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	<title>Noiz &#187; rincón sapiência</title>
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	<description>Noiz Cultura Urbana</description>
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		<title>ELEGÂNCIA: Rincón Sapiência parte II</title>
		<link>http://noiz.com.br/2009/08/18/elegancia-rincon-sapiencia-parte-ii/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 02:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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		<category><![CDATA[rincón sapiência]]></category>

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		<description><![CDATA[Um pouco de sambajazz e muita malandragem no trabalho do mc]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span id="more-453"></span><em> </em></p>
<p style="text-align: left;"><em>Por Luciano Bevê</em><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Fala desta faixa que está bombando nas pistas e do andamento do vídeo clipe da música “Elegância”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A música “Elegância” inicialmente seria feita em um instrumental montado com um sampler de sambajazz, mas como não tenho o costume de escrever e escutar o instrumental ao mesmo tempo, a rima acabou não combinando com a base, que agora vai dar vida a outra música chamada “malandragem” que será eu e o Mr Pree Mo do grupo Klasse Korreria. Notei que as rimas se encaixavam bem, então pensei em montar um instrumental sem muita informação pra não ofuscar as rimas, e a fórmula deu certo, inspirado no rap do sul dos Estados Unidos, a letra se encaixou bem, e como citado em uma das questões anteriores é um música que fala de questões sociais, usando como pano de fundo a “elegância”, falo de autoestima, discriminação, repressão policial, a diferença está na forma que abordei o tema, se fosse um discurso agressivo, talvez a música não funcionaria tão bem, preferi manter um clima descontraído e irreverente, explorando a elegância e as técnicas de rima pra cativar os ouvintes, acredito que a criatividade é o grande encanto do hip-hop. Quanto ao vídeoclip, foi produzido por uma produtora chamada PQ Films, fizemos filmagens internas e externas, exploramos variados figurinos, contamos também com grupos de dança que contribuíram muito com o bom resultado do vídeo, que em breve será comercializado juntamente com a música, esperamos contribuir no sentido de incitar outros artistas de rap a explorar os recursos audiovisuais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: No rap nacional, quais são os mcs e/ou grupos que você admira? Porquê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente o Brown, sempre contemporâneo, a cada álbum vem se mostrando um artista acima da média, sempre letrista, sempre moderno e o melhor de tudo sempre o Brown, merecedor de um grande reconhecimento, como teve Chico Buarque, Tom Jobim, Jorge Bem, ao lado de Seu Jorge o coloco no topo da música popular brasileira. Destacaria também o Mc Don L do Costa a Costa, ótimo letrista, criativo, na mixtape “Sexo, Drogas e Violência de Costa a Costa” esbanjou talento, isso em 2007, a última novidade que chapei até hoje, ainda não ouvi mais nada de tamanho bom gosto. Gosto do Mr. Pree &#8211; Mo, integrante do Klasse Korreria, acredito muito nele, sei que ele não se preocupa em carregar essa bandeira, mas diria que é o melhor homem branco que já vi rimando, explorador de levadas, tanto eu quanto ele gravamos no Stúdio N do produtor Nefasto, e sempre quando ele grava algo me surpreende. Acaba sendo suspeito por serem meus manos mais são realmente bons, destaco o grupo QI. Alforria, lembra muito o rap tradicional da década de noventa, porém são muito técnicos, são três rimadores de estilo muito autêntico, a poética deles é surpreendente. Gosto também da Flora Matos, do Gaspar, Funk Búia, o Sombra, o Parteum, o Thig, o Marcão do DMN, o RZO destacando o trabalho do Sandrão, sua criatividade é fantástica, esses são alguns dos artistas que destaco na cena.</p>
<p><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/rincon2_janainacastelob.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-475" title="Rincón Sapiência, no Hole Club, por Janaína Castelo" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/rincon2_janainacastelob.jpg" alt="Rincón Sapiência, no Hole Club, por Janaína Castelo" width="600" height="399" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Fala pro NOIZ um pouco sobre sua família e os amigos que estão apoiando sua caminhada no rap.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Minha família de sangue está todo mundo bem, curtindo o que tem e enfrentando as dificuldades. Meus pais passaram por várias nessa vida, espero poder dar continuidade ao progresso, fazer valer tudo o que passaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a música faço parte de um grupo chamado Audácia, composto por mim, Raphão, Bá Kimbuta, Nefasto, Rocha, RGdoQI, Cafuris. To sempre junto com o V.a.d.i.o do Klasse Korreria, vem sendo um irmão nesse meu atual momento, na verdade toda rapa do Klasse Korreria fecha com nóis, é uma família mesmo, como se um fosse empresário do outro, é um lance de afinidade, conheço a caminhada de cada um, torço por todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: O que falta no rap nacional para que os artistas consigam viver da música?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente deve – se haver o desejo de viver da música, existindo esse desejo, deve – se ter uma disciplina, esse seria o ponto mais delicado. A cultura do comércio se perdeu bastante no rap, não querem mais comprar nada, ainda existe o discurso daquela hipócrita humildade, que o artista quando se apresenta de graça é por amor a cultura, amor a comunidade, renegando isso você é um “mala”, te chamam de estrela de um modo pejorativo. É foda! É um pensamento que deve ser exterminado, sem massagem, o comércio funciona a base da propaganda, a base da concorrência, e infelizmente essa concorrência ao menos existe, a demanda de trabalho é fraca, chegou ao ponto dos artistas terem medo de lançarem seus trampos, com receio do trabalho não funcionar. É complicado dizer concretamente o que falta pra vivermos da música, talvez esteja faltando operários para as diversas áreas que devemos dominar. Só posso dizer que acredito em uma reciclagem geral no rap, temos que deixar de ser tolerante com quem não trabalha sério.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NOIZ ::: Agora, você pode aproveitar o espaço para falar de alguma coisa que não foi perguntada ou mandar um salve e fazer tuas considerações gerais.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aproveito pra reforçar esse último ponto que abordei na pergunta anterior, estejam prontos pra reciclagem ou serão eliminados, pode soar prepotente mais é a real, a história do rap e da cultura Hip-Hop é séria. Muitos não tem o pudor e se acham preparados pra se apropriar da cultura, a tolerância contribuiu muito pra isso, e junto a esse pensamento veio a filosofia de que tudo pode ser feito, tudo pode ser dito no rap. Sempre fui contra o conservadorismo, e a nova safra teve peito de assumir uma estética diferente pro rap, isso eu respeito, mas junto a isso as coisas se bagunçaram bastante. Foi o tempo de brincar de rimas no quarto com um gravador, e botar na internet, como também foi se o tempo dos grandes festivais onde vários grupos influentes dividiam o mesmo palco e enchiam as casas. Precisamos refletir sobre as diretrizes do rap.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;">
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		<title>ELEGÂNCIA: Rincón Sapiência</title>
		<link>http://noiz.com.br/2009/08/14/elegancia-do-rap-rincon-sapiencia/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 21:15:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[elegância]]></category>
		<category><![CDATA[hip hop]]></category>
		<category><![CDATA[hole clube]]></category>
		<category><![CDATA[rincón sapiência]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista com Rincón Sapiência]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Leia a primeira parte da entrevista com o rapper<br />
<span id="more-226"></span><br />
Por Luciano Bevê</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/rincon1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-227" title="Rincón Sapiência no Hole Club, Por Janaína Castelo" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/rincon1-300x199.jpg" alt="Rincón Sapiência, no Hole Club, Por Janaína Castelo" width="300" height="199" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Confira a entrevista que o rapper Rincón Sapiência deu ao NOIZ. O bate-papo foi dividido em duas partes e nesta primeira, você fica sabendo como o artista se envolveu com o rap e a origem do seu nome, deixando clara sua forte personalidade e revelando que antes de ser Sapiência ele foi o Mc Shato.</strong></p>
<p><strong>NOIZ ::: Quando e como você começou a fazer rap?</strong><br />
Conheci o rap por intermédio do meu irmão mais velho, isso no começo da década de 1990, mas passei a fazer rap no ano 2000, tinha catorze pra quinze anos. O rap sempre me cativou por conta da audácia que tinham os artistas, da proposta ideológica além da arte, mas pelo fato de ter uma forte influência do rap norte americano, sentia falta de ouvir rimas com mais requinte, nesse ponto me chamava atenção algumas rimas de artistas de outros gêneros fora do rap, curtia o estilo do Chico Science, do Falcão do Rappa, do Planet Hemp, do Black Alien, do Chorão no Charlie Brown Jr, notava que a criatividade poderia ser mais explorada dentro da cena do rap nacional.<br />
O primeiro trabalho que fiz parte era uma banda chamada MD38, pelo fato de ser uma banda acabava tendo influência das bandas de rock, o lance de serem jovens da periferia fazendo música servia de influência. Mas quando ouvi os trampos do Xis, foi o momento que realmente me vi fazendo música, tive minha primeira experiência em compor fazendo samba, foi um trabalho de escola na quinta série, e com a visão de criação que passei a ter ouvindo as músicas do Xis não foi difícil escrever minhas primeiras rimas. A partir disso passei por diversas fases até chegar nesse meu atual estilo.<br />
<strong><br />
NOIZ ::: O que significa Rincón Sapiência?</strong><br />
Rincon é um vulgo de quebrada, batizado por uns caras mais velhos que ficavam em um bar perto de casa. Mesmo sem expandir esse vulgo, conforme fui conhecendo novas pessoas, elas acabavam me chamando de Rincon, diziam que eu era muito semelhante ao jogador que na época atuava no Corinthians, isso em noventa e oito, época que eu jogava futebol de várzea, tinha tudo a ver comigo.<br />
Uma antiga companheira costumava me chamava de chato por ter um forte senso crítico, sempre fui exigente pra gostar de músicas, filmes, programas de tv e etc; e como gostava de fazer músicas contestadoras, achei interessante adotar o nome de Mc Shato, soava como algo &#8220;old school&#8221;. Mas esse nome me incomodava porque acabava perdendo a referência da quebrada, tinha doze anos, foi como se as ruas tivessem me batizado, foi o início da transição da infância pra a adolescência, foi quando passei a ocupar mais as ruas. Cheguei a usar provisoriamente o nome Rincon Mc Shato, mas não soava legal, quando certa vez a palavra sapiência matutou na minha cabeça, sabia que era algo que remete a sabedoria, mas pra entender melhor resolvi consultar um dicionário. Foi quando vi uma definição que dizia que a sapiência é o conhecimento das coisas divinas e humanas, campos de conhecimento que eu busco. O conhecimento divino, algo que vá além da matéria, algo místico, carma, equilíbrio espiritual. Acredito nessas coisas; e obter esse conhecimento vivendo nesse modelo de sociedade não é fácil, concluí que pra enfrentar meus monstros precisaria obter o conhecimento divino e humano, conhecer minha missão nessa passagem na terra, e conhecer também os conflitos humanos e o porquê desses conflitos, daí que me vem o sobrenome Sapiência, muitos dizem “então não é seu nome é apelido” e eu digo que não é um apelido, Cassius Clay depois que se converteu ao Islã passou a se chamar Mohammed Ali, e eu Danilo Albert Ambrosio depois de me converter a música passei a me chamar Rincon Sapiência.</p>
<p><strong>NOIZ ::: O rap nacional nos anos 1990 tinha uma forte tendência a falar mais da periferia, de problemas sociais. Hoje existe um desprendimento sobre essa questão e MCs rimam sobre diversos assuntos não ligados necessariamente as questões sociais. O que você acha disso?</strong><br />
Acho negativo o fato de haver pouco diálogo entre o rap e a periferia, a mesma que sempre sustentou o andamento da cena do rap nacional, e é chato também, saber que vários artistas desta nova safra não possuem suportes para abordarem esses temas, muitos por opção ignoram assuntos do tipo e definem como um rap chato. Independente do tema o que faz a música ser boa é o próprio corpo da música, o instrumental, a poesia, a métrica, a abordagem, a interpretação; a ausência desses quesitos seria um dos pontos fracos <a href="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/IMG_4152-1242.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-255" style="margin: 3px;" title="Rincón Sapiência no Hole Club, por Hudson Rodrigues" src="http://noiz.com.br/wp-content/uploads/2009/08/IMG_4152-1242-300x269.jpg" alt="" width="300" height="269" /></a>da cena na minha opinião. Não muda nada também, o cara ser devorador de livros, biografias de Che Guevara, Lênin, Marx e na hora de criar músicas não se atualizam, e faz algo fraco. Sou a favor da liberdade de expressão, se o cara pesquisa música, escrita, técnica, tem todo o direito de se apropriar do rap, já que é uma arte, tem todo o meu respeito. Os bailes, as festas, fazem parte de uma grande resistência cultural, partes da periferia encontram-se, as diversas classes sociais também. Os pretos com seu estilo preto de ser não são discriminados, se destacam com seus cabelos crespos, tranças. Pensando em tudo isso, qual é o pecado em fazer músicas pra festas? A importância das questões sociais é abordarem questões que circulam a sociedade, não necessariamente política, protestos e denúncias mas coisas que toquem no coração dos ouvintes, e infelizmente isso pouco acontece na atual cena do rap.</p>
<p><strong>NOIZ ::: Ouvindo teu som, dá para sacar mil influências sonoras. Que influências são essas? Fale um pouco sobre os produtores que trabalham com você.</strong><br />
Nesses primeiros trabalhos as produções são todas minhas, alguns instrumentais montados com sampler e outros com programações eletrônicas, o swing e a referência da música afrobrasileira diria que é o ponto mais característico das produções, inspirados em ritmos como pancadão, miami bass, kuduro, crunk, dance hall, samba, baião, toques de capoeira, toques de candomblé, funk, ska, reggae, eletro, muita coisa mesmo. Costumo mudar de fase constantemente, ora procurando uma timbragem acústica, ora chapando em música eletrônica, diria que esse é meu atual momento. Além das minhas produções tenho pretensões de trabalhar com outros produtores que já venho mantendo contado, destacaria o Hurakan, o Nefasto, Parteum, Nave, o Dj Nuts e o Dj King.<br />
<strong><br />
NOIZ ::: E sobre o seu álbum? Como estão os trabalhos e por onde vai sair o trampo?</strong><br />
Preciso dar esse presente pra rapa, noto que a cena precisa de novidades, eu não chego a ser sistemático, mas procuro ser estrategista na hora de trampar minhas músicas, posso garantir que até o final do ano estarei lançando um projeto com músicas e vídeos, mas afirmo também que pretendo trabalhar bastante antes de lançar um álbum oficial, quero poder contribuir na formação de um novo conceito na hora de lançar álbuns, sei que os ouvintes sentem saudades dos clássicos.</p>
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