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31/08/2010 - por Site Nóiz
De Volta Para o Futuro com o Anti Pop Consortium
Quarteto nova-iorquino desconhece limites para reinventar o rap em sua forma e conteúdo e agradou público no SESC Pompeia
Por Arthur Dantas
O fim de semana pode ter sido da Erykah Badu – e seria pra mim também, caso não fosse tão caro –, mas o público que lotou a Choperia do SESC Pompeia no último sábado pôde conferir um pouco do trabalho do maior combo de rap futurista do planeta: o Anti Pop Consortium, de Nova Iorque. Se o Wu Tang Clan encheu de invenção e inovação a malandragem, o Anti Pop malandreou – da forma ao conteúdo – por tortuosos caminhos cerebrais – todos os aspectos formais do rap. O início do show, cada um dos membros em uma parte de uma mesa quadrada comandando seus “brinquedinhos” eletrônicos e o grafismo no telão ao fundo, em tudo remetendo à música techno do que ao rap, toma um atropelo de estouro de manada quando surgem as letras marcadas por fluxos de consciência intermináveis. Não à toa, essas verdadeiras pinturas operadas em versos originais ao cubo, são comparadas aos de outros bruxos como MF Doom, Kool Keith e o De La Soul.
Anti Pop Consortium surgiu nos anos 2000 e ajudou a estabelecer uma ponte segura entre o hip hop underground da cidade e a música eletrônica conhecida como IDM (Intelligent Dance Music). High Priest, Beans, M. Sayid (o principal animador de festa durante as apresentações) realizaram ao lado do produtor E. Blaize alguns singles a partir de 1997, mas foi através do hoje clássico Tragic Epilogue, de 2000, que, ao menos a parcela de ouvintes mais ligados à música de invenção tomaram conhecimento da turma. E não se estranhou que, naquele tempo, o colocassem ao lado de um grupo como o Company Flow: o último consolidou uma espécie de estilo de se fazer rap ligada ao selo Def Jux, e o Anti Pop, talvez por sua natureza mutante e essencialmente vanguardista, encontrou lar no lendário selo Warp Records, de Londres, mais conhecido por lançar artistas eletrônicos “difíceis” como Aphex Twin e Autechre. Dessa época, veio o ambicioso álbum Arrythmia. As batidas retas deram lugar à ambientações sofisticadas e breakbeats angulosos de uma vez por todas, sem massagem, mas com uma habilidade que os mantinha em sintonia com quem gosta de um bom punhado de rimas e inovações de produção. Diante de tantos caminhos abertos pela filosofia de trabalho do grupo e sua sonoridade, não causa estranhamento já terem dividido turnês com artistas tão distintos como DJ Shadow, Public Enemy e Radiohead.
Quem viu o MC Beans em ação na choperia do SESC Pompeia sabe do que falo. É difícil achar a pausa pra respiração dentro do flow vigoroso do figura que privilegia as sílabas tônicas e não as rimas em fim de frase. Nos momentos que Beans foi pra cima do público, acapella, esse lado poeta/alquimista/em transe do MC deixou o público literalmente sem ar e maravilhado e, ao mesmo passo, pronto pra aventura sonora que nos esperava adiante.
E essa loucura encontra limites. Um pouco, vá lá. Seu último e aclamado álbum, Fluorescent Black, consolida o estilo do grupo e bota um ou dois novos hits para as pistas mais ousadas, como a ótima faixa “Volcano”. A sofisticação do grupo pode assustar um pouco, mas com o peito aberto e a cabeça livre de preceitos, o público parece ter entrado definitivamente nessa viagem sonora digna de ficção científica, porque na soma de tudo, o grupo preocupa-se com a plateia e dá pano pra manga pra todo mundo voltar com a cabeça cheia de minhocas – seja você um beatmaker, um produtor, MC ou pura e simplesmente um fã de boa música.
Se Tim Maia estivesse vivo e ainda vidradão naquela filosofia religiosa onde os humanos estão se aprimorando para receber alienígenas mais avançados, poderia proclamar o quarteto nova-iorquino como seus profetas “racionais”. É comum na crítica musical se lembrar de uma dúzia de artistas que em seu tempo venderam pouco e que, ainda assim, alcançaram um poder mítico de influência que passou décadas. Em uma entrevista antiga, o falecido e engenhoso MC Sabotage disse ser fã do grupo. Eu não perderia tempo se fosse você e correria atrás pra sacar essa viagem sem expectativa de aterrissagem do Anti pop Consortium.
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4 Comentários
( deixe seu comentário abaixo )- Cesar Hostil
31/08/2010 às 19:19
Apesar do massacre sonoro,faltou ainda alguns clássicos : Fuckrap,Dead Motion,GhostlawsForcefield Sonata,Verses fora o solo do Beans q tem a Paper cut t, e Blind river.Mesmo assim quando tocou só a introzinha de Capricórnia one,surtei!!!!!e olha que ja tinha ido no show do Airburn audio no Sesc Santana.
Além da autenticidade eles sempre apontaram um caminho de como se comercializar musica,algo como as bandas alternativas ja o fazem hoje,mas em 1999 ainda estavam discutindo como o Napster era “ameaça” para a música,lembram?
- Thiago Fernandes Castro
01/09/2010 às 4:20
Esse show foi Maravilhoso!!! como disse um parceiro, por vários fatos foi sem dúvida o Indie Hip-hop do ano de 2010. Qualidade demais no show dos caras, muita empolgação, energia, simplicidade, no ato dos mc’s irem até a beira do palco comprimentar dezenas de pessoas ali em baixo em forma de agradecimento. Demais, demais! Ta registrado na minha memória. E no youtube.
- bazon
12/09/2010 às 21:54
poww queria ter ido no sesc são carlos no interior. fica mais perto…
alias quem foi me disse que dois caras da cidade fizeram uma manezice sem tamanho. os caras do antipop deram o mic pra os caras fazerem um freestyle e os caras aproveitaram que os gringos não entendem portugues e zoaram com a cara deles…
enfim foi chato, porque quando os manés entregaram o mic de volta o maluco do antipop aplaudiu como se tivesse gostado.conclusão: inveja é foda!!!!!!!!!!
- DEMWilson
30/01/2011 às 9:43
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