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03 DE setembro, 2011 - CÉU DO RAP
- CEU Sapopemba, São Paulo - SP
06/08/2010 - por Site Nóiz
Profundo e verdadeiro
Por: Juca Guimarães
A oficina de MCs que o site Noiz em parceira com o espaço +Soma promoveu em São Paulo serviu para jogar um holofote potente e preciso em todos os aspectos que envolvem a figura do mestre de cerimônias. Criatividade, linguagem, novas tecnologias, carreira, mercado fonográfico, contratantes e a importância do produtor foram alguns dos temas discutidos com franqueza e conhecimento de causa pelos MCs convidados: Emicida e Edu Lopes (A Filial).
O público que prestigiou o evento ou que acompanhou pela internet pôde fazer perguntas e propor temas para o debate. O clima da oficina foi de bate-papo descontraído e os assuntos eram exemplificados com músicas e histórias pessoais dos dois MCs. E por falar em música, o DJ Nyack caprichou nas escolhas e as pick-ups explodiram sons do Xis, Parteum, Black Aliens, Kamau, Sabotage, RZO, entre outros para mostrar as diversas linguagens e estilos adotados pelos MCs.
“A música é livre e permite muitas inovações. E cada um precisa buscar a sua verdade para fazer o seu estilo. O MC Sombra é um exemplo. Ninguém consegue rotular o que ele faz, o jeito como ele canta as palavras. Aquilo lá é dele, é o estilo dele. Uma vez o perguntaram qual era sua influência, a resposta foi: o esqueleto do He-Man. É isso, o talento do cara está nessa onda de transformar o que ele viu lá atrás na TV no estilo de rap que ele faz”, disse o Emicida.
Para Edu Lopes, a principal arma do MC é a preparação e a busca pelo conhecimento. “Não dá para ser MC e fazer rap sem ler. Tem que ler para caramba. Também tem que escrever. Teve uma época que eu escrevia todo o dia. Mas era todo o dia mesmo. Eu tinha que escrever alguma coisa e colocava a data. Não é que todo dia vai ter uma letra de rap ou uma idéia inspiradora, mas tem que escrever para dominar a técnica de colocar as idéias no papel. Ser MC é saber se comunicar. E isso vai muito além de saber o português correto”, disse Edu, que para compor prefere usar lápis e borracha. “Às vezes, mais a borracha do que o lápis”.
Outro ponto muito destacado na oficina foi a relação dos artistas com os contratantes de shows. A relação nem sempre é amigável e o mercado é cheio de armadilhas. O artista tem que saber valorizar o seu trabalho e não pode permitir o sucateamento da sua obra. “porque se o cara (contratante) achar uma brecha, ele sempre vai querer pagar menos. Isso vai fechando portas e é ruim para o próprio rap. Ser MC é um trabalho e tem que ser valorizado”, disse Emicida.
“Tem contratante que te liga falando baixinho que ia contratar fulano por tanto, mas se você fizer por menos ele te leva. Isto está completamente errado. Nessa hora o MC tem que se impor e mostrar quais são as suas regras. Se o cara me liga sussurrando uma proposta assim, eu já o mando comprar uma pastilha Valda e me ligar depois para conversar sério”, disse Edu Lopes.
Também foi debatida a participação do produtor na realização de um álbum ou na carreira do artista. “O produtor é o cara que vai entender e potencializar o seu trabalho. É preciso formar uma parceria para que realmente funcione. Não pode ter disputa de egos. A produção envolve tantos aspectos técnicos como musicais. Então o ideal é que ele entenda de administração, de gravação e música”, disse Edu.
6 Comentários
( deixe seu comentário abaixo )- @CristianVaz
07/08/2010 às 2:09
Colocação perfeita em tudo que foi citado!
Parabééns, força!
- Edgar Fagner
09/08/2010 às 15:01
Nossa era pra eu ter ido nesse workshop, pena que não pude estar presente, gostaria de me desculpar pelo descomprometimento, pois, até a inscrição eu fiz. Pleno domingão e eu lá na frente do espaço soma, sozinho ai abri o comp. o evento tinha sido no sábado. Ai que raiva que me deu… Mas não tem nada, não! Terei muitas outras oportunidades, já que o site noiz tem tratado esses works com fino trato…. Até breve e espero que tenham outros eventos como esse no último semestre do Ano…. que promete… Aguardem e verá…. Saúde Familia…. Eh nois!!!!!!
- Eduardo_mc
09/08/2010 às 16:10
Tá de Parabéns, ótimo dialogo!
- Amanda
14/08/2010 às 19:23
Esse dia foi incrível, o titulo da matéria esta de acordo com o que presenciei no encontro. Acho mesmo que vcs deveriam repetir a proposta, porque o dialogo eh muito importante… Pra mim, entre outras coisas, foi muito interessante conhecer de perto o trabalho do EDU e do EMICIDA… teve uma frase (do EMICIDA) que resume bem: “Acho que VC tem que ser tipo VC, taligado?” eh isso! a rua eh noiz.
- Sem palavras...
16/08/2010 às 3:12
Dahora poder ter participado da parada e entender melhor a parada sob o ponto de vista de quem está a mais tempo na parada.
Máximo respeito ao Epaço + Soma pela receptividade, a todos os Envolvidos, Evandro Fióti(desde a inscrição), Dj Nyack que mandou várias pérolas no dia, EMICIDA que na minha opinião tem um ponto de vista e uma posição que são importantes, não só para sua própria carreira, mas por todos da equipe que fortalecem e trincam com ele e com o proprio Rap e ao EDU Lopes que mano, eh um cara que tem varios pontos de vista com os quais me identifiquei, de uma educação e receptividade sem palavras
E valeu a cada mano que colou, as mina que a parada fluiu ate quase uma horas a mais do que iria ser…dahora memo, valeu memo…e qdo rolar as parada eh noiz..vou colar mesmo!!! saúde e trabalho pra geral!!
- Tubaína
19/08/2010 às 0:30
Salve, muito bom , sou aki de são josé dos campos e a pouco tempo teve um bate papo assim com dj Hum e Tio Fresh aki no sesc, xapava um aki com o emicida tbm, é bom ouvir quem ta envolvidão na cena.. eh NóiZ! parabéns.


