi bem quando tive que voltar pra casa da minha mãe em Santo André e ela trampava numa loja de roupa no centro de lá. Já tinha visto ela ao vivo e fiquei afim de fazer algum som com ela. O Du Peixe é admiração mesmo, gosto do canto mono-tônico, ou do rap cantando dele e do jeito que ele escreve. Ele é amigo do Daniel também, daí ele colou lá um dia e se lançou de escrever e tudo foi meio assim. O Mike Ladd me deu o beat quando veio tocar com o Mamelo aqui. Deu sem eu pedir, e americano cobra por tudo! Enfim, foi bem inna natural mystic flow. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Corrente de água doce” (a parceria com Jorge Du Peixe) é um leitura/retorno a sua história com origem baiana e essa referência nordestina em choque com a rotina em São Paulo?<br />
</strong>LdL:  Sim, é a real de muita gente né? De gente do nordeste que vem pra cá.<br />
Eu tava voltando de SP de trem pro ABC daí fiquei de cara com as minas que as 6h da matina estavam indo pro trampo de salto, blush e pá. Trocando idéia que o forro tinha sido massa, e nem eram tão novas&#8230; Mó piquê, daí Osún aqui é um Orixá associado a vaidade feminina né, dai pirei que essas eram tipicas filhas de osún por isso rola a saudação à ela. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E também tem relação com essa postura de ser &#8220;humilde&#8221;, mas em relutar em aceitar as coisas mais simples e básicas. Querer “estar na beca com afinco” (trecho da letra), enfeitar o corpo pra expor as cores da alma&#8230;<br />
</strong>LdL:  Então essa parte do Jorge, é total o cara se arrumando ou para um terreiro ou para um folguedo. Enfim ele tá lá no rio que desemboca no mar, e ela tá aqui com muito ouro falso no braço, mas que são jóias estimadas. Coisa de caboclo fino.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2752" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/lurdez2.jpg"><img class="size-full wp-image-2752" title="lurdez2" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/lurdez2.jpg" alt="Foto: Luciana Playmobile" width="650" height="223" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Luciana Playmobile</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>LdL:  Isso! Essa surgiu no projeto Colaboratório, que foi o Mamelo o Mike (Ladd) e o São Paulo Underground juntos. Daí a Rob fez essa linha na hora, ali pro show e quando rolou de pegar o beat com o Ladd escalei ele de ir no estúdio gravar a participação.</p>
<p>Outra faixa muito forte é a “Ziriguidum”. Parece feita sob medida pras pistas (no melhor sentido da expressão). Essa é a produzida pelo Mike Ladd, e tem o trompete do Rob Muzurek também, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outra onda legal que rola no disco, e parece que tem relação com a sua aproximação com o universo do rap, é essa parada de gravar spoken words.<br />
</strong>LdL : Sim! Quero ser livre de formato pra lançar uma idéia, e posso querer ter um formato bem definido pra num lançar idéia nenhuma. E esse som do “Ah uh” que é uma ode as mulheres casadas tem inspiração direta em uma mina chamada Wanda Robinson.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando em formato, pra começar a fechar a conversa. Por que lançar um EP? Por que esse formato de um disco curtinho?<br />
</strong>LdL:  Porque tem excesso de som imagem de produções artísticas no mundo, quis lançar só o que eu achei que valia a pena, num tenho compromisso com o mercado, nem faço arte pra ser aceita por determinados meios. Daí teve um som que fiz em uma instrumental do Takara que substitui pelo Meu mundo que deu mais certo. Tinha uma do DJ Primo que escrevi em uns mp3 que ele tinha posto no meu Ipod em vida&#8230; Talvez esses sons rolem mais pra frente, dai tinha que arrumar tudo separado e tal, pode ser mais pra frente, legal que ele tinha mandado um email dizendo que tiinha curtido a rima mandei um bounce com voz guia pra ele. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É legal que todo mundo que eu converso tem uma história boa pra contar em relação ao DJ Primo&#8230;<br />
</strong>LdL:  Ele era muito boa gente mesmo, todos os cabulosos de verdade são assim. Humildes porém confiantes e sem preconceito, se guiam pelo coração. Ele era o melhor DJ  daqui na verdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E agora que o disco tá na mão, quais são as expectativas para o futuro próximo?<br />
</strong>LdL:  Não crio muito expectativas, tenho fé que vai rolar legal de fazer shows, de executar esses sons com uma banda. Porque eu amo acústico e amo eletrônico, o que pode ser meio confuso a princípio, mas também pode ser libertador. Dá pra tocar em balada só com DJ ou em teatro com banda, enfim. O que eu gosto mesmo é de executar, de montar a sequência, as virada e imaginar que elemento que sai desse som e vai tocar alguém ali na hora, em vou cantar de outro jeito uma melodia, enfim&#8230; E continuar sobrevivendo de musica, na real viver seria melhor. Talvez melhore minha renda esse disco. Já tem umas coisas marcadas mas vou divulgando no tempo certo.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2750" title="9654C-4" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2010/01/9654C-4.jpg" alt="9654C-4" width="614" height="410" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff9900;"></span></strong></p>
<p>RESENHA: Lurdez da Luz – homônimo</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de atravessar a última década portando um dos microfones do Mamelo Sound System e participar de projetos como o 3naMassa, Lurdez da Luz embarca em seu primeiro voo solo botando na rua um belo EP homônimo. O burburinho que Lurdez estaria preparando um disco de amor se confirma já na audição da primeira das nove faixas do EP, quando acompanhada por toques de tambores a moça anuncia: “esse é meu produto, é interno e bruto”. O disco que brotou do desejo de falar de amor de maneira plural, e com mais dignidade do que tem se ouvido por aí, explora com talento as nuances da condição feminina em muitas das suas várias possibilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O amor de mãe bate ponto em “Meu mundo numa quadra, um misto de declaração e carta de boas intenções para o futuro do filho. Em “Andei” Lurdez toma o processo como tema e, em parceria com Stefanie (Simples e Pau-De-Dar-Em-Doido &#8211; PDD), discorre sobre a necessidade de se aventurar e as implicações das escolhas de sua maneira de viver. A sequência “Ziriguidum” – “Corrente de água doce” é o ponto alto do disco no quesito “música de baile”. A primeira, em parceria com Rodrigo Brandão (MSS), pega o ouvinte pelo suingue do trompete, contribuição de Rob Muzek (SP Underground) e explora o conceito que todo brasileiro entende com o corpo, mesmo sem saber explicar o que a palavra ziriguidum significa. A segunda é uma genial parceria com Jorge Du Peixe (Nação Zumbi) e aposta em outra direção no sentimento de brasilidade abordando a força e disposição que, apesar dos pesares, nosso povo tem para a celebração e a festividade. Já “Saudade” tem um clima mais denso e traz Brandão de volta a cena, enquanto “Eu sou o cara” serve de manual para os marmanjos entenderem com todas as letras como as mulheres gostariam que os homens se portassem em um relacionamento. Para fechar, assim como na abertura, a faixa “Fim da egotrip” dialoga com a tradição do spoken words, enriquecendo ainda mais o disco que extrapola as fronteiras do que se convém chamar hip-hop e lança Lurdez da Luz na seara da música brasileira contemporânea.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alguns dos sons do disco e outras faixas da Lurdez da Luz podem ser conferidos aqui: </strong><a href="http://www.myspace.com/lurdezdaluz"><strong>http://www.myspace.com/lurdezdaluz</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900;"><strong>Contatos para shows podem ser feitos aqui: </strong></span><a href="mailto:lurdezdaluz@gmail.com"><span style="color: #ff9900;"><strong>lurdezdaluz@gmail.com</strong></span></a></p>
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		<title>Vida longa ao vinil</title>
		<link>http://noiz.com.br/2009/12/30/vida-longa-ao-vinil/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 16:41:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Leia entrevista com dono da Polysom, fábrica de vinil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><strong>Por Daniel Tamenpi</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Quando a notícia de que a Polysom, única fábrica de vinil no Brasil, iria fechar, uma decepção muito grande começou a tomar o país. Na última década, grande parte da produção da fábrica era voltada para o rap brasileiro e a cultura DJ. Com a ameaça, muita gente se mobilizou para que o fechamento fosse impedido, com propostas de tombamento pelo patrimônio histórico, mobilização do então Ministro da Cultura Gilberto Gil, mas o fim parecia próximo.</p>
<p style="text-align: justify;">A realidade é que de alguns anos pra cá, o disco de vinil, que era considerado morto no mercado no fim dos anos 90, vem retomando sua força. Em pesquisas feitas nos Estados Unidos, em 2008, a venda das bolachas cresceu 89%, chegando a quase dois milhões de cópias. Ao mesmo tempo, outras mídias como o cd, mp3, ringtones tiveram queda de 14% nas vendas. E 2009 promete ultrapassar 2008 tanto nas vendas dos vinis, quantos nas quedas de cds e “genéricos”. Além disso, muitos artistas americanos lançam seus produtos também com prensagem em vinil.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, o mercado começa a dar sinais positivos. Grupos como Skank e cantores como Lenine lançaram seus últimos discos em vinil e tivemos diversos relançamentos em LP, como o histórico “Da Lama Ao Caos”, do Chico Science &amp; Nação Zumbi, e os primeiros de João Bosco e Vinícius Cantuária pela Sony/BMG.  A Sony/BMG promete ainda relançar muitos títulos de seu catalogo nesse formato.</p>
<p style="text-align: justify;">Com todos esses fatores e estatísticas positivas, o fechamento da Polysom era algo irracional até para o mercado atual. Pensando nisso e com boas intenções, o presidente da gravadora Deckdisc, João Augusto, comprou a fábrica, reformou e atualizou suas máquinas e já está em período de testes do produto para reabri-la com pensamento de gigante.  Em breve entrevista com o novo dono, o site<strong> NOIZ</strong> mostra agora o que nos espera no futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Por que só deram atenção a Polysom quando ela fechou as portas?</strong><br />
<strong>João Augusto ::: </strong>A Deckdisc era cliente da Polysom e sentimos sua falta quando fechou. Quando tivemos a oportunidade de reabri-la, não titubeamos.<br />
<strong><br />
NOIZ ::: Você como sócio de um selo, qual foi à visão ao comprar uma fábrica de vinil?<br />
</strong><strong>J.A. :::</strong> Simplesmente, manter a fabricação de vinil ativa no Brasil e América do Sul. Encomendar discos no exterior é mais caro e tem muito mais riscos com relação ao controle de qualidade.<br />
<strong><br />
<strong>NOIZ ::: </strong></strong><strong>Por que você acha que os jovens têm se interessado cada vez mais pelo consumo de um produto que já era descartado no mercado há mais de uma década?<br />
J.A. ::: </strong>Porque vinil não é apenas algo nostálgico, mas sim um formato muito interessante de se transportar música. Vinil é uma experiência tátil, visual e auditiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>NOIZ ::: </strong>Li que no último ano a venda de vinil aumentou mais de 100% nos Estados Unidos. Enquanto a venda de cd’s caiu muito. A que você acha que se deve esse fato?<br />
J.A. :: </strong>As proporções são bem diversas. O mercado cresceu para vinil nos EUA, mas a quantidade total não chega a 10% das vendas de CDs.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>NOIZ ::: </strong>Qual será o vínculo da Deckdisc com a Polysom? Os artistas do selo terão algum privilégio?<br />
J.A. :::</strong> Nenhum vínculo. A Deckdisc será cliente da Polysom, sem quaisquer privilégios.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Eu, como dj e aficionado em vinil, sofro muito com os preços do vinil importado devido aos impostos. Essa já é uma questão antiga, mas porque você acha que não liberam as taxas sobre o vinil no Brasil?<br />
J.A. :::</strong> Há algumas coisas em andamento, mas é importante que alguma redução aconteça, porque a carga tributária incidirá em torno de 65% sobre o nosso preço e isso continua encarecendo o vinil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: O vinil nacional sempre foi de qualidade sonora muito inferior ao americano e europeu. O produto da Polysom será de qualidade equivalente aos gringos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>J.A. ::: </strong>Estamos trabalhando para termos vinis melhores e pelas pesquisas e visitas que fizemos a outras fábricas no mundo, pelas instalações que estamos fazendo, eu acho que brevemente poderemos anunciar que conseguimos. Mas isso ainda é prematuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Falando em preço. Quanto você acha que será o valor final do produto?<br />
J.A. ::: </strong>Não temos ainda uma idéia, mas será mais barato que o importado e bem mais caro do que gostaríamos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Qual será a maior demanda da Polysom. Artistas independentes ou de majors?</strong><strong><br />
J.A. ::: </strong>Acreditamos que os independentes estarão muito atuantes e que as majors fabriquem maiores quantidades de cada título.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Para a Deckdisc. Qual o futuro da música, fisicamente falando?<br />
J.A. ::: </strong>Acreditamos que vários formatos irão conviver, com números de venda bem menores do que no passado.<br />
<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Siga a Polysom no Twitter: <span style="color: #ff0000;"><a href="http://www.twitter.com/polysom" target="_blank">@polysom</a></span></strong></p>
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		<title>Pedro Gomes e um Pentagono multicultural</title>
		<link>http://noiz.com.br/2009/12/10/pedro-gomes-e-um-pentagono-multicultural/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 19:23:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[produção cinematográfica]]></category>
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		<description><![CDATA[Leia entrevista e confira o videoclipe "Multicultural"]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>por Juca Guimarães e Gisele Coutinho<br />
</em><br />
O grupo Pentagono dispensa apresentação. Os rapazes do Iporanga, zona sul de São Paulo, estão conquistando com passos largos o seu espaço no cenário do hip hop. O cineasta Pedro Gomes, para quem conhece a cena do rap nacional, também dispensaria qualquer tipo de apresentação, mas não é o caso o diretor que já tem no currículo o documentário &#8220;Freestyle: Um Estilo de Vida&#8221; e os videoclipes &#8220;O Que Tu Qué&#8221;; do Akira Presidente,  &#8220;É o Moio&#8221;; do Pentagono, entre outros, volta à cena com o lançamento do novo clipe dos meninos da sul: &#8220;Multicultural&#8221;, aqui, no site NOIZ.</p>
<div id="attachment_2400" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/51.jpg"><img class="size-full wp-image-2400" title="5" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/51.jpg" alt="5" width="650" height="223" /></a><p class="wp-caption-text">Pentagono: dezembro fechado com lançamento de EP e videoclipe Foto: Rogério Fernandes/Divulgação</p></div>
<p style="text-align: justify;">Pedro, 24 anos, bateu um papo com o NOIZ para falar um pouco sobre o seu processo de criação e as suas convicções sobre a produção cinematográfica. A necessidade viceral de se comunicar e o amor pela música refletem no trabalho dedicado do diretor.</p>
<p style="text-align: justify;">Confira na entrevista um pouco mais sobre as ideias do Pedro Gomes:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Qual a sua experiência na direção de videoclipes?</strong><br />
<strong>Pedro:</strong> O primeiro videoclipe que dirigi foi o do Akira Presidente com a música &#8220;O Que Tu Qué&#8221;. Nesse vídeo, como não tínhamos verba eu fiz tudo, desde câmera até edição. Depois recebi o convite de uma banda de rock chamada Pop Armada, foi um trabalho todo realizado em estúdio, uma experiência bem bacana e enriquecedora. E, o mais recente, foi o &#8220;É o moio&#8221; do Pentagono, onde pela primeira vez eu pude fazer tudo como queria, com relação, a equipamento e profissionais.</p>
<p><em><a href="http://noiz.com.br/2009/12/10/pedro-gomes-e-um-pentagono-multicultural/"><p><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></p></a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Quais são os seus principais objetivos como cineasta?</strong><br />
<strong>Pedro: </strong>Tenho uma ansiedade em me expressar, elegi o audiovisual como a plataforma para suprir essa necessidade e, penso que após esse passo o outro deve ser a comunicação. Então os objetivos iniciais são sempre esses: expressar e comunicar, eu não tenho ambição de mudar nada, muito menos de conquistar algo, penso sim em realizar muito, cada vez mais. Creio que sendo esses meus objetivos o resultado será sempre positivo &#8211; isso é o que busco.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2401" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/moio1.jpg"><img class="size-full wp-image-2401 " title="moio1" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/moio1.jpg" alt="Pedro Gomes durante gravação do videoclipe &quot;O Moio&quot;   Foto: Divulgação" width="480" height="360" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Pedro Gomes durante gravação do videoclipe &#8220;O Moio&#8221; Foto: Divulgação</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
NOIZ: Gravar um clipe permite para o diretor uma escolha de linguagem, ele pode seguir literalmente o que diz a letra ou então contar outra estória que se enquadre na canção. Qual foi a sua escolha para este clipe do Pentagono?<br />
Pedro: </strong>Preocupo-me muito com isso, prefiro os clipes com conteúdo, com roteiro bem definido, porém, essa linguagem não é muito bem aceita por aqui. São poucos os clipes de rap, com o mc cantando e baforando na câmera que eu gosto, imagino que nesses casos o diretor não teve trabalho algum, apenas apertou o rec e foi. Contudo, nesse trabalho, por um desejo do grupo &#8211; que depois virou meu desejo também, nós optamos em fazer o que chamamos de &#8220;clipe de rap-ão&#8221;, mesmo assim, senti a necessidade de roteirizar o vídeo. Pensei em cada plano e seu significado. A música fala sobre cidade, metrópole, cinza, transito&#8230; Eu vim, com uma fotografia mais azulada, edição frenética, ruídos na imagem, etc. (Aqui entra a viagem), imprimi no filme os adjetivos que remetem às metrópoles.</p>
<p><em><a href="http://noiz.com.br/2009/12/10/pedro-gomes-e-um-pentagono-multicultural/"><p><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></p></a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Você acha que os clichês de clipes de rap com mulheres e carrões estão desgastados e caíram no óbvio? Qual seria o caminho alternativo para inovar na linguagem do videoclipe?<br />
Pedro: </strong>Não existe &#8220;caminho alternativo&#8221;, ao afirmar isso eu ratifico o &#8220;outro caminho&#8221;. Existem escolhas profissionais, parte delas vem do grupo e a outra parte vem do diretor do clipe. Muitas pessoas acham o Hype Willians o melhor, eu discordo completamente, quem ai já viu um clipe dele de baixo orçamento? São sempre iguais, carros, charutos, iates, biquínis, etc&#8230; Ou seja, o cara tem um mega orçamento e vem (quase) sempre com as mesmas coisas. Agora, não cabe a eu dizer nada sobre isso, o Rael diz uma parada engraçado, &#8220;não é possível que os novos mc&#8217;s façam clipes como os mais antigos, os caras deviam, enquanto criança, ver esses mcs e imaginar que esse era o caminho, porque todos os que surgem (com raras exceções) fazem os mesmo vídeos&#8221;. Penso em fazer o meu, do meu jeito, tenho vários deles (diretores gringos) como referência, mas busco internamente o que acho melhor pra cada ocasião. Tenho que respeitar a opinião do artista, mas não necessariamente aceita-la, caso essa ideia, em questão, seja negativa no meu ponto de vista, é simples&#8230; saio fora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Qual o seu videoclipe de rap nacional preferido?<br />
Pedro: </strong>Tem alguns que curto muito, gosto realmente do &#8220;Namoral&#8221; do Pentagono com direção do Leonardo Carvalhosa, curto o do DBS, gosto do &#8220;Bem pior&#8221; do Xis, Mv Bill com &#8220;Soldado do morro&#8221; e, por aí vai.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2402" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/nareal_peq2.jpg"><img class="size-large wp-image-2402 " title="nareal_peq2" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/nareal_peq2-1023x682.jpg" alt="Pedro Gomes: um cineasta em evolução     Foto: Divulgação" width="614" height="409" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Pedro Gomes: um cineasta em evolução Foto: Divulgação</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
NOIZ: O uso de efeitos especiais está mais acessível ou ainda só é disponível para as produções de grandes orçamentos? Tem algum efeito no clipe do Pentagono? Qual?<br />
Pedro:</strong> Tecnicamente &#8220;efeito especial&#8221; é tudo aquilo que muda a cara da cena original, ou seja, qualquer ajuste de cor, ruído, sujeira que você acrescenta à imagem, é sim um efeito especial. Com isso, nosso vídeo tem sim, efeitos e eles estão disponíveis às produções de baixo orçamento. Obviamente, tem muito recurso, muito mesmo, que ainda é outra realidade orçamentária. Trocando em miúdos, tem bastante coisa ai disponível, basta você saber usar, ter bom senso e vontade também. Ouso afirmar que a busca à simplicidade é sempre o melhor caminho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: O Pentagono  é uma banda conhecida pela energia de palco e entrosamento dos músicos.  Essa característica também está no clipe?<br />
Pedro:</strong> Isso que as pessoas chamam de energia (nesse caso) eu chamo de personalidade + amizade, ou seja, &#8220;essa energia&#8221; sempre vai existir, até quando estamos todos sentados trocando idéia na madrugada, essa energia está ali presente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: O lançamento do clipe com o site NOIZ é uma parceira nova. O que você acha dessa iniciativa? A internet tem uma participação importante na divulgação das bandas?<br />
Pedro: </strong>É, totalmente, perceptível o quanto a internet contribui para divulgar as coisas (boas e ruins). Um novo artista, hoje, não &#8220;nasce&#8221; sem a internet. Pode sim, um artista já conhecido lançar diversas obras fora dessa plataforma, mas uma &#8220;nova cara&#8221; precisa irremediavelmente da banda larga. Vejo com bons olhos essa parceria e também aprecio o site NOIZ, acompanho seu meteórico sucesso e, acima de tudo, respeito e apóio. Como diretor, é excelente ter meu trabalho aqui e, para o Pentagono, eu posso afirmar, que também é de muita valia esse lançamento.</p>
<p><a href="http://www.myspace.com/pedro_gomes"><strong>www.myspace.com/pedro_gomes</strong></a><strong>  </strong><a href="http://www.mentedovilao.blogspot.com"><strong>www.mentedovilao.blogspot.com</strong></a></p>
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		<title>A arte de Primat</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 02:40:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Playmobile</dc:creator>
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		<description><![CDATA[



Foto: Divulgação



Felipe Silva, 22 anos, também conhecido como &#8220;Primat&#8221; é designer gráfico e grafiteiro da zona sul de São Paulo, mais precisamente Santo Amaro.  Seus trabalhos se concentram mais na sua região, e ele sempre busca revitalizar lugares onde acredita que sua arte é cabível. Periferia e lugares abandonados  são seus lugares preferidos, nos quais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2361" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/3516445233_a391125e79_o.jpg"><img class="size-full wp-image-2361" title="3516445233_a391125e79_o" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/3516445233_a391125e79_o.jpg" alt="foto: Divulgação" width="640" height="406" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Divulgação</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">
<p>Felipe Silva, 22 anos, também conhecido como &#8220;Primat&#8221; é designer gráfico e grafiteiro da zona sul de São Paulo, mais precisamente Santo Amaro.  Seus trabalhos se concentram mais na sua região, e ele sempre busca revitalizar lugares onde acredita que sua arte é cabível. Periferia e lugares abandonados  são seus lugares preferidos, nos quais expõe sua arte.</p>
<p style="text-align: justify;">No graffiti, se identificou mais com personagens, desde então buscou fazer um estilo próprio, voltado para tendências que observa nos lugares que transita por São Paulo.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2360" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/6.jpg"><img class="size-full wp-image-2360" title="6" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/6.jpg" alt="Obra de Primat" width="600" height="215" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Obra de Primat</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">
<p>Conheça um pouco mais sobre as influências e mundo de Primat.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Quando e onde você começou a grafitar?</strong><br />
<strong>Primat :::</strong> Comecei a fazer uns primeiros rabiscos, em 2000, mais eu só fui ter profundidade, e sair mesmo pra pintar em 2003, mais ou menos a época que meu amigo Takeda havia chegado do Japão, e junto com ele O Branco, Frenesi, Mut e Joel (Mafu) passamos a assinar Mafluxo (nossa extinta crew).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Você sempre se interessou por artes? Fale um pouco sobre como foi despertado o seu interesse.<br />
Primat :::</strong> Desde muito pequeno, na verdade não lembro quando, mais lembro que minha mãe chegava do trabalho, com um monte de folhas, lembro que eu gostava mais que chocolate de sair desenhando carros e alguns personagens que via na TV, como o pica pau. Meu pai sempre esboçou uns fuscas e umas letras parecidas com bombs, aí tive essa primeira influencia, que quando vi nos muros, achei parecido com que ele fazia e comecei e elaborar letras com meu nome, e algumas com meu apelido, que veio desde muito cedo, tanto que eu não lembro o porque.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Quem são suas maiores influências no grafitti?<br />
Primat ::: </strong> Vine (Enivo), Niggaz, Paulo Ito, Takeda e Banksy. Fora do graffiti Hoogerbrugge e Afonso Mucha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Como as pessoas reagem ao seu trabalho? Você já teve problemas com algum dos seus grafittis?<br />
Primat ::: </strong> Gosto de ver a reação das crianças, elas gostam das cores, acham novo aquilo, até mesmo na técnica que uso, sempre que da eu deixo elas pintarem um pouco. A reação se difere a cada lugar, idade, entre outras coisas. Muitas pessoas gostam, e param pra elogiar até. Uma vez uma senhora passou e falou que era cosa do demônio, isso porque tava voltando da missa.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2362" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/3524631882_68de4fa76a_o.jpg"><img class="size-full wp-image-2362" title="3524631882_68de4fa76a_o" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/3524631882_68de4fa76a_o.jpg" alt="Foto: Divulgação" width="576" height="374" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Divulgação</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Você faz alguma distinção entre grafiteiro e pichador?<br />
Primat :::</strong> Acho que não tem diferença não. Mais o graffiti é mais bem visto aqui, em contra partida, é muito admirado como arte na gringa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Quem são os melhores grafiteiros de todos os tempos na sua opinião?<br />
Primat :::</strong> Cone (DPE), Os Gemeos, Niggaz, Le Nad (Nada).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Música, cinema, pintura. Como essas manifestações artísticas se refletem no seu trabalho?<br />
Primat :::</strong> Gosto muito de assistir filmes, me influencia muito as cores que od diretores usam e a fotografia dos filmes. Música me influencia em quase tudo, to sempre escutando um bom som, alias, preciso comprar um MP3zin que o meu já era, haha. Pintura de um modo geral, no graffiti tem sempre alguma técnica que influencia no jeito de fazer recortes e misturas de cores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Você já ministrou alguma oficina de grafite, ou participou de algum projeto cultural voltado a passar seus conhecimentos para outras pessoas?<br />
Primat :::</strong> Não, mais assim como Obranco sempre me passou técnicas quando comecei, sempre procuro ajudar quem esta começando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Você também é designer gráfico. Você estuda, ou já é graduado? Grafitar te influenciou a estudar Design?<br />
Primat :::</strong> Tenho que terminar meu curso, faltam 2 anos. Sim, influenciou, achei que tinha tudo haver. Não era tanto, mais fazer graffiti me ajudou bastante.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2364" title="5" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/12/5.jpg" alt="5" width="600" height="215" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Suas ilustrações tem características e traços bem singulares.Você acha que para ser um bom designer é importante ser ilustrador? Já que existem muitos designers que não sabem desenhar&#8230;<br />
Primat ::: </strong> Bom, no meu curso, por exemplo, tinham bastante pessoas que não tinham uma habilidade pra desenho e nem praticavam muito, mais eram bons designers, também percebi que muitos começaram a desenhar bem e melhorar o traço com o decorrer do curso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Você fez um trabalho em parceria com o Mc carioca Marechal. Como surgiu essa idéia de trabalharem juntos, e o desenho que você criou?<br />
Primat :::</strong> Marechal entrou em contato com alguns graffiteiros, entre eles eu, fiquei muito feliz, já que curto o trampo dele desde a época do Quinto Andar. Trocamos ideia e ele pediu pra fazer uma ilustração com o tema à letra de uma música dele. Trocamos ideia e fiz uma mão com textura de árvore. O Nome do projeto é Muro e vai vir muita coisa boa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Pode nos falar um pouco sobre suas metas e projetos tanto no grafitti quando no Design?<br />
Primat :::</strong> Na real no graffiti, pode parecer ambicioso, mais eu só tenho como visão expandir mais minha arte, fazer mais aqui em São Paulo, e sair expandindo pelo Brasil, e porque não pelo mundo. Montar um estúdio pra trampar com design é uma meta que está quase acontecendo!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Se você fosse indicar 3 sites relacionados a arte e cultura urbana, quais seriam?<br />
Primat :::</strong> <strong><a href="http://www.novaescolanews.wordpress.com" target="_blank">Nova Escola News</a></strong> e o <a href="http://www.graffiti-magazine.net" target="_blank"><strong>Graffiti Magazine</strong></a>. E tem este, que tem mais haver com design, mais tem muita parada de graff:  <strong><a href="http://street.art" target="_blank">Street Art</a></strong> e ainda o <strong><a href="http://www.beliomagazine.com" target="_blank">Belio Magazine</a></strong> .</p>
<p style="text-align: justify;">E pra quem ficou interessado, quiser conhecer mais sobre o trabalho de Primat, segue o link do seu portfólio:<br />
<strong><a href="http://www.primat.ws/" target="_blank">http://www.primat.ws/</a></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Conheça o outro lado de Zeca da Rádio Boomshot: a produção do Manos e Minas</title>
		<link>http://noiz.com.br/2009/11/11/entrevista-zeca/</link>
		<comments>http://noiz.com.br/2009/11/11/entrevista-zeca/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 14:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[hip hop]]></category>
		<category><![CDATA[manos e minas]]></category>
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		<category><![CDATA[rádio boomshot]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>
		<category><![CDATA[tv cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Leia a entrevista]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por Eduardo Ribas / PerRaps especial para o NOIZ<br />
<span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://www.perraps.wordpress.com">www.perraps.wordpress</a></strong></span></em><span style="color: #ff0000;"><strong><a href="http://www.perraps.wordpress.com">.com</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Muita gente conhece José Mello da Costa Aguiar aka Zeca MCA pelo seu trabalho na rádio Boomshot ou pelas festas que eventualmente organiza, mas o que muitos não sabem é que ele também trabalha como produtor de TV. Hoje, ele se dedica aos bastidores do Manos e Minas, fazendo a produção do programa. Conversamos com o Zeca para saber mais desse lado “televisivo” dele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2112" class="wp-caption aligncenter" style="width: 620px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: justify;"><strong><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/zeca.jpg"><img class="size-full wp-image-2112" title="zeca" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/zeca.jpg" alt="Zeca trabalhando. Por Luciana Playmobile" width="610" height="406" /></a></strong></strong></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><strong>Zeca trabalhando. Por Luciana Playmobile</strong></dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
NOIZ ::: Como você foi parar na produção do Manos e Minas?</strong><br />
Zeca MCA: Eu trabalho com produção de TV desde 1994. Nunca trabalhei com outra coisa, mas sempre tive o meu trampo com música e com o hip hop. O ex-editor chefe do programa, Ramiro Zwetsch, me conhecia desde 1991 e sabia do meu trampo. Então ele me chamou para vir pro Manos e Minas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Topou na hora?</strong><br />
Zeca MCA: Sim, eu estava trabalhando com jornalismo esportivo há nove anos e queria mudar. Queria juntar o que eu gostava com o que eu fazia em TV.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: E como foi o início por lá? Já tinha trabalhado com o Rappin&#8217; Hood antes?</strong><br />
Zeca MCA: Eu nunca tinha trabalhado com o Hood, eu o conhecia por causa do Parteum, mas a gente nunca tinha trabalhado juntos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Como foi o início na produção, dificuldades e similaridades com o seu trabalho anterior com esporte?</strong><br />
Zeca MCA: Com esporte não tinha nada parecido, mas antes de trabalhar com esporte eu fiz vários programas de TV. Então, produção é produção. Não tem muita diferença. O que muda é a estrutura que você tem para trabalhar. Mas aqui sempre foi na boa. Até porque eu sempre quis fazer um programa desses, então eu sempre fiz tudo que podia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: O que você faz exatamente? Pensa nas pautas, entra em contato com os entrevistados?</strong><br />
Zeca MCA: É assim, eu penso nas bandas que eu acho que podem ser legais para o programa. Ai a gente tem uma reunião de semanal que eu falo: vamos trazer a banda tal? Por causa disso e disso, e as pautas são assim também. Tem uma pessoa responsável pela pauta, mas tudo é levado nessa reunião e a gente discute. Fechando os musicais e grafiteiros, eu entro em contato, marco horário, passagem de som e essas coisas todas.</p>
<div id="attachment_2113" class="wp-caption aligncenter" style="width: 647px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Imagem-327B.jpg"><img class="size-full wp-image-2113" title="Imagem 327B" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Imagem-327B.jpg" alt="Imagem 327B" width="637" height="424" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Que canal dá espaço pra músico que não é de nenhuma gravadora?&quot;, pergunta Zeca  Por Luciana Playmobile</p></div>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
NOIZ ::: Como é a relação com as pessoas da equipe, tranquila? O povo está em sintonia?</strong><br />
Zeca MCA: Sim, o povo aqui só ótimos profissionais. Lógico que nem todo mundo vive no mundo do hip hop, mas tanto eu, como o Erick Jay, o César e o Thaíde damos uma força. Mas aqui todo mundo é experiente em TV. A nossa editora chefe é a Maria Amélia Rocha, que foi apresentadora do Metrópolis durante sete anos, e dirigiu o programa por dois anos e o Vitrine por mais dois anos e foi crítica de música no Jornal da Tarde.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Fale da sua rotina.<br />
</strong>Zeca MCA: Gravamos o programa toda segunda-feira. Chego cedo ao teatro, faço a passagem de som e cuido da banda durante a gravação. Na terça a gente tem uma reunião pra discutir o programa que gravamos e a gravação futura. Ai a gente começa a produzir as paradas dos próximos programas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: E qual a principal diferença da época do Hood e agora a do Thaíde, já dá pra traçar paralelos?</strong><br />
Zeca MCA: Cara, a principal diferença é que o Thaide tem mais experiência de TV. Fez MTV, Antônia e isso ajuda muito durante a gravação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Como vocês escolhem a variedade dos grupos que se apresentam no Manos e Minas?</strong><br />
Zeca MCA: A idéia é sempre trazer bandas de Rap ou se sons que tenham alguma ligação com o movimento, tipo, soul, funk, samba e reggae.  Pra você ter uma idéia, no ano passado nós gravamos 34 programas. Desses 34, 16 foram de rap. Esse ano, até agora, gravamos 33 programas. Desses 16 foram de rap. E ainda fizemos a atração internacional People Under The Stairs.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_2114" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px;">
<dt class="wp-caption-dt"><strong><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Imagem-3082.jpg"><img class="size-full wp-image-2114" title="Imagem 308(2)" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Imagem-3082.jpg" alt="Por Luciana Playmobile" width="650" height="434" /></a></strong></strong></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><strong>Por Luciana Playmobile</strong></dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p><strong>NOIZ ::: Acha que outro canal teria espaço pra um programa desses?</strong><br />
Zeca MCA: Eu acho difícil. Que canal dá espaço pra músico que não é de nenhuma gravadora?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Novidades da Boomshot ou do Manos e Minas?</strong><br />
Zeca MCA: Estamos gravando bastante Manos e Minas. Vai ter muita coisa boa. E a Boomshot andou um tempo parado por problemas técnicos, voltei com o programa AO VIVO com o People Under The Stairs e agora estou esperando o nosso desenho do site que já já ta pronto. Logo Stefanie e Rincón Sapiência estarão na Boomshot!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Considerações finais?</strong><br />
Zeca MCA: Uma coisa é importante se falar a TV cultura é um dos poucos lugares que você pode trazer musica de qualidade. Penso muito nisso. Eu lembro que a primeira apresentação do Chico Science e Nação Zumbi em uma TV aqui no sudeste, foi aqui na cultura no programa FANZINE que era apresentado pelo Marcelo Rubens Paiva. Eu estava no estúdio como telespectador e fiquei louco. E isso é a TV cultura, ela dá espaço para música de qualidade.</p>
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		<title>Dança com os manos, dança com a vida</title>
		<link>http://noiz.com.br/2009/11/10/danca-com-os-manos-danca-com-a-vida/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 19:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juca Guimaraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>
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		<category><![CDATA[nelson triunfo]]></category>
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		<description><![CDATA[Gilponês resgata vida e obra de Nelson Triunfo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aos 30 anos, o jornalista, rapper e escritor Gilponês pode se considerar uma testemunha viva da história do rap nacional, que acompanha desde os nove anos de idade. Atualmente, o premiado escritor se dedica a resgatar uma parte muito importante dessa história: A vida e obra de Nelson Triunfo, que completou 55 anos de idade no dia 28 de outubro.  O dançarino Triunfo é um dos precursores do hip hop no país e, nas palavras do escritor, um mártir do movimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Dia 31, haverá uma festa na Casa do Hip Hop de Diadema para comemorar o aniversário do Nelsão. Não vão faltar break, shows, grafite e muitas atrações. O lançamento do livro está previsto para 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhe a entrevista exclusiva do NOIZ com o escritor Gilponês, que morou alguns anos no Japão e lá montou um grupo de rap Saga Shuriken, com amigos brasileiros. O grupo disponibilizou no myspace as músicas &#8216;Responsa&#8217; e &#8216;Dê um stop&#8217;</p>
<div id="attachment_2071" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/saga.jpg"><img class="size-full wp-image-2071" title="saga" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/saga.jpg" alt="Gil (primeiro à esq.). Grupo Saga Shuriken  Foto: myspace" width="600" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">Gil (primeiro à esq.). Grupo Saga Shuriken  Foto: myspace</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Como surgiu a ideia de fazer esse livro? Você já conhecia o Nelson?<br />
</strong>Conheci o Nelsão rapidamente em 1997 ou 1998, em um evento em São Paulo, mas foi em Bauru, três anos depois, que mantivemos mais contato. Ele passou uns dias por lá, cidade em que eu morava, e nesta ocasião pude conversar mais com essa lenda viva do hip-hop brasileiro. Alguém até filmou uma sessão de freestyle entre eu e ele, mas eu nunca vi essa gravação.</p>
<p style="text-align: justify;">Passei quase quatro anos no Japão e, nesse período, o Nelsão mantinha contato pela internet. Quando voltei ao Brasil, no final de março, sonhei que tinha escrito a biografia dele. Depois que acordei, pensei: e por que não? Telefonei pro Nelsão, propus realizar este trabalho e ele entendeu meu propósito. Selamos essa parceria da maneira mais brasileira possível, numa feijoada dominical, e só tenho a dizer que para mim é uma grande honra poder registrar uma trajetória de vida tão fascinante quanto de Nelson Triunfo. A responsabilidade é enorme! Mas eu estou pronto pra missão e quem me conhece sabe o quanto estou me dedicando a ela!<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Sendo música de rap você tem outro ponto de vista, diferente do de um escritor, como isso deve se refletir no livro?<br />
</strong>Digamos que sou um bom ouvinte de rap, desde 1988. Mas sempre acompanhei o hip-hop como um todo, mesmo tendo identificação maior com o rap. Não levo jeito para desenhar nem dançar, mas admiro e valorizo muito o grafite e o break. Nelsão é assim, nunca dá mais atenção a um ou outro elemento da cultura hip-hop, procura equilibrar a coisa. Acho que, como temos um modo de pensar parecido, esses valores vão transparecer bem nas páginas do livro. O mais interessante é que não vai ser um livro de teorias. Os conceitos que o Nelsão transmite serão contados na prática, através de relatos de passagens incríveis da vida dele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Você acha que o Nelson Triunfo recebe a devida importância no movimento por conta das suas contribuições?<br />
</strong>Não. Nelsão é unanimidade no hip-hop nacional, é presença constante em programas de televisão e reportagens na imprensa, mas acho que ele merece muito mais do que isso. Aliás, todo reconhecimento que o Nelsão receber ainda será pouco perto de sua importância. Sem exagero: para mim, Nelsão é um mártir cultural.<br />
Ele tem ótimo coração e sempre tocou o hip-hop por amor à cultura. Em muitas ocasiões, pensou demais nos outros e acabou se esquecendo de si mesmo. Ele próprio admite isso. Mas, apesar da vida simples que leva, Nelsão é muito feliz, tem uma família de ouro e mantém-se em plena atividade, com saúde para continuar trabalhando em pró do hip-hop de raiz por muito tempo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/IMG_3902.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-2072" title="IMG_3902" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/IMG_3902.JPG" alt="Nelson Triunfo no centro de São Paulo  Por Janaína Castelo Branco" width="635" height="423" /></a></strong></p>
<p><strong>NOIZ ::: Por que os artistas de break não tiveram o mesmo destaque dos Mcs e DJs? Faltam eventos ou promoção da dança dentro da cultura hip hop?<br />
</strong>O break só existe no chão, na rua. Não dá para empacotar o break e vender numa prateleira, como se faz com os discos de rap. Isso faz com que o break nunca perca sua essência como cultura &#8220;de rua&#8221;. Faz, também, com que às vezes ele seja deixado de lado por algumas pessoas que só miram holofotes, flashes e lentes do mainstream.<br />
Eu sou contra alguém dizer que &#8220;ouve hip-hop&#8221;, sou contra as prateleiras de &#8220;hip-hop&#8221; nas lojas de CDs. Hip-Hop não é gênero musical, a música é rap. Hip-hop é toda a cultura que também inclui o break e o grafite. Mas não dá para combater os rótulos criados pela mídia leiga. Também não dá para negar que o rap ganha mais destaque do que o break.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas acredito que, independentemente da falta de divulgação, a dança de rua nunca vai morrer no Brasil &#8211; e muito graças a Nelson Triunfo. Eventos não faltam, incentivadores também não. Quem conhece o trabalho do Rooney Yo-Yo (Pixa-In) sabe disso. Também há gangues de break maravilhosas no Brasil, que frequentemente se apresentam no exterior e encantam gringos. O próprio Nelsão já levou a Funk Cia para a Alemanha duas vezes.<br />
Vale lembrar que Thaide, outro grande incentivador do break, conheceu o hip-hop através da dança, e só depois começou a fazer rap. GOG, X e até Chico Science também foram b.boys. E foi o break praticado no metrô São Bento que impulsionou a gravação do primeiro disco oficial de rap brasileiro, a coletânea &#8220;Hip-Hop Cultura de Rua&#8221; (Eldorado, 1987).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Como está a produção do livro? Você deverá fazer quantas entrevistas? Quais os pontos você pesquisou e que te chamaram mais atenção?</strong><br />
Digamos que o livro está ainda na fase inicial e a ideia é terminá-lo até o final de 2010, mas vou fazer as coisas sem pressa. Completei uns 20% da pesquisa e escrevi uns 10% do texto final, e ultimamente ando debruçado sobre vários rascunhos que ainda preciso &#8220;costurar&#8221; com calma nos próximos meses. Não planejei um número específico de entrevistas, vou gravar enquanto achar necessário. Além de colher várias horas de depoimentos, tenho acompanhado o Nelsão em alguns eventos e pesquisado também com pessoas que participaram/participam de sua vida. Pretendo ouvir pessoas como Thaide, Zulu King Nino Brown e Tony Tornado, além de muitos b.boys e pessoas envolvidas com a organização dos bailes blacks dos anos de 1970 e 1980.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda pretendo ir a Triunfo (PE), para conhecer o ambiente em que Nelsão nasceu e cresceu. Também planejo ir a Paulo Afonso (BA), onde ele conheceu o soul e o funk e montou sua primeira equipe de dança, chamada Os Invertebrados.</p>
<p style="text-align: justify;">A facilidade que tenho é o fato de Nelsão ser muito comunicativo e ter ótima memória. Isso faz com que, a cada entrevista, eu volte para casa com mais perguntas do que respostas&#8230; E ele tem muitas histórias boas para contar, muitas passagens de vida surpreendentes. É um verdadeiro griot (contadores de estórias das antigas tribos africanas, grandes referências da chamada &#8220;oralitura&#8221;) nordestino! Quero escrever um texto literário, mas com riqueza de detalhes sobre cada fase da vida do Nelsão, porque todas são muito interessantes. A trajetória de vida de Nelsão é um exemplo que merece ser perpetuado e, quando o livro sair, as pessoas vão entender por que digo isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Você pretende escrever outros livros sobre o hip hop? Qual o assunto?<br />
</strong>Pretendo reescrever por inteiro um trabalho que conclui em 2001, sobre a história do rap no Brasil, de modo a corrigir alguns pontos e atualizá-lo também. O livro se chama &#8220;Resistência, Arte e Política &#8211; registro histórico do rap no Brasil&#8221;, e esta versão antiga está disponível para download na biblioteca do portal Bocada Forte.<br />
Também tenho o objetivo de escrever outras biografias de personalidades interessantes do hip-hop nacional. Já tenho alguns nomes em mente, mas por enquanto estou 100% concentrado na biografia do Nelsão e, só depois de concluir esta nobre missão, vou pensar em outros projetos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>NOIZ :::</strong> Como você avalia a atual geração do rap? Quais são os artistas que chamam a sua atenção? Nacional e gringo.</strong><br />
Como em todo gênero musical, o rap tem muita coisa boa e muita coisa ruim. Nem tudo que é bom, ganha o reconhecimento, enquanto tem muita coisa ruim bombando nas rádios e pistas de dança. Mas a parte boa me deixa bastante otimista com relação ao futuro do rap, porque a cada dia pipocam talentos soberbos por aí, e muita gente boa que está na estrada faz tempo ainda tem gás e talento pra se manter na cena por longo tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sou mais apreciador de rap nacional, e destaco GOG, Racionais, MV Bill, DMN, LF, Sombra, Kamau, Emicida, RZO, Black Alien, Mzuri Sana, Nitro Di e DBS &amp; a Quadrilha como os que mais tenho escutado. Sobre rap gringo, tenho acompanhado pouquíssima coisa e gosto dos antigos, como NWA (e dissidentes), Run-DMC, De La Soul, A Tribe Called Quest, Public Enemy e KRS-One. Das safras mais recentes: Fugees, The Pharcyde, Common, Nas&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/IMG_3895.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-2069" title="Nelson Triunfo, no centro de São PAulo. Por Janaína Castelo Branco" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/11/IMG_3895.JPG" alt="IMG_3895" width="627" height="418" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>NOIZ :::</strong> Você acha que a literatura está se popularizando no hip hop? O que falta para promover a leitura dentro do movimento?<br />
</strong>O Chuck D (Public Enemy) tem uma frase muito boa, mais ou menos assim: &#8220;Um rapper fala sobre o que sabe. Portanto, se o conhecimento for limitado, obviamente o rap também será limitado&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">É interessante verificarmos que o hip-hop tem feito muita gente pegar em livros, seja para rechear as letras de rap, seja porque através do hip-hop essas pessoas despertaram para a importância de se manterem bem informadas. Ainda estamos longe de ter um número representativo de leitores, mas é bom ver que o fenômeno da leitura está crescendo na periferia, na contramão dos que acreditam que &#8220;o livro vai morrer&#8221; (ideia da qual eu discordo).</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje o hip-hop registra suas próprias memórias não só em grafites e letras de rap, mas também em livros. Hoje temos o movimento da chamada &#8220;literatura marginal&#8221;, temos o Sarau da Cooperifa do revolucionário mestre Sérgio Vaz, além de livros de personalidades importantes do rap. Thaide e DJ Raffa já lançaram biografias, o DJ TR lançou um livro sobre a história do hip-hop no Brasil, o GOG também está preparando um livro&#8230; Acho que estamos num bom caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que, antes, o povão não se identificava com os livros que eram empurrados a eles. Agora, as pessoas se identificam com os livros e os autores porque sabem que aquilo ali é a sua história e que os escritores são pessoas iguais a elas, que falam a sua língua e vivem os mesmos problemas que elas. Ferréz, Sacolinha, Alessandro Buzzo, Sérgio Vaz, Paulo Lins e tantos outros nomes estão ajudando a impulsionar esta coisa maravilhosa chamada leitura, eles estão fazendo muito moleque trocar o cano por um livro. Para estes caras, eu tiro o chapéu e faço reverência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>NOIZ :::</strong> Quais os seus escritores preferidos?</strong><br />
Não sei se tenho escritores preferidos, talvez tenha livros preferidos. Muita literatura brasileira, principalmente Machado de Assis, gênio das palavras. Dele, destaco &#8220;Dom Casmurro&#8221;, &#8220;Memórias Póstumas de Brás Cubas&#8221; e &#8220;O Alienista&#8221;, além de seus contos maravilhosos, como &#8220;A Igreja do Diabo&#8221; e &#8220;A Cartomante&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Também gosto muito de literatura russa, principalmente de Fiódor Dostoiévski &#8211; já li três vezes &#8220;Crime e Castigo&#8221;, que em minha opinião é o melhor livro do mundo. Eu não posso esquecer de mencionar Franz Kafka (“O Processo”, “O Castelo”, “A Metamorfose”), George Orwell (&#8221;1984&#8243;, &#8220;A Revolução dos Bichos&#8221;), Alex Haley &#8220;Malcolm X&#8221; e &#8220;Negras Raízes&#8221;) e todos os autores da literatura marginal brasileira, além dos livros de MV Bill e Celso Athayde.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong>NOIZ ::: </strong>Quais as biografias mais legais que você leu? Porquê?<br />
</strong>As mais representativas dentro do hip-hop foram as de Malcolm X e Kunta Kinté (&#8221;Negras Raízes&#8221;), ambas do Alex Haley, que considero leituras indispensáveis. Também fiquei impressionado com &#8220;Fight the Power: Rap, Race and Reality&#8221;, escrito pelo Chuck D, &#8216;meio biográfico&#8217;, mas que não possui versão em português.</p>
<p style="text-align: justify;">De autores brasileiros, destaco os livros de Fernando Morais e Ruy Castro. Uma biografia interessantíssima é &#8220;O Anjo Pornográfico&#8221;, de Ruy Castro, sobre a vida de Nelson Rodrigues. &#8220;Chatô, o Rei do Brasil&#8221;, do Fernando Morais, ajuda a entendermos o funcionamento prostituto da imprensa brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Conheça um pouco mais sobre o autor</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gilberto Yoshinaga (Gilponês), 30 anos, nascido em Mogi das Cruzes (SP).</p>
<p style="text-align: justify;">Entre 1999 e 2001, produziu e apresentou o &#8220;Som das Ruas&#8221;, o primeiro programa a tocar rap nacional na Rádio Unesp de Bauru (SP).</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2001, escreveu o livro-reportagem (não-publicado) &#8220;Resistência, Arte e Política &#8211; registro histórico do rap no Brasil&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Em dois anos consecutivos (1998 e 1999), ganhou prêmios literários na Academia Brasileira de Letras (ABL). Os dois textos premiados faziam alguma menção ao hip-hop.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.myspace.com/sagashuriken">www.myspace.com/sagashuriken</a></p>
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		<title>A outra face de Akin</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 15:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[akin]]></category>
		<category><![CDATA[designer]]></category>
		<category><![CDATA[festa]]></category>
		<category><![CDATA[mc]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[produção artística]]></category>
		<category><![CDATA[produtor]]></category>

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		<description><![CDATA["Querer abraçar o mundo é o maior erro dos produtores independentes"]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Eduardo Ribas/<a href="http://www.perraps.wordpress.com/" target="_blank"><span style="color: #ffcc00;">PerRaps</span></a> com fotos de Janaina Castelo Branco<br />
tratamento de imagem: Ênio Cesar</em></strong></p>
<p>Muita gente conhece os trabalhos que Francisco Julio Bicudo Neto faz e fez no passado. Mas o que as pessoas não sabem é o papel nos bastidores que o MC, produtor, seletor e designer Akin faz festas como a Jazz it Up! (Studio SP) ou a badalada Chaka Hotnightz (Tapas, SP).</p>
<p>Mais conhecido como MC, Akin, de 31 anos, já foi integrante do respeitado grupo Academia Brasileira de Rimas, que contou com nomes como Kamau, Paulo Napoli e Max B.O, além de ter um trabalho solo com rimas que destoam de seus colegas de profissão. Saiba mais sobre esse trabalho de produtor de shows e festas de AKin em 10 perguntas feitas por Eduardo Ribas, do blog PerRaps, exclusivas para o Nóiz.</p>
<div id="attachment_1466" class="wp-caption aligncenter" style="width: 577px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/akin_interna.jpg"><img class="size-full wp-image-1466" title="akin_interna" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/akin_interna.jpg" alt="Akin     por Janaina Castelo Branco" width="567" height="378" /></a><p class="wp-caption-text">Akin por Janaina Castelo Branco</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Como surgiu a idéia da festa Chaka Hotnightz, no Milo (clube de São Paulo)? Qual o seu papel na festa?</strong><br />
Akin: A idéia da Chaka Hotnightz surgiu muito antes da existência do Milo Garage, há mais ou menos uns cinco ou seis anos.<br />
Eu e meus amigos costumávamos conversar muito sobre a existência de alguma festa aqui em São Paulo que fizesse valer a pena sair de casa e sempre chegávamos à conclusão de que não havia nenhuma. Como a gente estava cansados de esperar por alguma novidade, decidimos fazer uma festa nossa, em um lugar qualquer, pra tocar aquilo que gostávamos de ouvir em casa, fazendo da Chaka o tipo de festa que gostaríamos de ir.<br />
Fizemos um primeiro teste dessa idéia em Campinas, no Bar do Zé, um lugar totalmente desestruturado pra qualquer tipo de festa ou coisa do tipo. Depois da primeira, começamos a fazer edições esporádicas na Torre (antiga Torre do Dr. Zero), em Pinheiros, aqui em São Paulo. Acabávamos sempre pagando pra tocar, já que o preço de entrada era simbólico e na festa só iam amigos, namoradas de amigos e uns poucos conhecidos.</p>
<p>Com o tempo começou a aparecer um pessoal que a gente não sabia de onde vinha. Foi então que percebemos que a coisa toda estava começando a funcionar e em menos de um ano saímos da Torre e fomos pro Milo Garage, a convite do dono, logo que o lugar abriu.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu papel na festa é o mesmo dos outros integrantes da Ponicz Crew. Somos cinco seletores (eu, Brandão, Gerez, Granado e Nicolas) que se revezam nos toca-discos durante as noites de sexta, tocando aquilo que gostamos. As decisões sobre o rumo da Chaka também são feitas em grupo, discutidas e definidas por todos os integrantes do coletivo.</p>
<div id="attachment_1486" class="wp-caption aligncenter" style="width: 550px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/IMG_0805_.jpg"><img class="size-full wp-image-1486" title="IMG_0805_" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/IMG_0805_.jpg" alt="IMG_0805_" width="540" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">Akin, por Janaina Castelo Branco</p></div>
<p><strong></strong><br />
<strong>NOIZ: Por quanto tempo ela ficou no Milo? A festa mudou de local por quê?</strong><br />
Akin: Ficamos no Milo desde a abertura, em 2004, até março deste ano. Mais de quatro anos no total, até a nossa mudança para o Tapas Club, na rua Augusta. No começo, quando as pessoas ouviam falar de uma festa que misturava afrobeat, dub, jazz, rock, rap, música brasileira e mais um monte de coisa, todo mundo achava estranho e não entendia nada, já que a Chaka Hotnightz era inclassificável dentro de algum gênero de &#8220;balada&#8221;.</p>
<p>O fato de não querermos cair na mesmice, na fórmula da repetição, acabou resultando na mudança de local. Não nos agradava sentir que poderíamos estar acomodados com a imensa fila que se formava do lado de fora do Milo, todas as sextas-feiras há anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para nós a Chaka nunca foi nem nunca será uma balada, e sim um acontecimento que reúne pessoas diferentes em um lugar comum para ouvir música. E o mais importante nisso não é o número de pagantes que frequentam um lugar que está na moda, e sim a troca que é feita entre nós e as pessoas interessadas em algo novo e diferente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Quando você sentiu a necessidade de criar a Jazz it Up!? Como foi a negociação por espaço (no caso, com o Studio SP)?<br />
</strong>Akin: Não foi exatamente uma necessidade, mas um desejo de tornar o jazz mais acessível fora do eixo da alta classe.</p>
<p>As festas de jazz aqui em São Paulo têm esse velho problema de serem feitas pela elite para a elite. Isso me motivou a fazer uma festa com preço justo e de forma mais &#8220;democrática&#8221;, tanto para o público como para os músicos convidados. O foco principal era fazer da Jazz It Up! Uma conversa sonora entre o jazz e outros estilos, com shows de bandas ao vivo ao lado de convidados inusitados, na maioria das vezes mc&#8217;s.</p>
<p>Como esse era um formato incomum para uma festa de jazz, a negociação com o Studio SP acabou sendo mais fácil, já que a casa não possuía uma noite de jazz ainda. A mistura acabou sendo mais positiva do que eu pensei que seria. A maioria das bandas nunca havia tocado com mc, e os mc&#8217;s em sua grande maioria nunca haviam feito nada com jazz ou com banda ao vivo.<br />
Em todas as edições deixei os músicos e convidados totalmente à vontade pra tocarem o que eles querem o que é raro de acontecer nas casas de jazz da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Isso atrapalhava seu processo criativo de alguma forma? Seja no seu trabalho em agências de publicidade ou como MC?<br />
</strong>Akin: De forma alguma. Trabalhar com música é sempre gratificante, seja dentro ou fora do palco. Sempre tive a sorte de trabalhar com músicos nos quais acredito e que me inspiram. Mas produzir uma festa, escrever uma letra nova ou desenvolver um layout são coisas totalmente diferentes. O mais difícil é ter tempo de conciliar tudo numa rotina só. Meu trabalho em agência de publicidade como designer e arte finalista sempre foi o mais puxado, e, consequentemente era o que mais me tirava tempo pra fazer outras coisas. Há um ano eu decidi entrar no esquema de freelancer pra poder me dedicar a coisas que me dão mais prazer em fazer, como meu primeiro disco e os trabalhos de produção.</p>
<div id="attachment_1491" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/IMG.jpg"><img class="size-full wp-image-1491" title="IMG" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/09/IMG.jpg" alt="Akin, por Janaina Castelo Branco" width="600" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Akin, por Janaina Castelo Branco</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Você também acaba auxiliando a vinda de rappers de fora do Brasil para tocar. Como é esse processo? Sua função termina no diálogo com os artistas ou continua durante a estadia deles no país?</strong><br />
Akin: Na verdade meu trabalho começa com a chegada dos artistas aqui. Na maioria das vezes trabalho como cicerone, do primeiro ao último dia da estadia dos músicos. Sou responsável por fazer com que tudo funcione dentro de uma agenda de datas, horários e compromissos. Aos poucos estou me envolvendo também em uma parte maior do processo, como a negociação de valores de cachê e outros detalhes. O Rodrigo Brandão (Mamelo Sound System) e a Camila Miranda são os principais responsáveis por esses trabalhos de produção que faço. Trabalhar com eles é sempre um grande aprendizado.</p>
<p><strong>NOIZ: Faça um comparativo das festas Chaka e Jazz it Up!, em termos de público e de satisfação pessoal.<br />
</strong>Akin: As duas me dão grande satisfação pessoal. O público não é totalmente distinto de uma festa para outra. Acredito que em média 30% das pessoas freqüentam as duas festas. A Jazz It Up! ainda é algo novo que precisa passar por pequenas mudanças e ajustes até se firmar de verdade. A Chaka Hotnightz existe há mais tempo e é a festa em que eu toco como seletor. Existe uma satisfação &#8220;extra&#8221; em poder tocar ao lado de meus grandes amigos aquilo que eu ouço na minha casa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Quais as maiores dificuldades de se manter uma festa em São Paulo?<br />
</strong>Akin: Acho que uma das maiores dificuldades é achar um bom lugar, com um dono que entenda do que se trata a sua proposta. Antes de tudo você precisa realmente acreditar naquilo que você faz pra que alguém acredite também. Pra mim, a Chaka é um ótimo exemplo de que fazer aquilo em que se acredita dá certo. Sempre ouvimos falar de festas fora de São Paulo que são chamadas de &#8220;a Chaka do Rio de Janeiro, de Curitiba, de Belo Horizonte&#8221;. Em geral, a maioria das pessoas sabe que, no fundo, o que existe é uma tentativa de repetição do estilo Chaka Klan de discotecagem (hahahahaha).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Em que momento você decidiu dar um tempo com a Jazz it Up! para produzir os shows do Mamelo?</strong><br />
Akin: No momento em que eu me dei conta de que é impossível fazer duas coisas ao mesmo tempo, principalmente quando você quer fazer um bom trabalho. A pausa da Jazz It Up! coincidiu com a temporada do Mamelo Sound System no Vegas, que fui convidado a produzir. Querer abraçar o mundo é o maior erro dos produtores independentes que temos por aqui &#8211; e que são péssimos em sua grande maioria.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Você acha que faltam produtores de festa e de grupos em São Paulo? O que falta para mais pessoas se dedicarem a essas funções?<br />
</strong>Akin: Acho que faltam produtores competentes. E competência não tem nada a ver com mais ou menos recursos de produção. Falta conhecimento, pesquisa e maior dedicação de verdade em entender essas funções, principalmente no meio do rap. Achar que uma boa produção se resume a um flyer bem impresso em quatro cores e mil contatos de e-mail é uma ignorância sem tamanho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ: Qual a sua perspectiva para o rap, em curto e longo prazo?<br />
</strong>Akin: Acho que o rap tem caminhado para uma evolução positiva nesses últimos anos. Dentro da cena nacional acredito que muita coisa ainda vai dar errado até que algo comece a dar realmente certo, infelizmente. A parte boa é que, hoje em dia, existe uma maior compreensão do rap dentro e fora do mercado comercial. O mais positivo nisso é que os independentes ganham cada vez mais força, pois o poder de marketing está deixando de ser a força motriz de vendas, dando mais espaço para que pequenos e novos artistas mostrem seus trabalhos. O fácil acesso aos meios de auto-suficência artística também tem sido muito favorável para que isso aconteça. Acredito que o mercado independente dos selos e artistas autônomos será o futuro do rap.</p>
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		<title>Tonho Crocco: noites de primeira às segundas-feiras</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 16:28:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Xavi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[alternativo]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[tonho crocco]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia entrevista feita por João Xavi]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Multidões já cantaram em altos brandos que “<em>todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite</em>”. Dizem ainda que “<em>a voz do povo é a voz de Deus</em>”. Se estas duas afirmações são verdadeiras elas se complementam e eu, diante de tanta magnitude, as aceito de bom coração. Acredito de verdade que os embalos de sábado à noite tem mesmo um tempero em especial. Mas e de uma segunda-feira em pleno inverno carioca, o que se pode esperar?</p>
<p>Os termômetros que costumam pingar de suor apontavam desafiantes 14° graus, temperatura que inspira qualquer típico morador da Cidade Maravilhosa a se enjaular e permanecer debaixo das cobertas dentro da própria toca. Ignorei o frio, e devidamente encasacado parti em direção ao Cinematèque Jam Club. O bar no bairro de Botafogo foi, ironicamente, aquecido por um gaucho! Tonho Crocco é o nome do “heating” que devolveu ao Rio o calor à medida que a terrinha está acostumada.</p>
<p style="text-align: justify;">Tonho passou os últimos 17 anos atuando como cantor e compositor da Ultramen, banda com a qual realizou 5 discos e inúmeros shows. Com o fim da banda o vocalista mudou-se para Nova Iorque onde, sem planejamento prévio, acabou cometendo seu primeiro trabalho solo: Teto Solar. De volta ao Brasil, o gaudério não parou e segue ainda no estilo sem querer querendo colocando o nome no mapa e o som nas orelhas mais atentas.</p>
<a href="http://noiz.com.br/2009/09/01/tonho-crocco-noites-de-primeira-as-segundas-feiras/"><p><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></p></a>
<p>No show que fez aqui no Rio, Tonho apresentou toda (boa) nova safra de composições, não deixou de lado as faixas mais swingadas da época do Ultramen, clássicos do rock gaúcho como “Amigo Punk” e ainda recheou o set-list com versões de sons inusitados dos óbvios, porém inescapáveis, Rei (Jorge Ben) e Príncipe (Bebeto) do Samba-rock. A celebração ocorreu em tão alto-nível que acabou inundando a pista do modesto Cinematèque de uma energia pra lá de positiva. Resultado: cariocas, gringos e gaúchos (boa parte do público presente) dançaram até o termômetro e os pés dizerem chega! Voltei pra casa de coração satisfeito, sorriso aberto e uma imensa sensação de alívio que só me permitia pensar: _ Puta que pariu! Ainda bem que saí de casa nesta noite!</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns dias depois reencontrei Tonho Crocco no Clandestino, clube onde faria um DJ-set, e numa típica conversa de boteco Tonho falou dos tempos de Ultramen, das peripécias para sobreviver em Nova Iorque, do impacto da viagem em seu novo trabalho, Fela Kuti, Baben Powell&#8230; Ficou curioso? Puxe uma cadeira, peça uma bebida e acompanhe o bate-papo.  Um brinde ao bom som, Saúde!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Pra começar do começo, como foi a sua história com a música? Antes de ter a primeira banda, de fazer música, como a música chegou pra você?<br />
</strong>TONHO CROCCO :: Resumão, né? Eu queria ser desenhista, minha piração era o desenho. Ai minha mãe viu o meu dom artístico e me botou numa aula de iniciação de música.  Eu comecei a aprender flauta doce no colégio mesmo.  Depois eu entrei no coral do colégio, isso eu tinha 12 anos de idade, era mais ou menos 1984. Foi só com 16 que eu comecei aprender a tocar violão e gaita de boca, tudo ao mesmo tempo em Porto Alegre. Minha mãe viu que eu gostava de arte em geral, mas daí quando eu comecei a ter aula de música eu abandonei o desenho e veio isso tudo: flauta doce, gaita de boca, violão. Aos 18 anos eu entrei no Ultramen, foi minha primeira banda. E aí seguimos o baile&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Ouvindo a Ultramen eu sempre me liguei que havia duas linhas no seu trabalho vocal. Rolava a coisa de MC e de cantor, o que não é muito comum por aqui. Como era trabalhar nessas duas direções?<br />
</strong>TC ::<strong> </strong>Difícil, né cara? Geralmente o cara que canta não sabe improvisar, pode até cantar um RAP, mas de repente não tem os trejeitos, não tem aquela desenvoltura. Eu fui aprendendo violão, as músicas fácies pra tocar no violão, Raul Seixas, Os Paralamas&#8230;sei lá! E ao mesmo tempo meus amigos assim:  “Bah! Ouve isso aí, tem que ouvir a novidade que é o RAP. Tu já ouviu isso ai? Thaíde, Racionais, MC Jack?” Tinha aquela coletânea em vinil O Som das Ruas, né? Os Metralhas, essa galera de SP. E lá no Sul também tinham uns grupos&#8230;<br />
As músicas de RAP geralmente são batida e voz, não dá pra tocar no violão. Mas ao mesmo tempo, que eu estava aprendendo música clássica, teórica, melodia, comecei a aprender uma coisa que não existia em nenhum lugar, só na rua ou pra quem tava comprando os vinis e gravando as fitinhas K7. Ai eu comecei a decorar as letras, depois fazer minhas letras e só depois comecei a improvisar. Foi uma longa história e é um diferencial também. Eu tenho certeza disso. É mais raro ainda músicos que cantam, sabem improvisar, rappear, né? E ainda compõem e tocam um instrumento. Eu sempre curti esse lado, sou um cara que estudou leitura musical. Posso demorar três horas mais eu tiro toda partitura ali, tenho consciência disso, mas eu acho que isso se deve a um estudo. E foi prazeroso pra mim, não foi ruim aprender música. Tem uns que acham um saco estudar, eu acho bacana aprender, estudar música. Seja ela mais clássica ou de rua.</p>
<p><strong>NOIZ ::: Como foi a vivência com o Ultramen, essa história de 17 anos de banda trilhando um caminho meio independente?<br />
</strong>TC :: 17 anos sem ter estourado, né? Na verdade, estourou quando o Falcão (O RAPPA) participou da “Dívida”. E ai a banda acabou. Vou começar pelo fim, né? A gente parou na hora certa, a gente parou quando tava lá em cima e quando a coisa começou a rolar demais até. Mas no começo foi minha primeira banda, eu tinha 16, 17 anos, e a banda foi tocar ao vivo só um ano depois. A gente começou amigos e terminamos amigos. Começamos juntos e terminamos juntos. Foi do caralho, foi lindo, 17 anos, 5 discos autorais. Independente a gente não era, mas a gente sempre esteve em gravadoras independentes. Foi o caso da Rock It (selo de Dado Vila Lobos), A Sum Records, a Antídoto lá de Porto Alegre. O “Acústico das Bandas Gaúchas” da MTV sim foi lançado pela Sony, e ai que a coisa começou a ficar estranha. A gente, claro, sempre quis mais, almejou sonhos e teve planos. Mas a gente foi muito feliz nestes 17 anos. Acredito que hoje em dia é possível sim viver no Brasil sendo um bom músico e não estando na mídia, mas tendo as pessoas certas ouvindo seu som e indo no seu show. Porque o grande resumo é esse, né? É a pessoa que ouve tua música, seja gravação ou ao vivo. Estes são os dois jeitos, não tem como cheirar a música ainda. E nisso a Ultramen fez tudo certo, a gente fez bons shows, gravamos bons discos tomando muito cuidado com a sonoridade, e acho que a galera respeita muito a banda por causa disso.</p>
<p><strong>NOIZ ::: Lendo aquele livro “<em>Gauleses Irredutíveis – Causos e atitudes do Rock Gaúcho</em>”, fica claro que existe uma tradição forte de rock no estado, mas a Ultramen sempre foi mais do que uma banda de rock&#8230;<br />
</strong>TC :: Esse é mais outro trunfo da gente. Na época que todo mundo tava fazendo rock gaúcho, só uma breve explicação, os anos 80 foi o último grande boom do rock brasileiro e o RS entrou com bandas como Engenheiros do Havaí, Nenhum de Nós. Coisas boas também como De Falla, TNT, Cascavelhetes, Garotos da Rua, um monte de gente! Mas depois nos anos 90 parece que nada aconteceu. A gente sempre ouviu essas bandas, mas não queria ser que nem eles. Elas continuam num lugar sagrado pra gente.<br />
O gaúcho parece um pouco com o argentino por ter uma relação de loucura com o rock! Coisa que não tem como explicar. Talvez por ter uma colonização mais européia, e menos miscigenada como o resto do Brasil. Mas a gente tentou fugir um pouco disso. Eu gostava, mas não queria fazer rock gaúcho. O próprio Cachorro Grande hoje em dia é Beatles e Stones. Mas se os gringos têm Lenon e Mac Cartney a gente tem Vinícius e Tom. A gente (a Ultramen) começou a ouvir Tim Maia, Jorge Bem, sambas gaúchos como Lupicínio Rodrigues, Luis Vagner, Pau Brasil, Bedeu, muito reggae, coisas que nenhuma banda até então tinha feito, assim da forma como a gente fez. O próprio Luis Vagner foi o primeiro a gravar reggae no Brasil, eu acho. Mas a gente misturou tudo isso, até com rock gaúcho a gente misturou e isso foi o nosso diferencial: fugir um pouco de tudo que é padrão pra galera daquela época e daquele lugar.</p>
<a href="http://noiz.com.br/2009/09/01/tonho-crocco-noites-de-primeira-as-segundas-feiras/"><p><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></p></a>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: O Ultramen flertava com rock mais pesado, e no teu disco já é outra onda&#8230;<br />
</strong>TC ::<strong> </strong>É&#8230; não tem nada! A Ultramen já tinha feito rock e reggae suficiente e eu achava que faltava mais brasilidade na banda. Não ser mais gaúcha ou mais carioca, mais Brasil! Outro motivo é que eu fui pra Nova Iorque e fiquei mais brasileiro ainda, aprendi a gostar e compor mais sobre o meu chão, sacou? Daí eu não senti a necessidade de colocar as influências que a Ultramen já tinha usado.<br />
Tu ouviu o disco? Na “Abre-alas” eu resolvi ir pro lado mais assim Afro-Beat. As bandas de Nova Iorque estão tudo fazendo assim também, o Budos Band que faz Funk instrumental também, o Antibalas&#8230; tem uma galera! E nas outras músicas eu vejo que tem ali Cartola, como em “Quadratura” que é uma parceria minha com o Zé Luis, um compositor carioca foda! Tem uma coisa meio João Bosco ali no “Galo de Briga”, aquela coisa meio chulé e não tão polida como ele é hoje, antigamente ele era mais roots, mais sujo, não como é hoje&#8230; eu amo o cara, e prefiro a fase antiga.<br />
Mas antes que tu fale eu vou falar mal, a última música do disco (um remix de “Abre-alas”) não é exatamente o meu tipo de música, mas eu achei bacana fazer isso também. Fiz isso pra deixar a galera brava mesmo, botei um remix meio House de um cara chamado Chris Penny, que é de Chicago, onde nasceu o House. E eu botei também pra quebrar isso, era outra coisa que a Ultramen nunca tinha feito, uma música totalmente eletrônica. Sempre tinha baixo, guitarra, bateria, teclado, percussão e DJ. Mas nunca batida eletrônica. Eu resolvi botar pra sacanear mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Eu realmente senti maior estranheza quando ouvi&#8230;<br />
</strong>É a pior do disco, mas eu prefiro falar mal antes dos outros falarem&#8230; (risos)<br />
E como foi essa história de ir pra Nova Iorque e fazer as coisas por lá? Você trabalhou com uma galera boa por lá, conta aí.<br />
Bom, a banda parou depois de 17 anos e a gente terminou amigavelmente mesmo. E daí cada um foi pra um lugar do mundo. Um foi pra Irlanda, outro pra São Paulo e eu fui parar em NY. Fiquei curtindo, vendo show, show de graça e pago, Central Park todo dia&#8230; era verão, né? Comecei a compor sem parar, muitas idéias, coisas, letras, foi uma abertura de portas, percepção, pessoas. Estudei inglês, morei com um negão americano, dividi o quarto com ele no bairro do Brooklyn, que em alguns aspectos é bem parecido com o Brasil. Eles também têm um swing, uma malandragem como tem aqui. E não é uma coisa agressiva, as pessoas que interpretam mal. Eu era bem recebido pela comunidade afro-americana e latina, os chineses também, sem menor preconceito. As pessoas olham no teu olho e veem qual é a sua.<br />
Eu tava tocando num buteco ai veio um cara e me apresentou o Simon Katz, rolou aquela coisa de muito prazer e tal&#8230; ele me convidou pra ir na casa dele, mostrei as músicas e decidimos gravar. Ele me apresentou o Zé Luis Oliveira (saxofonista carioca). Daí nós gravamos o disco, mixamos, tudo lá&#8230; Havia uns músicos que já tocavam comigo nos botecos, e a outra metade foi músico de estúdio. Sabe rato de estúdio? Ele vem aqui, cobram barato, pega rápido, a gente faz três takes e edita. Ai beleza. Fizemos tudo meio na brodagem, a mixagem foi no Legacy, estúdio que todo mundo grava: The Roots, Erika Badu. Tudo na brodagem.  Sabe? aquela coisa? Sobrou uma horinha, a gente ia lá e mixava&#8230; os caras deram uma força, sei lá por que, vai ver gostaram do meu rostinho (risos) E resolveram me ajudar, eu não esperava por isso, não pedi isso e não fui lá pensando em gravar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: E depois que você voltou com o EP pronto, ta fazendo alguns shows por ai, no Sul, no Rio, como que ta rolando isso?<br />
</strong>TC :: Quando eu voltei pro Brasil em novembro eu já comecei a tocar em barzinho tanto as músicas do Ultramen como as minhas músicas novas e também alguns covers, que eu nem escolho, eu decido na hora e toco desde Cartola a Tom Jobim. Quando cheguei mandei logo prensar o meu EP com esses sons que gravei em Nova Iorque, porque eu não sou bobo, né? Mandei prensar em SMD, que é aquele formato que tem que vender a R$5. O disco chegou tem algumas semanas e já vendeu quase mil cópias. Independente. As rádios que estão tocando são as que não cobram jabá e pra minha surpresa elas são muitas. Estou admirado com a quantidade de pessoas de rádio que estão recebendo bem a minha música. Gravei um clipe com a direção do Pedro Furtado, que é filho do Jorge Furtado e ator, roteirista. E o bagulho não parou, estou aqui agora tocando no Rio. Por enquanto está rolando mais no Sul, mas já fiz alguns shows em Santa Catarina e agora estou aqui no Rio. Cara, eu voltei pro Brasil em novembro e já aconteceu coisa pra caramba! Eu acho que estou indo muito rápido até, inclusive. Se eu fosse esperar para lançar um disco nada disso teria acontecido. Por isso eu fiz um EP mesmo com essas cinco músicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Você prensou cinco mil cópias do EP, não é meio loucura prensar tanto assim de uma vez?<br />
</strong>TC :: Prensei cinco mil e já to preocupado porque de repente eu tenha que prensar mais cinco. Sério cara, vende muito rápido porque o preço é justo e honesto. Eu tenho certeza que as pessoas pensam que nem eu nesse aspecto, porque eu sou tricolor, sou gremista, então tem muita gente que não pensa como eu futebolisticamente. Falando sério: acho que as pessoas querem ter o CD original do artista. Se elas puderem pagar R$5 elas vão pagar, o que não pode é isso ai: gravadora, lojista ganha pra caralho, que nem livreiro, né? Ou então, filhos da puta de rádio jabaculenta que ganham vários mil reais por mês pra tocar música americana ou as brasileiras jabaculenta, ou pagando pra não tocar os concorrentes deles. O que é pior ainda. Olha o que é a arte e as rádios no Brasil hoje. Mas temos exceções, graças a Deus.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Nessa doideira de viver na música eu sei que você também ataca de DJ, nas carrapetas, o que você toca?<br />
</strong>TC :: Ah, esqueci de falar. Um dos empregos que eu tive em Nova Iorque era o de DJ num bar/restaurante chamado Miss Favela, um nome meio parecido com o Favela Chic e tal. Essa coisa de DJ eu já fazia no Brasil, mas lá eu comecei a fazer por necessidade. O pessoal precisava de um DJ que tivesse um acervo de música brasileira, mais um motivo pra minha música ficar mais brasileira. Eu tocava com tudo, vinil, CD&#8230; porém no set que estou fazendo na turnê aqui no Rio eu tenho posto um pouquinho de Afro-beat, as bandas que te falei, a Sharon Jones, pessoal do Deep Kinds, Sean Kuti, Fela Kuti, Antibalas, Budos Band. Muito reggae roots clássico tipo Gregory Issacs, Sly &amp; Robbie e coisa nova também tipo Canaã, que é um rapper de Nova Iorque que eu gosto pra caralho e também música brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Pra fechar, a última pergunta por que você já deve estar de saco cheio&#8230;<br />
</strong>Que nada, to adorando! Só pra registrar pra história: estamos aqui, sexta-feira, dia 24 de julho de 2009, na rua Barata Ribeiro, Bar Clandestino 111 em Copacabana, Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: E o DJ Tamenpi toca o remix de Tim Maia Racional&#8230; pô, e no teu show, além de tocar Jorge Ben, “Era uma vez um aposentado Marinheiro”, que é uma faixa meio lado B você também tocou Bebeto, que é  meio deixado de lado às vezes&#8230;<br />
</strong>TC :: Pois eu adoro! E tem outro motivo que é também a explicação porque o Bebeto faz muito sucesso no Rio Grande do Sul porque os maiores hits clássicos do Bebeto são composições do Bedeu, do Alexandre, do Luis Vagner ou do Leleco Teles. É só tu pegar ali nos vinis e acompanhar quem são os atores. O Bebeto deu uma força pra estes caras nos anos 70. Então é por isso que eu gosto pra caramba e o RS gosta do Bebeto, por ele ter dado essa força pros caras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ :: Pra fechar de verdade, pra quem vai esbarrar com o Tonho Crocco pelas pistas, pelos shows, o que pode esperar dessa nova aventura?<br />
</strong>TC :: Bom, cara. Acho que a galera vai poder me ver dando canja ai pela noite, atacando de DJ ou de MC também. Mas eu espero que todo mundo veja o resultado ao vivo desse trabalho, que não é só esse EP, são 18 anos tocando na noite e peço que todo mundo tente conferir pra ver qual é a minha verdade e minhas limitações. Ver como tudo pode funcionar com fluidez, independente de estilos, estados, fronteiras, territórios, norte, sul, leste, oeste.  Gaucho, carioca, nordestino, paraibano&#8230; tentar mostrar do meu jeito, meu proceder, a música ao vivo e as gravações pro cara poder degustar as letras. Mesmo falando coisas boas ou más, essa é a minha verdade mesmo.</p>
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